Crítica | Monarch: Legado de Monstros – Ponto de vista humano ruge mais alto que os Kaijus

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Assistimos os oitos primeiros episódios da primeira temporada de Monarch: Legado de Monstros. Ao término da temporada essa crítica será atualizada.

Quando o primeiro rugido dessa nova fase de Godzilla ecoou nos cinemas, lá em 2014, a Legendary talvez não tenha imaginado que estaria pavimentando o caminho lucrativo para um MonsterVerse no melhor estilo Marvel Studios. Contudo, agora, a série Monarch: Legado de Monstros chega à Apple TV+ como a primeira incursão televisiva desse universo colossal e já chega com bastante responsabilidade.

Embora o orçamento pareça muito mais contido e a trama mais prolongada, a série se propõe a preencher as lacunas deixadas pelos filmes anteriores, especialmente no período pós-2014. Apesar de empolgante e divertida de assistir, Monarch não entrega suas principais promessas: presença de Kaijus e explicar, de uma vez por todas, a importância da organização secreta que tanto é mencionada no cinema.

A trama e o elenco de Monarch: Legado de Monstros

A narrativa de Monarch: Legado de Monstros transporta os espectadores através de duas linhas do tempo distintas, explorando o impacto dos eventos cataclísmicos do chamado Dia-G (que ocorreu em 2014). Inicialmente ambientada nos anos 50 e em 2015, a série investiga os segredos entrelaçados da enigmática Organização Monarch, uma entidade que há décadas estuda o surgimento dos monstros na Terra. No entanto, apesar da premissa intrigante, a presença dos Titãs, a verdadeira essência do MonsterVerse, é notavelmente vaga ao longo dos oito (de 10) episódios que assistimos.

A trama investigativa, concebida para desvendar os mistérios da Monarch, por vezes se perde em sua própria complexidade, falhando em fornecer explicações claras sobre as implicações dos monstros na trama terrestre. A série, sob o comando de nomes como Matt Shakman (WandaVision), Chris Black e Matt Fraction, apresenta um elenco predominantemente novo, com destaque para Anna Sawai como Cate, o ponto focal emocional da narrativa. No entanto, não escapa de tropeços, especialmente em seus episódios intermediários, onde a narrativa parece estagnar, mesmo com os intrigantes ganchos ao final de cada capítulo.

O envolvimento dos co-criadores dos filmes na série apresenta uma abordagem cronologicamente expansiva, abrangendo três gerações de personagens. Esta escolha de narrativa adiciona camadas à saga familiar centrada em Cate e Kentaro, interpretados de forma envolvente por Anna Sawai e Ren Watabe. O roteiro habilmente revela informações sobre os personagens à medida que a temporada avança, mas o ritmo arrastado, por vezes titubeante, e a barriga nos episódios do meio obscurecem o impacto dessa boa história inicial.

Em relação aos monstros que dão nome à franquia, Monarch reserva a aparição do glorioso Godzilla apenas ocasionalmente, mas investe nesses momentos com grande reverência. No entanto, a ausência notável de ícones como Mothra, Rodan e Ghidorah nos primeiros episódios pode decepcionar e muito os fãs ávidos por uma variedade de criaturas realmente importantes, mesmo que isso sirva para respeitar a cronologia da saga. Por sua vez, introduz outros Titãs de forma até bem criativa, mas a qualidade duvidosa do CGI é uma marca evidente, que ressalta a diferença de escopo entre as produções cinematográficas e televisivas do MonsterVerse.

Veredito

Monarch: Legado de Monstros apresenta uma experiência mista. Suas falhas narrativas, aliadas à escassa presença dos titãs, são contrabalançadas pela cativante riqueza emocional dos personagens e pela habilidade de manter o público envolvido. A série da Apple, embora não alcance plenamente as alturas esperadas, resgata a energia inicial do MonsterVerse, oferecendo uma visão intrigante do passado e do presente, sem pensar tanto assim no futuro.

Seu verdadeiro mérito, no entanto, reside na exploração corajosa do universo dos Kaijus pelo ponto de vista humano, ainda que a falta de ação espetacular e o CGI duvidoso evidenciem suas limitações televisivas. Ainda assim, Monarch é uma adição valiosa ao cânone, mas, infelizmente (ou não!), cresce mais pela narrativa intrincada do que pelos confrontos titânicos que tanto pagamos para ver.

A série está em exibição no Apple TV+, com seu último episódio previsto para sair em 12 de janeiro de 2024.

NOTA: 7/10

Leia também: Monarch – Legado de Monstros | Entenda a linha do tempo de Godzilla, Kong e da franquia


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