O choque com a primeira aparição de Grogu na série The Mandalorian (2019) foi imediato. A narrativa, antes vendida como uma história sobre criminalidade e violência, dava lugar ao desenvolvimento de uma relação bastante improvável que emocionaria pela conexão genuína formada entre um bruto caçador de recompensas e um pequeno e amável alienígena verde.
Hoje, essa parceria ganha espaço nas salas de cinema com O Mandaloriano e Grogu. Em uma nova aventura à la The Clone Wars, a dupla protagonista deve encontrar Rotta, The Hutt (Jeremy Allen White), filho de Jabba, e entregá-lo a seus parentes para conseguirem informações de interesse da Nova República.
Os acertos e erros do filme
Diferentemente do que se imaginava, o filme não surge com a premissa de expandir o universo Star Wars ou até mesmo concluir a história iniciada em The Mandalorian, no streaming. Custa dizer, inclusive, que sequer há uma tentativa concreta de atribuir novas camadas à relação entre Mando e Grogu. A produção não se esforça para dizer algo novo aos fãs de longa data. Com simplicidade, porém, ela abre uma porta para que novas pessoas conheçam a história criada por Jon Favreau.
E no centro dessa estratégia está Grogu, aquele que uma vez foi chamado de “baby-yoda”. Através das redes sociais, o alien conquistou públicos distintos com sua natureza atipicamente fofa. Agora, com um filme próprio (que conta com um momento dedicado exclusivamente ao pequeno), os espectadores casuais terão fácil acesso ao personagem, sem que seja necessário ter conhecimento aprofundado sobre Star Wars. Portanto, mesmo que bastante divertida, é difícil enxergar a nova aventura como algo que vá muito além da empreitada comercial.

Ainda que pouco agregue ao universo, o longa consegue justificar a excursão do Mandaloriano e Grogu aos cinemas através das ótimas sequências de ação e de um ritmo consistente que preenchem as lacunas deixadas pela trama pouco inspirada. A experiência é potencializada pelo Imax e pela trilha sonora de Ludwig Göransson, que reverberam o aumento da escala em comparação aos episódios da série.

Andadores imperiais caem com elegância, dividindo a tela com ataques massivos de x-wings e lutas de gladiadores entre alienígenas monstruosos. Jon Favreau não deixa a peteca cair em momento algum, fazendo bom proveito das tecnologias disponíveis para a nova mídia. Portanto, mesmo que não sejam agraciados com histórias realmente originais ou memoráveis, os fãs mais assíduos de Star Wars não saem de mãos vazias das salas de cinema.

A dupla protagonista também não faz feio. Apesar de não trilharem caminhos verdadeiramente novos, é difícil não se encantar com as interações mais banais entre Din Djarin (Pedro Pascal) e seu protegido. Ator e marionete criam, juntos, uma atmosfera familiar estranhamente convidativa, o que desperta a sensação de que seria possível assisti-los por outras duas horas sem enjoar.
Veredito
No fim das contas, O Mandaloriano e Grogu acaba sendo um grande episódio filler — mais bonito e mais barulhento, mas ainda assim um filler. A questão é: quando se tem personagens que exalam carisma com tão pouco esforço, até que ponto é interessante acompanhá-los em suas aventuras mais habituais e despretensiosas? Bom, no caso de Mando e Grogu, acredito que seja cedo para falar em “saturação”.
