A cidade histórica de Ouro Preto (MG) volta a receber um dos eventos mais importantes do audiovisual nacional entre os dias 25 e 30 de junho. Em sua 21ª edição, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto reafirma sua vocação como o principal evento brasileiro dedicado à preservação, à história e à educação no cinema, reunindo exibições, debates, homenagens e encontros profissionais gratuitos.
Com o tema “Um país existe nas imagens que preserva”, a mostra propõe uma reflexão sobre a importância da memória audiovisual na construção das identidades culturais, sociais e políticas do Brasil. Ao longo de seis dias, a programação abordará o papel das imagens na preservação da história e na formação de novas gerações de espectadores.
Helena Solberg será a homenageada da edição
Um dos destaques da CineOP 2026 é a homenagem à cineasta carioca Helena Solberg, considerada uma das pioneiras do cinema feminista no Brasil.
A diretora ganhou projeção com o curta-metragem A Entrevista (1966), obra frequentemente apontada como um marco na representação das questões femininas no cinema brasileiro moderno. O filme reúne depoimentos de jovens mulheres da elite carioca sobre temas como casamento, sexualidade, trabalho e autonomia.
Radicada nos Estados Unidos a partir da década de 1970, Solberg desenvolveu a chamada “Trilogia da Mulher”, formada pelos documentários The Emerging Woman (1974), The Double Day (1975) e Simplesmente Jenny (1977). Nos anos seguintes, voltou seu olhar para os impactos das ditaduras latino-americanas e, posteriormente, dirigiu obras como o documentário Carmen Miranda: Bananas Is My Business e o longa de ficção Vida de Menina.
Mais recentemente, a cineasta retomou temas ligados aos direitos das mulheres em produções como Meu Corpo, Minha Vida (2017) e Uma Carta para Beatrice (2022).
Mulheres cineastas no centro da programação histórica
A temática histórica da 21ª CineOP, intitulada “Como elas começaram? Memórias do primeiro filme”, revisita os caminhos percorridos por mulheres cineastas brasileiras até a realização de seus primeiros longas-metragens.
A proposta busca recuperar trajetórias muitas vezes invisibilizadas pela historiografia do cinema nacional, além de discutir os desafios enfrentados por diretoras de diferentes gerações para ingressar na indústria audiovisual.
A programação reúne obras fundamentais de nomes como Ana Carolina, Lúcia Murat, Carla Camurati, Tata Amaral, Helena Ignez e Viviane Ferreira.
Entre os filmes selecionados estão Feminino Plural (1976), de Vera Figueiredo, que completa 50 anos em 2026, além de títulos marcantes como Mar de Rosas, Que Bom Te Ver Viva, Carlota Joaquina, Princesa do Brazil e Um Céu de Estrelas.
Além das sessões, diretoras participarão de encontros e debates para compartilhar experiências sobre o início de suas carreiras, os obstáculos enfrentados e as transformações vividas pelo cinema brasileiro ao longo das últimas décadas.
Preservação audiovisual em pauta
Outro eixo central da mostra será a temática “Primeiros gestos na preservação audiovisual: práticas, memórias e futuro”, dedicada às iniciativas pioneiras que contribuíram para a conservação de filmes, equipamentos e documentos antes mesmo da consolidação de políticas públicas voltadas à preservação.
A proposta destaca o papel de colecionadores, pesquisadores e instituições que ajudaram a construir a memória audiovisual brasileira, além de discutir os desafios contemporâneos para garantir a sobrevivência desse patrimônio.
Como parte da programação, será realizado o 21º Encontro de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, reunindo especialistas, pesquisadores e representantes de instituições de preservação para discutir políticas, técnicas e estratégias de atuação em rede.
Cinema e educação
A relação entre cinema e formação de público também terá espaço de destaque na programação. Sob o tema “Primeira Vez”, a área de Educação da CineOP se inspira no curta cubano Por Primera Vez (1967), de Octavio Cortázar, para refletir sobre o impacto do primeiro contato com o cinema.
A curadoria propõe discutir experiências históricas que aproximaram estudantes das imagens em movimento, como exibições realizadas em escolas brasileiras desde o final do século XIX e iniciativas pioneiras de produção audiovisual estudantil.
O debate também dialoga com a implementação da Lei Federal 13.006/2014, que prevê a exibição de obras brasileiras nas escolas de educação básica, reforçando o potencial do cinema como ferramenta de formação cultural e cidadã.
Evento gratuito
Realizada anualmente em Ouro Preto, a CineOP consolidou-se ao longo de mais de duas décadas como referência nacional na discussão sobre memória audiovisual, preservação de acervos e educação pelo cinema.
Toda a programação da 21ª edição será gratuita e contará com sessões de filmes, oficinas, debates, homenagens e atividades formativas abertas ao público.
Serviço
21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto
Quando: 25 a 30 de junho de 2026
Onde: Ouro Preto
Informações: CineOP