Crítica | ‘Mergulho Noturno’ se afoga em uma piscina de tédio

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Mergulho Noturno (Night Swim), da Universal Pictures, tem seu viés criativo e faz jus a uma história divertida e interessante, ainda que não tão inovadora e que bebe da fonte de diversas outras produções. Como um filme de terror de verão, funciona, mas o seu lado dramático é muito mais imersivo do que o horror em si.

Mais uma vez a Blumhouse vende um produto encharcado de mistério, mas com o nível de entrega muito abaixo do esperado. São tantos clichês e uma trama mal desenvolvida que é difícil navegar pela história sem sentir sono ou tédio, e dormir em uma piscina nunca é bom sinal. 

A trama e o elenco de Mergulho Noturno

Como bem sabemos, manter uma piscina é uma tarefa desafiadora, mas em Mergulho Noturno, há uma desconexão notável com a narrativa, apesar de o lado humano ser consideravelmente mais intrigante do que os próprios monstros. A trama, embora incapaz de manter seu mistério de maneira eficaz, domina habilmente a criação de uma atmosfera constante de estranheza.

A história segue uma típica família americana em busca do tão almejado recomeço ao se mudarem para uma casa espaçosa, cujo preço acessível sinaliza problemas iminentes. A reviravolta ocorre com a descoberta de uma piscina assombrada, que, apesar de parecer recompensar o patriarca interpretado por Wyatt Russell (Monarch: Legado de Monstros), mergulha o restante da família em uma maldição tenebrosa transmitida ao longo dos tempos.

Com uma ênfase menor no terror e uma maior dose de drama familiar, o que, por vezes, se revela positivo quando o roteiro consegue sustentar essa dualidade, como visto em Sorria, Mergulho Noturno se destaca pela estreia de Bryce McGuire e conquista pontos por sua total originalidade. Ao contrário de muitos filmes contemporâneos, não se trata de um remake, sequência ou reboot, mas sim de uma expansão do curta-metragem de mesmo nome.

O filme amplia o universo introduzido no curta e incorpora algumas ideias interessantes, embora essas sejam enfraquecidas pela falta de desenvolvimento ou pela falta de habilidade do cineasta novato em conduzir as sequências mais intensas de susto e medo, muitas vezes recorrendo aos previsíveis jump scares convencionais.

A troca aparente que a piscina realiza, revitalizando a saúde do pai da família enquanto drena as energias dos demais, como da mãe, interpretada por Kerry Condon (Os Banshees de Inisherin), apresenta uma sinistra e intrigante dinâmica, evocando reminiscências de tramas como Horror em Amityville e a franquia Sobrenatural, também do produtor James Wan. A água parece atender aos desejos de cura daqueles que necessitam dela, mas a presença da fonte natural não é mera coincidência – afinal, é o que impulsiona a narrativa.

Ao longo da trama, os aspectos sombrios do local, juntamente com mortes inexplicáveis, são revelados, porém, por mais que nossa curiosidade seja instigada, as respostas fornecidas são superficiais e apressadas. Um equívoco notável do filme é sua recorrente referência à força malévola no quintal da família como “a piscina” em vez de “a água”, uma mudança que ocorre tardiamente na história.

O uso insistente desse termo soa cômico e prejudica a capacidade do filme de transmitir o suspense. Embora McGuire exiba talento cômico, este não é suficientemente afiado para convencer o público da piada. A comédia e o terror, como habilidades cinematográficas, estão interligados e, infelizmente, o fator suspense neste filme é, em grande parte, desanimador, com alguns sustos que provocam risos.

Apesar disso, o filme efetivamente toca em alguns medos aquáticos primordiais, mas lamentavelmente subaproveita esse potencial, assim como a oportunidade para explorar a criatividade da fotografia subaquática. A impressão que fica é que o cineasta estava improvisando a narrativa durante o processo de filmagem, sem um planejamento prévio claro sobre a direção que a história deveria tomar. A tensão do filme se mantém até o momento em que o monstro é revelado.

Veredito

O roteiro de Mergulho Noturno revela um considerável potencial pouco explorado, apesar de incorporar clichês convencionais. O filme nos mergulha em um intrigante drama familiar, tentando ao mesmo tempo construir uma atmosfera de terror.

Entretanto, a trama, aparentemente sem uma direção clara, nos afunda em um mar de tédio, agravado por escolhas dramáticas bastante questionáveis e sustos que não atingem as expectativas. Ainda assim é um esforço decente, que ganha pontos pela originalidade da piscina mal-assombrada, mas é preciso dar braçadas bem longas para chegar do outro lado dessa história sem fundo.

Nota: 5/10

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