Crítica | O Fio Invisível – Thriller psicológico sensorial e sinistro

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Há um provérbio chinês que afirma que as pessoas que devem se encontrar estão conectadas por um fio invisível que as liga pelo resto da vida. O fio pode encurtar, esticar, se enrolar, o que for, mas ele nunca se rompe. Alguns chamam isso de destino. É importante ter isso em mente. Passado o estranhamento inicial de uma narrativa descritiva, completamente fora da habitual, O Fio Invisível (Distancia de Rescate) – novo original espanhol da Netflix – segue essa ideia imaginativa e subverte todas as regras do gênero.

Apesar de ser vendido como um terror convencional, desempenha mesmo é um verdadeiro thriller psicológico que beira a loucura, captado pelo olhar atraente da diretora Claudia Llosa (Marcas do Passado), com imagens evocativas e maravilhosamente atmosféricas, que dão vida ao livro da autora Samanta Schweblin, cujo filme é baseado.

A trama e o elenco

E onde mais existiria um fio que liga duas almas senão entre uma mãe e seus filhos? Pois bem, apesar de tocar em temas complexos e parecer uma obra densa e abstrata de David Lynch, O Fio Invisível é, em suma, sobre maternidade. Mais que isso, sobre a responsabilidade de ser mãe.

Enquanto a trama acompanha Amanda (vivida pela expressiva María Valverde) e sua filha pequena, Nina, que estão de férias durante um abafado verão – uma casa de fazenda no meio de um campo de trigo – a narrativa desconstrói o linear e mescla presente e passado para desvendar a tragédia que deve acontecer no futuro, uma vez que Amanda conhece Carola (Dolores Fonzi), uma dona de casa que mora com seu marido criador de cavalos, Omar (German Palacios), e seu sinistro filho Davi (Marcelo Michinaux). 

Após um incidente envolvendo um riacho do lugar, Davi muda completamente seu comportamento quando tem parte de sua alma retirada e transferida para outro corpo por uma curandeira local.

Dessa ambientação solar, estranha e medonha, a diretora Claudia Llosa constrói uma atmosfera intensa, uma espiral vertiginosa de sonhos, memórias e possibilidades, que desenvolve seu mistério sem pressa, no seu próprio e lento ritmo.

De fato, fazer esse tipo de narrativa onírica – para uma obra voltada para a Netflix – pode ser um tiro no pé, uma vez que sua trama tem um viés confuso que pode e deve afastar parte do público, porém, certamente irá fisgar quem busca algo mais inteligente e elaborado, que destrincha as perspectivas das personagens e cria um suspense crescente e intrigante, ainda que sua desaceleração proporcione momentos maçantes no meio.

Conclusão

Com um desfecho ambíguo, O Fio Invisível utiliza a narrativa onírica para criar sua atmosfera solar, sensorial e sinistra, um thriller psicológico singular, que é preciso maturar e ser digerido sem pressa. Mesmo com nuances confusas, ritmo arrastado e uma trama que mescla sonhos com a realidade, a obra consegue sair do lugar comum do gênero e alcançar patamares provocativos, que permanecem com a gente por algum tempo. Um dos mais belos e esquisitos filmes recentes da Netflix, sem dúvida.

Nota: 8/10

Clique aqui para entender o final do filme.


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