A Mostra Ecofalante de Cinema divulgou a programação completa de sua 15ª edição, reunindo 104 filmes de 27 países em uma seleção marcada por temas urgentes do mundo contemporâneo, como mudanças climáticas, conflitos no Oriente Médio, ameaças aos territórios indígenas, saúde mental, feminismos e questões de gênero.
Considerado o principal evento audiovisual da América do Sul voltado às pautas socioambientais, o festival acontece entre os dias 28 de maio e 10 de junho em diferentes espaços culturais da cidade de São Paulo, incluindo o Reserva Cultural, o Centro Cultural São Paulo e outras 28 salas do Circuito Spcine. Todas as atividades têm entrada gratuita.
Além das exibições, a programação inclui debates, oficinas, encontros com realizadores, bate-papos com críticos e uma masterclass do cineasta finlandês Sami van Ingen. Parte dos filmes também ficará disponível gratuitamente nas plataformas Itaú Cultural Play e Spcine Play.
Homenagem a Zita Carvalhosa
A grande homenageada desta edição é Zita Carvalhosa, produtora fundamental para o audiovisual brasileiro e criadora do Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo, falecida em 2025.
A mostra exibe uma seleção de obras produzidas por ela com forte viés social e ambiental, incluindo “O Cineasta da Selva”, de Aurélio Michiles, “Carvão”, de Carolina Markowicz, e “Fé”, de Ricardo Dias, além dos curtas “Distraída para a Morte”, de Jeferson De, “A Alma do Negócio”, de José Roberto Torero, e “Onde São Paulo Acaba”, de Andrea Seligmann.
Filme vencedor de Sundance abre o festival
A abertura oficial, em 27 de maio, será marcada pela exibição de “O Urso Inconveniente”, documentário dirigido por Gabriela Osio Vanden e Jack Weisman. A produção, ainda inédita no Brasil, venceu o Grande Prêmio do Júri de documentários no Festival de Sundance e acompanha a migração de um urso polar em meio ao avanço das mudanças climáticas e aos conflitos entre natureza e ocupação humana.
Outro destaque internacional é “O Grande Lago Salgado”, produzido executivamente por Leonardo DiCaprio, que aborda o impacto ambiental provocado pelo desaparecimento gradual do Great Salt Lake, nos Estados Unidos.
Já Ang Lee assina a produção executiva de “À Deriva: 76 Dias Perdido no Mar”, sobre a impressionante sobrevivência do velejador Steven Callahan após passar 76 dias sozinho no Atlântico.
Lucrecia Martel e os debates sobre colonialismo
Entre os títulos mais aguardados está “Nossa Terra”, primeiro documentário dirigido pela cineasta argentina Lucrecia Martel, conhecida por filmes como “O Pântano” e “A Menina Santa”.
Exibido em festivais como Veneza, Londres e Locarno, o longa acompanha a luta da comunidade indígena Chuschagasta contra o roubo histórico de suas terras e integra o debate “Colonialismo, Território e Povos Originários: Histórias de Saques e Violências”, marcado para o dia 29 de maio.
A programação dedicada ao tema também inclui o premiado “Suriname, a Lei do Rio e a do Dinheiro”, além do peruano “Runa Simi”, sobre uma tentativa de dublar “O Rei Leão” para a língua quíchua.
Oriente Médio, Palestina e memória audiovisual
Os conflitos no Oriente Médio também ocupam espaço central na programação deste ano. O debate “Oriente Médio: Conflitos, Guerra e Memória” será acompanhado pela exibição de “Você Me Ama”, documentário de Lana Daher que utiliza mais de 20 mil horas de imagens de arquivo para reconstruir a memória recente do Líbano.
Já o encontro “Palestina: Apagamentos e Resistências” traz filmes como “Partition”, de Diana Allan, “Os Gêmeos de Gaza”, de Mohammed Sawwaf, e “Yalla Parkour”, exibido no Festival de Berlim.
Saúde mental, feminismos e educação
A programação também dedica espaço para discussões sobre saúde mental, solidão e hiperconectividade no debate “Sociedade do Cansaço: Solidão, Trabalho e a Reconstrução do Comum”, inspirado no documentário “Querido Amanhã”, do diretor Kaspar Astrup Schröder.
As pautas feministas aparecem em filmes como “Rompendo Rochas”, indicado ao Oscar e vencedor do Sundance, e “Sem Dó Nem Piedade”, que investiga a representação da violência no cinema dirigido por mulheres.
Já o tema da educação atravessa produções como “Lendo o Mundo”, sobre o legado pedagógico de Paulo Freire, e “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, exibido na mostra Generation do Festival de Berlim.
Vincent Carelli estreia novo filme na competição brasileira
As mostras competitivas nacionais reúnem 51 filmes brasileiros de 19 estados e do Distrito Federal. Um dos destaques é “Arquivo Vivo”, novo trabalho de Vincent Carelli, exibido em première mundial.
O longa revisita os 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, recuperando imagens históricas realizadas junto a comunidades indígenas brasileiras e devolvendo esse material às novas gerações.
Também estão na competição títulos como “Futuro Futuro”, do gaúcho Davi Pretto, “Minha Terra Estrangeira”, com participação de João Moreira Salles, além das estreias mundiais “Benvindos” e “O Jardim de Maria”.
Panorama histórico revisita legado do Seminário Flaherty
O Panorama Histórico da edição de 2026 homenageia o Flaherty Film Seminar, iniciativa criada por Frances Hubbard Flaherty em homenagem ao pioneiro do documentário Robert J. Flaherty.
A seleção reúne clássicos como “Nanook, o Esquimó”, “Harlan County: Tragédia Americana” — vencedor do Oscar de documentário — e “Tempo de Embebedar Cavalos”, além do inédito “Sombras Reveladas”, dirigido por Sami van Ingen, bisneto de Flaherty.
A programação completa e mais informações podem ser acessadas no site oficial da Mostra Ecofalante e no perfil oficial da Mostra Ecofalante no Instagram.
