Crítica | Esquema de Risco: Operação Fortune – Um filme clássico de Guy Ritchie

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O senso de humor de Guy Ritchie (Aladdin, Sherlock Holmes) é realmente singular no cinema. Suas narrativas são completamente envolvidas por um ritmo desenfreado e criativo, como acontece com seu filme mais recente, o agitado Esquema de Risco: Operação Fortune, que chega ao Brasil pela Diamond Films.

Apesar de ser um filme bem menor do que seus grandes feitos cinematográficos, o longa carrega sua essência básica, simples e direta, que consegue desconstruir o padrão clássico de “filmes de espionagem”, enquanto aflora uma trama cômica e despretensiosa.

O diretor, já ciente de sua versatilidade com os gêneros, se mostra confortável com suas escolhas e permite que a história tenha praticamente vida própria, enquanto conquista o espectador, que se acostuma gradativamente com a narrativa verborrágica da premissa e é fisgado pela curiosidade de onde aquela história mirabolante vai nos levar.

A trama e o elenco

Mais uma vez unindo forças com os roteiristas de Magnatas do Crime, Ritchie se diverte na direção de Esquema de Risco: Operação Fortune, ainda que preguiçosamente seja mais uma obra zona de conforto de sua carreira. Quanto mais o tempo passa, mais fica evidente que a magia do cineasta está mesmo em fazer filmes pequenos, fáceis de serem consumidos e em sua grande maioria bons e ótimos. Pode não ser algo extraordinário, mas não há nada de errado em se manter no mais do mesmo, especialmente quando esse mesmo têm dado certo. O elenco é composto pelo astro da ação Jason Statham – em sua quinta colaboração com o diretor – e a hilária Aubrey Plaza (The White Lotus) em uma encarnação inesperada, mas divertida.

Na trama feijão com arroz do gênero – repleta de “MacGuffins” clássicos e justificativas no melhor estilo “quanto menos perguntar, melhor” – um disco rígido (ou uma arma tecnológica poderosa capaz de colapsar a economia global e causar estragos no planeta) cai nas mãos erradas e coloca todos em risco. A única coisa que impede que o disco vaze para o mercado pelo bilionário traficante de armas Greg Simmonds (vivido por um Hugh Grant canastrão) é o agente Nathan Jasmine (Cary Elwes) e sua equipe de elite, liderada pelo talentoso Orson Fortune (Statham). Juntamente com a hacker Sarah (Plaza) e a estrela de Hollywood Danny Francesco (Josh Hartnett), Orson liderará uma perigosa missão para recuperar o disco e garantir a ordem mundial.

Antes de qualquer coisa, é importante destacar a missão de seus protagonistas, que embora pareça fácil à primeira vista, à medida que novos rostos e fatos são introduzidos, adquire um legítimo grau de complexidade que aos poucos vai construindo e obrigando os personagens a adaptar-se e evoluem a partir das novas situações. Essa dinâmica da trama e sua capacidade de desdobrar gradativamente seus aspectos, dando ao espectador espaço e tempo para compreendê-la, é o que coloca o filme um degrau acima da média e mostra um grau de cuidado e atenção à história que não é visto com frequência no cinema atual.

E de dentro dessa premissa convencional, Ritchie faz o que sabe de melhor ao montar um filme coerente, focado tanto em sua ação quanto em seu roteiro cômico para oferecer uma experiência escapista divertida e com a qualidade habitual de seu criador. Não espere por nada inovador ou original – até pelo fato de que nada neste filme busca reinventar a roda -, mas ao menos a execução funciona na promessa de entreter o espectador por suas quase 2 horas de projeção. As sequências de ação são igualmente bem executadas: perseguições empolgantes com muitos tiros, lutas bem coreografadas e explosões de tirar o fôlego, apesar de serem apressadas demais.

Jason Statham, por sua vez, – outro trunfo de que Ritchie sempre faz excelente uso – mais uma vez destaca sua experiência e habilidade na ação, impressionando com suas acrobacias e roubando o show nas lutas, o seu ponto forte. O papel de Fortune combina com a persona cinematográfica estabelecida de Statham em praticamente todos os seus filmes. O que falta de emoção e drama, sobra de carisma.

Ao seu lado, Aubrey Plaza vive o alívio cômico. Apesar de ser mal aproveitada em sua magnitude dramática, a atriz entrega diálogos sarcásticos e boa química com o restante dos astros. Destaca-se também a presença de Hugh Grant (The Undoing) no papel do vilão, um tipo de personagem em que ele não costuma encarnar, porém consegue atuar de forma boa, sendo uma fonte inesgotável de comédia seja intencionalmente ou involuntariamente.

Veredito

Apesar do título nacional sugerir o contrário, Guy Ritchie opta mesmo é por não correr grandes riscos com o familiar Esquema de Risco: Operação Fortune, mas também mostra sua total versatilidade com gêneros e sua habilidade de criar pequenos filmes de ação divertidos, escapistas e visualmente impressionantes.

Embora esteja longe de ser inovador ou mesmo original, o roteiro decente envolve e se mantém fiel com a promessa de levar o espectador por um passeio clássico por uma trama de espionagem. Funciona na ação, funciona no humor exagerado e entretém sem maiores pretensões. A combinação Guy Ritchie + Jason Statham sempre gera um espetáculo explosivo de qualidade.

NOTA: 7/10

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