Crítica | Mansão Mal Assombrada é uma excelente sessão pipoca para as férias

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Nos anos 2000, a Disney passou por um período em que tentou transformar suas atrações dos parques de diversões em longa metragens para o cinema. Todos se lembram do sucesso estrondoso que foi a franquia Piratas do Caribe, poucos lembram de Tomorrowland, com George Clooney e quase ninguém deve ter memória de Mansão Mal Assombrada, estrelado por Eddie Murphy. 20 anos depois de sua primeira tentativa, a Walt Disney Company volta a investir no mesmo tema, buscando fazer com que Mansão Mal Assombrada possa subir uma prateleira na memória do público e não fique relegada ao ostracismo como Beary e os Ursos Caipiras. Felizmente, para o espectador, parece que o estúdio acertou a mão dessa vez.

Quando uma família se muda para um casarão antigo de Nova Orleans, a cidade mais sobrenatural dos Estados Unidos, ela não esperava que fosse acabar em um lugar com espíritos malignos. Agora, com a ajuda de um cientista cético, um padre trambiqueiro, uma vidente e um professor biruta, esse grupo nem um pouco tradicional vai tentar resolver as questões espirituais e se livrar das assombrações.

Um dos principais pontos positivos dessa versão de Mansão Mal Assombrada é o fato de não se levar a sério. Enquanto o filme de 2003 apostou alto no nome do comediante Eddie Murphy e nos efeitos especiais que envelheceram mal, aqui o diretor Justin Simien guia o espectador de uma maneira bem didática, e até mesmo infantil em certos momentos, pela simples história que você pode esperar de um filme baseado em um brinquedo de parque.

E, ao assumir sua simplicidade, Mansão Mal Assombrada confere aos personagens a tarefa de prender o espectador na poltrona do cinema. A opção por diversidade, não apenas étnica e de gênero, mas de quantidade de personagens, se mostra um diferencial positivo para o filme. LaKeith Stanfield, Rosario Dawson e Chase Dillon foram o tripé que dá base para que os outros atores possam orbitar e complementar a trama. Stanfield e Dawson realmente conseguem fazer a história sobrenatural andar ao mesmo tempo em que dão peso com a carga dramática pessoal mesmo que seja bem rasa. O menino Chase Dillon por sua vez ganha destaque por não se tornar o estereótipo da criança gênio ou até mesmo da criança sempre em perigo, duas figuras mais do que batidas no cinema americano de terror.

O restante do elenco serve para pontuar com comédia um filme que flutua muito bem entre gêneros. Se tratando de um longa para toda a família, Mansão Mal Assombrada não pode ir fundo no terror, mas aproveita essa limitação para dar mais contexto ao mundo que cria. A escolha pela cidade de Nova Orleans traz muito do passado da cidade e de histórias de fantasma que fogem do tradicional método Scooby-Doo de “existem fantasmas porque sim”. A arquitetura, religião e cultura da cidade da Louisiana são agentes no lado místico do filme.

Os Fantasminhas também merecem destaque. Jared Leto faz o vilão do filme e, pela primeira vez em muito tempo, não estraga um papel por atuar exageradamente. Do lado das assombrações que ajudam, Sigourney Weaver é a personagem que mais remete à Mansão Mal Assombrada dos parques da Disney. Como guia espiritual do grupo, ela aparece pouco, mas sempre roubando a cena.

Mansão Mal Assombrada tem um pé na comédia e no terror, com um andamento que a transforma numa excelente sessão pipoca. Mas, para o azar do filme, talvez fosse melhor pegar uma época mais temática para lançar um filme de fantasmas ao invés do tão disputado verão estadunidense, que deve fazer com que essa versão também fracasse nas bilheterias.

Nota: 6,5/10

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