Crítica | ‘Love Lies Bleeding – O Amor Sangra’ é uma mistura de sentimentos ressignificados

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Em Love Lies Bleeding – O Amor Sangra, sentimentos são ressignificados a décima potência. Amar se torna uma prática perigosa e violenta, assim como a raiva empodera e liberta. Tais emoções, em suas formas intensificadas, tomam conta do novo filme da diretora inglesa Rose Glass

Os acertos e erros de Love Lies Bleeding – O Amor Sangra

Uma fisiculturista chamada Jackie (Katy M. O’Brian) tem um sonho: vencer um concurso de bodybuilders na cidade de Las Vegas. Em sua viagem, ela acaba esbarrando com Lou (Kristen Stewart), gerente de uma academia e filha de um criminoso local. As duas acabam se apaixonando e, posteriormente, se envolvendo em uma trama recheada de violência e casos de família mal resolvidos. 

O laço desenvolvido entre as protagonistas se torna o grande norte da história escrita por Rose Glass e Weronika Tofilska. Por um lado, memórias sombrias são despertadas e pessoas morrem porque Jackie e Lou se amam. Em contrapartida, as personagens usam forças que nem sabiam ter graças a essa mesma paixão. É interessante como o roteiro brinca com os conceitos de liberdade e sofrimento trazidos pelo amor. No entanto, vale dizer que há um problema nessa relação. 

Katy M. O’Brian (The Mandalorian) brilha com uma atuação frenética e poderosa. Através da linguagem corporal a atriz consegue transmitir a essência selvagem da sua personagem. Seja durante o sexo, treinando na academia ou cometendo atos hediondos de violência, o amor e o ódio que dividem espaço no coração da fisiculturista Jackie ganham vida nas formas de seus músculos. 

Por outro lado, Kristen Stewart (Spencer) não consegue alcançar o mesmo patamar e entrega uma performance bastante retraída. Enquanto estamos acompanhando os surtos e a eminente metamorfose de Jackie, o desenvolvimento de Lou é completamente engavetado. 

Dessa maneira, parece existir um abismo que separa os sentimentos de Jackie dos de Lou. O texto exige que o relacionamento entre as duas seja uma via de mão dupla, mas quando as atuações de Stewart e O’Brian não se complementam o resultado final acaba sendo um filme desequilibrado. 

Além disso, não se pode dizer que há algo realmente inovador em Love Lies Bleeding. A direção até consegue ser certeira nos momentos em que Jackie é o foco das câmeras, mas no geral acaba flertando o tempo inteiro com a originalidade e no fim das contas não abraça seu verdadeiro potencial. 

Veredito

Love Lies Bleeding – O Amor Sangra é uma mistura de sentimentos que tentam ocupar o mesmo espaço de uma só vez e acabam entrando em combustão. O longa até funciona enquanto tenta materializar esse caos emocional em tela, mas acaba sendo ofuscado pela sua própria trama convencional e pouco inspirada. São dois filmes dentro de um só, sendo o primeiro representado pela magnética Jackie e o segundo pela antipática Lou e sua família. 

Nota: 7/10

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