Crítica | As Viúvas

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Há uma beleza brutal nas obras de Steve McQueen. Sem sombra de dúvida, um dos grandes cineastas dos dias de hoje que sabe muito bem trabalhar temas raciais dentro de obras que variam do drama ao suspense, sem parecer escrachado demais e nos prendendo em suas histórias do começo ao fim, como fez em ‘12 Anos de Escravidão’ e agora voltou, felizmente, a repetir a dose no trabalho máximo de sua carreira: ‘As Viúvas’.

A genialidade de McQueen transforma um roteiro relativamente fraco, digno de filmes genéricos dos gêneros assalto e policial, em um thriller político extremamente interessante e eletrizante, sem deixar de lado assuntos cruciais para entrar na lista de “queridinhos do Oscar”, com uma direção brilhantemente coreografada, repleta de planos sequência que seguem os personagens em estilosas sequências de ação e tiroteio de tirar o fôlego.

Esse misto de drama com suspense fisga a nossa atenção e emoção durante todo o difícil percurso. Na trama, um grupo de viúvas precisa terminar um suposto último trabalho deixado por seus maridos mortos durante a missão. Lideradas pela destruidora Viola Davis, que prova mais uma vez que Hollywood é pequena demais para tanto talento, elas precisam aprender como entrar no submundo do crime, se envolvendo em uma trama política que pode custar suas vidas.

O roteiro não tem pressa de contar a trama que, apesar de possuir uma vasta gama de personagens, apresenta cada um deles no ritmo necessário para familiarizar com todos os envolvidos, tanto o núcleo político, liderado por Colin Farrell e Robert Duvall, quanto o do crime, com Brian Tyree Henry e Daniel Kaluuya, fora as viúvas do título, que mesclam esses dois mundos em um só. O ritmo começa lento, nos apresentando o lado emotivo das personagens, mas avança no segundo ato e assume o suspense intrigante assim que as atrizes finalmente contracenam juntas. Uma química explosiva e carismática difícil de se ver.

Como o filme não é sobre homens poderosos, mas sim suas esposas, Liam Neeson faz um papel curto, mas marcante, porém, é o elenco feminino que foi escolhido a dedo. Destaque para Michelle Rodriguez, talvez vivendo a personagem mais humana de sua carreira, sem deixar de lado aquele ar bad ass típico da atriz; e para Elizabeth Debicki, que põe toda sua emoção em jogo, rendendo um trabalho sensacional de atuação. Além disso, Cynthia Erivo chega um pouco tarde na trama, mas chega com garra, mesmo com o roteiro não se aprofundando em sua personagem como nas demais.

Entre tiros e fugas alucinantes de carros por Chicago, a trama ainda encontra espaço para militar sem exagerar, colocando o dedo na ferida sobre violência policial contra negros nos EUA, feminicídio, corrupção na política e, o mais interessante e pouco trabalhado nos cinemas, a influência da religião e dos pastores evangélicos dentro da política, assunto de extrema importância que estamos também vivenciando no Brasil.

Com tanto estilo e ousadia, ‘As Viúvas’ prova que um filme feminista pode muito bem vir agregado de suspense e ação e se tornar popular, similar ao que ‘Corra!’ fez com o drama racial, sem exageros e sem medo de tocar nos assuntos mais necessários e que o cinema tem o dever de retratar. Elenco de primeira, direção eficiente, roteiro que amarra todas as pontas soltas e um plot twist inesperado, fazem do novo filme de Steve McQueen uma das obras mais inteligentes do cinema esse ano e, anote esse nome, pois vai ouvir falar muito dele no Oscar 2019.

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