Crítica | Megatubarão 2 – Um mega desastre em sequência que devora nossa inteligência

Os tubarões do cinema costumavam ser assustadores e empolgantes, mas sinto lhe informar que, infelizmente, Megatubarão 2 (Meg 2: The Trench) mergulha em águas profundas e sombrias da mediocridade cinematográfica. A nova aposta da Warner Bros. eleva sua fórmula a patamares digamos, ousados, porém, todos nas direções erradas, fazendo um eco terrível do sucesso do já questionável anterior, mas somente ao lembrar como esta sequência é tediosamente monótona e descaradamente tola.

De fato, é um desastre colossal para um amante de filmes de tubarão, como eu, admitir que este mergulho na imaginação humana resulta em uma continuação vazia, que “pega emprestado” ideias de filmes melhores para criar um roteiro que insulta a paciência e inteligência dos espectadores a cada 10 segundos.

A trama e o elenco

A história de Megatubarão 2 segue novamente Jonas Taylor (vivido pelo engessado Jason Statham) e sua equipe, encarando as profundezas oceânicas em uma nova aventura sem pé nem cabeça, que é rapidamente sabotada por uma operação de mineração invasiva. Aqui, eles são confrontados com predadores pré-históricos de sangue frio. No entanto, a trama é tão superficial quanto uma piscina infantil.

O retorno de Statham como o audacioso (e genérico!) Jonas é semelhante a um mergulhador sem cilindros de oxigênio, à deriva no oceano de estereótipos de heróis de ação que tão pouco se importa em justificar suas habilidades com criptozoologia aquática, mas Ok. Até mesmo o talentoso astro chinês Wu Jing – talvez a melhor adição deste filme – tem suas habilidades subutilizadas.

O roteiro anêmico e carente de um elo consistente entre os dois filmes faz a sequência parecer sem propósito, além de, claro, buscar desesperadamente lucro nas bilheterias. O CGI é horrendo – a ponto de questionarmos para onde os US$ 100 milhões do orçamento foram parar. Parece mais uma produção precária no estilo Sharknado do que um blockbuster de estúdio de alto padrão. As sequências de ação são, na melhor das hipóteses, uma mancha embaçada na reputação já fragilizada da Warner Bros. Discovery após o bizarro The Flash.

A direção de Ben Wheatley (do também péssimo Rebecca – A Mulher Inesquecível) é um desastre visual e estético. Seu uso de cenários artificiais e mecânicos, dignos de um parque temático abandonado, é tão sintético que a falta de autenticidade afoga o espectador, e não de uma maneira imersiva – só morte mesmo. Isso tudo somado ao ritmo vertiginoso da sua condução. O filme desaparece em um oceano de clichês preguiçosos e escolhas dramáticas sem energia alguma.

E não pense que seus inúmeros defeitos são por ser um filme “pipocão”, um blockbuster que não precisa pensar, muito longe disso, 2023 mesmo tivemos bons exemplos de filmes bobos com qualidade altíssima de diversão, como O Urso do Pó Branco e M3GAN, por exemplo. É a ausência total de qualquer carisma e entretenimento autoconsciente que faz esse barco afundar.

Mesmo os momentos de ação, que prometiam uma carnificina sangrenta como no primeiro filme, falham em produzir um único jorrar de sangue que nos faça vibrar – ou torcer pelos Megalodontes. A falta de engenhosidade do texto é evidente a cada cena, com o filme despencando vertiginosamente em um abismo escuro (e põe escuro nisso, na primeira metade nem dá para enxergar o elenco no fundo do mar) até um clímax tragicômico, envolto em seu próprio delírio de seriedade enquanto tenta brincar de H. P. Lovecraft.

Por fim, Megatubarão 2 quer ser um peixe grande em um aquário pequeno demais. Sua trama pateta consegue ser tão emocionante quanto uma pescaria de duas horas sem uma única mordida na isca. A sequência não nada para algum lugar cabível, mas sim se arrasta para morrer na praia do desperdício. Um desastre de proporções megalodônicas, moldado a partir dos detritos de enredos superiores e pilotado por um diretor sem inspiração e roteiristas preguiçosos.

Este filme é um lembrete valioso do que pode acontecer se as greves de Hollywood não terminarem e os roteiristas forem substituídos por inteligência artificial. Nada aqui funciona, e acreditar na existência dessas criaturas pré-históricas é, de fato, o menor dos problemas. De tão ruim, faz seu primo Sharknado parecer um filme de Steven Spielberg.

Lamentavelmente um naufrágio colosal da criatividade que nenhum amante de filmes de tubarão desejaria testemunhar. E se há uma lição que 2023 nos ensinou, é que mergulhar no fundo do oceano, seja por meio de um submarino extravagante ou por um filme como este, pode ser uma escolha extremamente burra.

NOTA: 2/10

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