Crítica | Garota da Moto – “Copia e cole” sem identidade e com inconsistentes cenas de ação

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Se está familiarizado com o mundo das séries nacionais, deve conhecer a precária Garota da Moto, exibida pela emissora SBT e que teve apenas duas conturbadas temporadas entre 2016 e 2019.

Pois bem, como se já não fosse o suficiente fazer um thriller de ação extremamente genérico na TV, a produção agora ganhou seu próprio longa-metragem, de mesmo título e estrelado por Maria Casadevall.

Acontece que a chance de acertar é novamente desperdiçada com uma trama artificial e situações forçadas, enquanto busca ser o convencional filme “vingança feminina” que usa e abusa da fórmula sem qualquer ânsia de entregar algo minimamente original.

A trama e o elenco

Apesar de dizer inúmeras vezes que não é uma super-heroína, Joana (Casadevall) paga de heroína o tempo todo – e o roteiro de Garota da Moto a coloca em diversas situações inverossímeis para provar seu potencial como uma motogirl femme fatale. No entanto, a personagem parece ter saído diretamente de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres e sua pose de durona definitivamente não convence.

Mas tudo isso é culpa de um roteiro limitado, afinal, o enredo é bom e o cinema americano já o faz funcionar a décadas (só essa semana teve o lançamento de Kate na Netflix, com trama bastante semelhante, fora Jolt, do Prime Video), ou seja, o problema – entre diversos fatores técnicos que irei abordar mais pra frente – está mesmo na falta de carisma das personagens na contramão às situações de perigo constante que vivem.

Joana é fechada demais para provocar empatia no público. Apesar do visível esforço de Casadevall em fazer uma protagonista com camadas densas, a vigilante, que não consegue ver injustiça no mundo, é unidimensional e suas fraquezas envolvem apenas seu filho (vivido por Kevin Vechiatto – o Cebolinha do live-action de Turma da Mônica). Até aí, ok, a clássica história da mãe (ou pai) que faz o impossível para proteger sua cria também já foi feita à exaustão no cinema (Liam Neeson que o diga!), mas acaba por funcionar com boas cenas de ação. O que também não é caso aqui.

Na premissa, Joana se envolve no mundo do crime organizado após descobrir – acidentalmente – uma fábrica onde mulheres eram mantidas sob trabalho escravo. Ela liga para a polícia? Sim! Mas o que decide fazer em seguida? Isso mesmo, invadir o local e exibir suas habilidades de artes marciais em cenas de luta absolutamente mal realizadas, com fotografia escura demais e coreografias extremamente carentes de uma boa direção.

Depois dessa introdução tediosa, a narrativa só se torna cada vez mais repetitiva, que dá voltas e mais voltas em torno de circunstâncias geradas apenas para render cenas de ação e sem qualquer fundamento ou mesmo diversão. A sensação que fica é de que tudo é protocolado e a progressão – tanto das personagens quanto dos conflitos com o crime organizado – são puro tédio, feito por um olhar estereotipado e obsoleto.

A direção

O melhor exemplo das falhas da direção de Luis Pinheiro (é difícil fazer algo engenhoso com um roteiro tão limitado, não é mesmo?) está em duas cenas específicas no terceiro ato. Uma que envolve um fatídico lápis – mostrado ao público em mais planos que o necessário com o intuito de fazer um foreshadowing que promete muito e, quando finalmente é usado em uma cena de ação sem tensão alguma, é impossível não pensar “só isso?”.

Já a outra, no ápice do conflito entre Joana e o grande (e clichê) vilão da trama (vivido por Duda Nagle) é um risível plano sem fundamento durante uma perseguição, cujo tempo é dilatado para criar suspense (como se houvesse algum a esse ponto!), com a protagonista no seu momento “…I came in like a wrecking ball”, que obviamente era para ser sério, mas serve mesmo como a cereja desse bolo desajustado.

A fotografia, por sua vez, é escura nas cenas de ação e densa demais nas outras, a trilha sonora até ajuda a imersão no mundo caótico da trama, mas logo se perde no emaranhado de tentativas de replicar o molde e o clímax desastroso, previsível – a última esperança que restava – coroa a produção como um marco de decisões ruins.

Conclusão

Com nenhuma tentativa de ser engenhoso ou fugir do previsível, Garota da Moto até se esforça para ser um thriller de vingança enérgico – com sua femme fatale implacável – mas acelera mesmo é em rumo à zona de conforto de uma fórmula batida no cinema. Uma direção irregular e cenas de ação preguiçosamente artificiais, escuras e risíveis marcam a produção baseada em uma série do SBT. Grande potencial desperdiçado do ótimo cinema de ação brasileiro com uma obra plenamente “copia e cole” sem identidade alguma.

Nota: 2/10


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