Senhor dos aneis a sociedade do anel é o primeiro de três filmes da trilogia de Peter Jackson baseada nos livros de J.R.R. Tolkien, disponível em streaming gratuito. Para quem vai entrar no universo pela primeira vez, sem ter lido os livros e sem ter visto os filmes anteriormente, este guia cobre o essencial para a experiência ser a mais satisfatória possível.
O básico sobre o universo
A história se passa na Terra-Média, um mundo de fantasia criado por Tolkien com uma profundidade histórica e linguística sem equivalente na literatura de fantasia. Há hobbits, criaturas pequenas que habitam o Shire, uma região rural pacífica, elfos, humanos, anões, magos e as forças do mal lideradas pelo Senhor das Trevas Sauron.
O objeto central é o Um Anel, criado por Sauron para controlar os portadores dos outros Anéis de Poder dados a elfos, humanos e anões. O Anel foi perdido por Sauron há séculos e encontrado, por acidente, pelo hobbit Bilbo Baggins, que o passou ao sobrinho Frodo. A missão é destruir o Anel na única forma possível: jogando-o na Montanha da Perdição, em Mordor, o território de Sauron.
O que esperar dos 178 minutos
A Sociedade do Anel tem um primeiro ato relativamente lento que estabelece o Shire, Frodo, a festa de aniversário de Bilbo e os primeiros passos da jornada antes de acelerar. A partir da chegada a Bree, uma cidadezinha onde Frodo encontra Aragorn pela primeira vez, o ritmo muda e não para mais.
Os momentos de maior impacto visual no primeiro filme são a paisagem élfica de Rivendell, o abismo sem fundo das Minas de Moria onde a Sociedade precisa atravessar as montanhas, e a floresta encantada de Lothlórien. A batalha com o Balrog na Ponte de Khazad-dûm é uma das cenas mais famosas de toda a trilogia e acontece no segundo ato.
A Sociedade do Anel como filme de estabelecimento
No contexto da trilogia completa, A Sociedade do Anel tem uma função de estabelecimento que exige do filme algo que nenhum dos seguintes precisa fazer na mesma escala: criar um universo do zero para o espectador que nunca leu o livro. Isso significa apresentar a Terra-Média, seus povos, sua história, suas geografias e suas regras num espaço de tempo que permita que a narrativa ainda avance.
Peter Jackson resolveu esse desafio através de uma série de escolhas de ritmo que privilegiam a imersão sobre a informação: em vez de narração expositiva que explica quem são os elfos e qual é a história do anel, o filme coloca o espectador dentro de situações e deixa que o contexto se revele organicamente. O prólogo com Cate Blanchett narrando a história do anel é a maior concessão à exposição direta, e mesmo ela é construída como sequência cinematográfica própria em vez de texto explicativo sobre imagens estáticas.
Ian McKellen como Gandalf
A escolha de Ian McKellen para o papel de Gandalf foi uma das decisões de casting mais importantes e mais bem-sucedidas da trilogia. McKellen é um ator de teatro clássico britânico com décadas de experiência em Shakespeare e em papéis de autoridade moral complexa, e trouxe ao personagem uma combinação de gravidade e humor que o diferenciava do arquétipo de “velho sábio” que o papel poderia facilmente ter se tornado.
A cena da Moria, onde Gandalf enfrenta o Balrog com a frase “você não vai passar”, é o momento de McKellen mais citado da trilogia e um dos exemplos mais claros de como presença de ator pode elevar uma cena que em outras mãos poderia parecer bombástica a algo genuinamente grandioso.
