Acredito que quando o assunto é roteiro adaptado é fácil encontrar muitos que tentaram e não conseguiram ter sucesso. Assim como, também conhecemos muitos que deram muito certo – seja adaptando livros, musicais ou até mesmo biografias. Mas, quando será que os jogos começarão a ter adaptações dignas do seu nome?

Em 2001 foi a primeira tentativa da famosa personagem Lara Croft ter sua oportunidade nas grandes telas na pele de Angelina Jolie e assim também foi em 2003. Filmes que agradaram (pelo menos o primeiro), mas ainda não poderiam ser chamadas de grandes adaptações. Agora, mais de uma década depois, Tomb Raider retorna as telas em mais uma tentativa, mas na pele da ganhadora do Oscar, Alicia Vikander. Além da dificuldade de tirar o gameplay de um videogame e transformá-lo em atrativo suficiente, Tomb Raider: A Origem sofre com a escolha do roteiro de Geneva Robertson-Dworet e Alastair Siddons.

Um roteiro irregular que conta a história de Lara como uma simples entregadora nas ruas de Londres que luta artes marciais, mas que é perturbada pelo incerteza da morte do seu pai que há 7 anos embarcou em uma missão secreta e nunca voltou e que a faz, por isso, negar a fortuna da família Croft. Quando seu destino começa a ser intercalado com o de seu pai, Lara resolve buscar respostas e embarca em uma investigação para resolver (pelo menos um) quebra-cabeça que é a morte de seu pai.

A narrativa, infelizmente, faz com que grandes mistérios dos jogos, como seus famosos quebra-cabeças, sejam bobos e esquecíveis e em outros momentos toma o rumo mais fácil para a protagonista resolver seus problemas.

9-alicia-e1516218417493.jpg

Acredito que para muitos a escolha da atriz Alicia Vikander para o papel que foi anteriormente de Angelina Jolie poderia se tornar complicada, mas é seguro dizer que aqui ela se superou e soube levar o filme nas costas, suprimindo as suas falhas e entregando uma personagem carismática e que mostra suas vulnerabilidades – acredito que de acordo com os últimos jogos lançados -, e se tornando digna para virar a futura e badass Tomb Raider. Acrescento ainda que o filme acertou ao optar pela não sexualização da personagem que uma vez vimos com Angelina Jolie. Aqui, Lara Croft não precisa mostrar suas pernas e ter um peito chamativo, ela por si só é o suficiente para a personagem.

Quanto a Dominc West como Richard Croft e Walton Goggins no papel de Mathias Vogel ouso dizer que foram bons atores em papéis pouquíssimos elaborados e com clichês monótonos. O pai ausente e o vilão que não tem nenhum motivo plausível para fazer o que faz, respectivamente.

Tomb Raider: A Origem deposita todas as suas forças em sua personagem principal, uma das poucas que consegue chegar aos ouvidos e ser reconhecida além de jogos, e na atuação de Vikander, que consegue se encaixar perfeitamente no script do filme. Não é, infelizmente, a adaptação que gostaríamos de ter, mas quem sabe uma continuação em novas mãos poderia levar para um lugar melhor? Podemos dizer que temos a atriz e a determinação de Croft para isso.

De qualquer maneira, vale as horas de diversão no cinema.

Comments