AÍ SIM! Como uma lembrança ao passado, com certo saudosismo, a Rota 85 está de volta na edição que celebra os 40 anos do Rock in Rio, com um espaço muito concorrido para os melhores cliques e selfies do festival. O local, um dos mais queridos pelos fãs, também conta com o Highway Stage, palco que terá uma programação formada por seis atrações, que vão se dividir nos dois fins de semana trazendo shows emocionantes para a Cidade do Rock.
Nos dias 13, 14 e 15, Black Jack, Canto Cego e The Lokomotiv farão apresentações inesquecíveis no espaço. Já nos dias 19, 20, 21 e 22 de setembro, o público vai se encantar com as performances de Fuze, Roda de Blues e Gui Schwab.
O Highway Stage vai proporcionar uma experiência única na Rota 85 com shows diários durante o festival. No primeiro fim de semana, que ocorrerá nos dias 13, 14 e 15 de setembro, o público poderá conferir performances energéticas de Black Jack, uma banda de classic rock que mistura músicas autorais com grandes sucessos do gênero.
Em seguida, Canto Cego subirá ao palco com sua combinação única de rock e poesia; conhecida por sua versão rock do samba “Zé do Caroço”, a banda, com mais de 10 anos de carreira, promete uma experiência musical envolvente. The Lokomotiv completa o line-up do primeiro fim de semana, oferecendo uma fusão de rock e pop, com uma setlist que homenageia ícones como os Beatles e Michael Jackson.
O segundo fim de semana, nos dias 19, 20, 21 e 22 de setembro, trará ao palco a banda Fuze, conhecida por seus hits autorais e pelo remix de “Tão bom”, em parceria com Brunetta, que conta com mais de 900 mil streams no Spotify. Roda de Blues, diretamente de Miguel Pereira, apresentará um repertório que mistura clássicos do rock e do blues, proporcionando uma performance vibrante e autêntica. Por fim, Gui Schwab encantará o público com seu estilo solo, incorporando arranjos de viola caipira, gaita e violão em suas canções que combinam pop e folk.
O Rock in Rio 2024 acontecerá nos dias 13, 14, 15, 19, 20, 21 e 22 de setembro, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro.
O cinema de horror tem sido cada vez mais impulsionado por uma corrida voraz para produzir o próximo “melhor do ano” no gênero, ou o “mais traumatizante desde Hereditário”. Isso cria uma competição cansativa em busca do filme mais intenso, da obra mais impactante e do horror mais elevado. No entanto, ser o “terror do ano” não significa necessariamente ser perfeito, mas sim saber brincar com as expectativas e o imaginário do público. E nisso, Longlegs: Vínculo Mortal se destaca graças a uma campanha de marketing brilhante que o tornou inesquecível.
A estratégia de esconder o rosto do vilão e manter a trama envolta em mistério, aliada à atmosfera sufocante do filme, transformou-o em um dos grandes eventos cinematográficos deste ano.
Contudo, essa estratégia de marketing não é o único fator que comprova a qualidade de Longlegs. O terror do filme é engenhosamente construído em cada detalhe, subvertendo clichês do gênero e transformando familiaridades em algo mais profundo, imersivo e perturbador.
O cineasta Oz Perkins (Maria e João: O Conto das Bruxas), parte da nova geração de diretores com visões ousadas e distorcidas, manipula elementos clássicos do horror, conferindo-lhes uma aura de maldade sem igual. Em sua versão de um thriller de serial killer, Perkins mescla o realismo brutal de uma cena de crime com a surrealidade de um pesadelo vívido, criando um Silêncio dos Inocentes para a era moderna.
Índice
Os acertos e erros de Longlegs
Na sua narrativa, Longlegstransita por diversos subgêneros, buscando criar uma fusão original no contexto de filmes sobre true crime. O filme combina a estética crua de filmagens caseiras com elementos dos mais perturbadores já vistos em histórias sobre assassinos em série.
O que Oz Perkins faz com maestria é construir um horror atmosférico tão denso e imersivo que parece envolver o espectador em uma neblina opressora. Com uma trilha sonora intensa e estranhamente desconcertante, somada a imagens grotescas extraídas diretamente de um pesadelo febril, Longlegs mergulha no imaginário sombrio e satânico, mexendo profundamente com nossa percepção.
No entanto, além dos elementos sobrenaturais e dessa essência maligna que permeia a obra, o filme ganha ainda mais força ao explorar a caçada a um serial killer sob a perspectiva de uma agente do FBI com habilidades especiais. Essa abordagem aproxima o filme de grandes obras do gênero, como Zodíacoe Se7en – Os Sete Crimes Capitais, dando-lhe uma dimensão mais realista e inquietante.
Para atingir esse nível de impacto, o drama em Longlegs é intenso e a narrativa se desenrola de forma lenta e calculada, o que pode não agradar a todos os públicos. A história de Lee Harker, vivida pela talentosíssima Maika Monroe (Corrente do Mal), se desenvolve gradualmente, com uma progressão que vai revelando aos poucos as camadas de mistério.
A trama explora tanto a identidade e o paradeiro do assassino conhecido como Longlegs quanto a enigmática conexão de Harker com ele, que pode ser a chave para solucionar os assassinatos. Embora nem todos os momentos da narrativa sejam igualmente eficazes, o filme guarda surpresas intrigantes para o final, embora algumas revelações, como a presença de Nicolas Cage (O Homem dos Sonhos) como o vilão bizarro, ocorram um pouco cedo demais.
No entanto, Cage, no melhor momento de sua carreira, entrega uma das performances mais singulares, estranhas e inesquecíveis. Ele encarna o mal de forma visceral, trazendo à vida um pesadelo do qual o espectador quer desesperadamente fugir. É uma das atuações mais desafiadoras que já fez e ele brinca em cena como se fosse só mais um dia normal. De fato, é impossível sair do cinema sem ter o rosto deformado de seu personagem gravado na memória.
Oz Perkins é um diretor de forte identidade e competência. Sua paleta de cores nubladas e estética gótica moderna são traduzidas com maestria neste filme, impulsionadas por uma direção de fotografia belíssima, intensa e sufocante. Não há espaço para luz ou esperança, apenas desespero e sombras que preenchem todos os cantos. Esse ambiente cria uma aura maligna que se alinha perfeitamente com o tom de pânico satânico da história.
Mais do que assustador, o filme se destaca quando busca ser chocante e denso, oferecendo uma imersão profunda na mente de alguém que persegue assassinos cruéis. Ao invés de recorrer a sustos baratos ou clichês, o terror aqui é construído de forma meticulosa e palpável, resultado de uma direção extremamente controlada. Embora o ritmo apresente alguns deslizes evidentes, o filme nunca perde de vista seu objetivo final.
Veredito
O sucesso de Longlegsvai muito além de uma campanha de marketing eficaz; ele se deve à autenticidade, singularidade e escuridão que o cinema de terror não tem ousado explorar ultimamente. Não é uma experiência fácil, e apesar dos tropeços no ritmo, o filme constrói um pesadelo inquietante e satânico, com Nicolas Cage em uma atuação lendária. Agora, fica claro como ele continua a assombrar os sonhos das pessoas desde seu papel em O Homem dos Sonhos.
Longlegsé um terror sólido, estiloso, lindamente filmado e profundamente atmosférico. Embora não seja para todos, e certamente não para os fãs do terror mais convencional, o filme desafia o gênero a superar seus limites, a fugir do senso comum, criando uma experiência que, para o bem ou para o mal, será inesquecível. Em sua essência, é uma obra bastante ambiciosa, que se esforça para não desmoronar sob o peso de suas próprias promessas e expectativas.
Novidades! O Festival do Rio chega à sua 26ª edição cheio de novidades. Este ano, a sede do festival ocupará o Armazém da Utopia, no Cais do Porto do Rio de Janeiro, um espaço de cinco mil metros quadrados, que passou recentemente por grande reforma. Com localização próxima a importantes referências culturais e turísticas, tais como o Museu do Amanhã, o AquaRio e o Museu de Arte do Rio, o Armazém da Utopia é atendido por estações do VLT.
Durante 11 dias o espaço receberá centenas de profissionais do audiovisual brasileiro e internacional. São diretores, produtores e executivos de estúdios e plataformas, artistas, criadores, equipe de filmes selecionados, imprensa e influenciadores digitais numa interação rica que gera novos projetos e muitas ideias. Além de receber as pessoas do mercado, a nova sede oferecerá programação especial para o público em geral, mediante inscrição prévia on-line, sempre divulgada no site do festival e em suas redes sociais.
Também na sede funcionarão os serviços de Credenciamento, o Centro de Imprensa, Eventos Sociais e o RioMarket– área de Mercado do Festival.
O RioMarket oferece palestras, seminários, exibições de conteúdos especiais e rodadas de negócios, que tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento da indústria audiovisual. Também como atividade da área, o RioMarket Jovem desenvolve ações vocacionais para jovens com interesse no audiovisual, através de workshops com executivos e profissionais consagrados.
O Festival tem também o tradicional Apoio Especial da Prefeitura do Rio de Janeiro – por meio da RioFilme, órgão que integra a Secretaria Municipal de Cultura.
Após uma trajetória marcada por diversidade e imersão, Karim Aïnouz (Madame Satã / A Vida Invisível / O Céu de Suely) continua a demonstrar que ainda guarda surpresas com sua narrativa envolvente no cinema autoral brasileiro. Ovacionado em Cannes e também no Festival de Gramado, Motel Destino é a essência pura do desejo, condensada em uma obra cinematográfica que dá voz às pessoas invisíveis em um Brasil vasto, repleto de vidas e histórias ainda não contadas.
O drama cearense logo se desdobra em um intenso thriller erótico deliciosamente sensual e sombrio, que mostra como o cinema brasileiro pode ser grandioso, mesmo quando contido nos limites de um modesto motel de estrada, onde sexo, amor e raiva se entrelaçam, brindando com uma cerveja bem gelada.
O filme de Karim curiosamente rompe barreiras ao mesclar o sutil e contemplativo cinema de autor brasileiro com uma crescente demanda de público, aproximando-se do impacto de um blockbuster nacional impulsionado pelo boca a boca. Essa rara conquista merece ser celebrada.
Índice
Os acertos e erros de Motel Destino
Motel Destino parte de um ponto comum no cinema brasileiro: pequenas histórias ocultas em cenários inusitados, permeadas por violências e desejos. Com simplicidade no cenário e um elenco minimalista, o filme se destaca por seu estilo visual absolutamente fantástico, repleto de cores vibrantes e banhado pela luz solar do Nordeste brasileiro.
O calor da região se transforma em uma textura que colore a pele dos personagens e intensifica a narrativa sensorial e envolvente. A imersão é tão profunda que o calor transborda da tela, evocando a nostalgia dos clássicos “filmes de verão”, onde amores passageiros, corpos à mostra e suor carregado de desejo definem a estação.
Com quatro protagonistas, sendo o próprio motel decadente um personagem central que impacta e transforma a vida de todos, o drama segue a trajetória de um jovem problemático que se envolve com a dona de um motel à beira de estrada no interior do Ceará, entrando em um triângulo amoroso com ela e seu marido violento, interpretado por Fábio Assunção (Todas as Flores). Aliás, o elenco exala uma presença marcante na tela e uma química sexual alucinante.
O estreante Iago Xavier surpreende com sua atuação, imerso de tal forma em seu personagem que parece fazer cinema desde a infância. Seu personagem, Heraldo, é um protagonista complexo, com ares de Robert De Niro em Taxi Driver, carregado de traumas e repressões, mesmo em sua juventude. Ao entrar no motel, ele altera a dinâmica do local, tornando-se quase um novo sol ao redor do qual todos passam a orbitar. E Iago entrega uma performance excepcional e promissora, assim como Nataly Rocha (Divino Amor), que interpreta uma mulher igualmente reprimida, desejando liberdade e autonomia em meio a um relacionamento abusivo.
Nataly é uma força da natureza em cena, utilizando um toque inesperado de humor para dar vida a uma personagem comum e sentimental, com quem muitas mulheres brasileiras, aprisionadas em seus próprios “castelos”, facilmente se identificam, ansiando por escapar desse conto de fadas distorcido e assumir o controle de suas vidas.
Fábio Assunção, é claro, não fica para trás. O ator veterano brilha no papel de um homem igualmente complexo, vindo de outro estado e dominado pelo desejo, disposto a atropelar tudo e todos para saciá-lo. Assunção é como uma tela em branco, absorvendo com maestria tudo o que a cena lhe oferece, e Karim sabe explorar bem o charme do galã para revelar também seu lado mais perverso e sombrio. Os três protagonistas estão entrelaçados por uma dinâmica sexual intensa e um desejo comum, seja por sexo ou por uma vida mais digna. Tudo isso permeado pela inevitável influência do destino em suas escolhas.
A estética do filme é uma verdadeira obra de arte. As cores vibrantes, a fotografia intensa e o trabalho primoroso de som e música transformam aquele motel, constantemente cercado por gemidos de sexo, quase como um Zona de Interesse erótico, em um ambiente misterioso, denso e perturbador. As cenas mais íntimas são compostas com uma delicadeza rara, sob o olhar atento de Aïnouz.
Cada momento sexual não é gratuito; ao contrário, ele constrói tanto a profundidade dos personagens quanto a energia sexual que impregna as paredes do lugar. É evidente o prazer do diretor em criar algo visualmente impactante e belo para o cinema. Faz tempo que não se veem cenas de sexo tão bem executadas, estilizadas e intrinsecamente conectadas à narrativa. Com exceção de alguns diálogos expositivos demais, especialmente do prólogo após a impactante cena da morte de um dos personagens, tudo funciona com vigor.
Veredito
Motel Destino constrói com maestria um suspense noir erótico, febril e absolutamente sedutor, que envolve e imerge o espectador em uma narrativa carregada de sensualidade. O filme explora os corpos e as cores vibrantes do Nordeste brasileiro de maneira tão bela que parece quase inalcançável. A tela se enche de desejo pulsante, tensão sexual e uma boa dose de suor que transparece tanto o talento de seus atores quanto a visão criativa e ousada de Karim Aïnouz.
O filme faz jus ao seu hype; embora seja mais sexual do que o esperado, a construção do seu universo funciona perfeitamente, assim como a personificação do desejo. Vívido, audacioso, delicioso e, acima de tudo, emocionante, ele transpira o mais puro e saboroso cinema brasileiro, passando da tensão acumulada a um clímax estético único. Brilhante!
É impressionante ver uma estreia tão sólida e cinematograficamente refinada como a de Zoë Kravitz na direção de Pisque Duas Vezes (Blink Twice). Em seu primeiro projeto, ela entrega um suspense psicológico magistralmente arquitetado, onde cada detalhe é minuciosamente calculado. Inspirando-se no recente cinema de terror com crítica social, Kravitz cria uma versão feminista de Corra! repleta de sutilezas e conduzida de maneira incrivelmente controlada e bela.
Mesmo nos momentos em que a trama atinge seus pontos mais baixos, o filme permanece envolvente. Além de ser um dos melhores filmes do ano – superando a maioria das produções recentes – ainda oferece uma narrativa divertida, sombria e sádica, repleta de reviravoltas criativas que estimulam a nossa mente.
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Os acertos e erros de Pisque Duas Vezes
Embora parta de uma premissa relativamente simples e comum a muitos filmes do estilo “Whodunnit”, onde desvendar o mistério é mais relevante do que entender as motivações, Pisque Duas Vezes se destaca por construir sua própria identidade. A narrativa é envolvente, cômica e de fácil compreensão.
Isso não o torna superficial ou despretensioso; ao contrário, é justamente na simplicidade que Kravitz encontra o terreno fértil para desenvolver um horror magistral. Ela consegue isso ao reunir personagens que, apesar de suas diferenças, compartilham um objetivo comum: ascender socialmente, em busca de fama, poder e, como diz a protagonista, deixar de ser invisível.
Com uma ilha paradisíaca e uma mansão imponente como verdadeiros personagens dessa trama repleta de surpresas e reviravoltas inesperadas, a história acompanha uma jovem de vida modesta que sonha em ser notada pelo problemático bilionário para quem trabalha. Quando finalmente consegue, ela é convidada a passar uma temporada em sua isolada e distante residência, onde férias aparentemente luxuosas se transformam em uma sucessão de festas regadas a champanhe e alucinações bizarras.
Naomi Ackie (I Wanna Dance with Somebody) e Channing Tatum (Como Vender a Lua) estão absolutamente brilhantes em seus papéis. Ackie entrega uma atuação extraordinária, transmitindo verdade em cada olhar, enquanto Tatum demonstra toda sua versatilidade ao interpretar um homem complexo, enigmático e irresistivelmente sedutor. Adria Arjona (Assassino Por Acaso) é outro nome que se destaca e surpreende.
É nessa atmosfera caótica de alucinações, visões e enigmas que os mistérios ganham vida sob o olhar criativo de Kravitz, que brinca com nossa percepção da realidade ao explorar planos detalhados, sons e cores vibrantes. A edição do filme e o desenho de som são verdadeiras obras de arte, contribuindo para uma ambientação sedutora e estranhamente cativante, com um senso de humor afiado que frequentemente nos leva a rir de puro nervosismo.
Embora a mensagem central do filme não seja exatamente nova e, em alguns momentos, toque no estilo repetitivo do “revenge porn” típico do cinema de terror, a narrativa de Kravitz é tão magnética e entusiasmante que faz com que o filme pareça uma obra definitiva dentro desse subgênero problemático. Há também uma tempestade de simbolismos e metáforas visuais, com cada quadro cuidadosamente estruturado. Pode até ser necessário assisti-lo mais de uma vez para captar todas essas nuances brilhantes.
Felizmente, tudo se encaixa perfeitamente, culminando em uma história bem amarrada e um roteiro cuidadosamente concebido para transmitir uma crítica social poderosa dentro de uma narrativa de terror tradicional, que bebe da fonte inesgotável de audacidade de nomes como Jordan Peele, porém, com um olhar feminino corajoso e atrevido como deve ser no cinema moderno.
Veredito
É impressionante o controle narrativo e a visão cinematográfica que Zoë Kravitz demonstra já em sua estreia na direção. Pisque Duas Vezes é sedutor, sombrio, ácido e deliciosamente divertido do início ao fim. Uma estreia sólida que nos deixa ansiosos por seus próximos projetos. Visualmente deslumbrante, o filme conta com uma edição impecável e uma trilha sonora inquietante.
Embora a trama não seja totalmente original, o roteiro inteligente traça um caminho único dentro do horror psicológico, envolvendo e provocando o espectador a cada cena. Se fosse você, não piscaria nem por um segundo para não perder essa conquista cinematográfica do ano.
O faroeste Oeste Outra Vez, de Erico Rassi, venceu o Festival de Gramado deste ano.
Oeste Outra Vez venceu os prêmios de Melhor Filme, de Melhor Fotografia e de Melhor Ator Coadjuvante, este último dedicado a Rodger Rogério. Em número, o campeão da noite foi Estômago 2, que acabou a cerimônia com quatro Kikitos. A continuação levou os prêmios de ator —para Nicola Siri e João Miguel—, roteiro, trilha sonora e direção de arte, além de ser escolhido o melhor filme da competição pelo júri popular.
O longa apresenta a narrativa de um faroeste brasileiro ambientado em um lugar isolado no sertão de Goiás, no Brasil, onde homens rudes, incapazes de lidar com suas próprias fragilidades, são constantemente abandonados pelas mulheres que amam. Tristes e amargurados, eles se voltam violentamente uns contra os outros.
O filme ainda não possui data de estreia definida.
O Clube das Mulheres de Negócios, o novo longa-metragem de Anna Muylaert, abriu a 52ª edição do conceituado Festival de Gramado e saiu como vencedor do Prêmio Especial do Júri. O festival, que aconteceu na Serra Gaúcha entre 09 e 17 de agosto, é um dos festivais de cinema mais importantes do Brasil e é realizado anualmente desde 1973, trazendo relevantes obras de curta e longa metragem do cinema nacional.
Nesta edição do festival, elenco e equipe estiveram presentes e foram premiados com o prêmio especial do júri pelo elenco.
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Sobre O Clube das Mulheres de Negócios
Com tom de sátira e muito bom humor, mas sem deixar de lado as críticas sociais, O CLUBE DAS MULHERES DE NEGÓCIOS traz situações absurdas que fazem o espectador se questionar sobre as estruturas de poder vigentes, problematizando o machismo e classismo enraizados na nossa sociedade. Anna Muylaert, que já fez o público rir e chorar com “Que Horas ela Volta?” e “Mãe Só Há Uma”, agora traz diversão, reflexão e catarse para os espectadores em uma obra que dialoga diretamente com o momento cultural vivido no Brasil e no mundo.
O longa conta com um grande elenco composto por nomes conhecidos do teatro, cinema e televisão brasileiros, sobretudo no universo da comédia. Entre eles estão os protagonistas, Luís Miranda dando vida ao renomado “fotógrafo homem” Jongo e Rafael Vitti como seuinexperiente e ingênuo colega, Candinho.
Eles serão as presas das mulheres de negócios: Cristina Pereira interpretando Cesárea, presidente do Clube e Louise Cardoso como sua fiel escudeira, Brasília. Irene Ravache interpreta a quatrocentona Norma com seu marido submisso André Abujamra, 20 anos mais novo. Também fazem parte do Clube Katiuscia Canoro vivendo Zarife, uma mulher destemperada que quer ser presidente do Brasil e suas obedientes sobrinhas Maria Bopp e Verônica Debom.
Grace Gianoukas dá vida à vaqueira predadora Yolanda, que traz a tiracolo seu marido troféu, Jadeson, Tales Ordjaki – 40 anos mais jovem. Shirley Cruz interpreta a milionária líder evangélica Bispa Patrícia, Polly Marinho é a cantora de funk hypada Kika e Helena Albergaria faz a misteriosa advogada Fay Smith. Aos 80 anos de idade, Ítala Nandi volta às telas como a conquistadora Donatella.
Com distribuição da Vitrine Filmes, a estreia nos cinemas de todo o Brasil está prevista para novembro deste ano.
SUCESSO! Estômago 2 – O Poderoso Chef se consagrou como o filme mais premiado da 52ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Na tradicional premiação de encerramento do evento, o longa de Marcos Jorge levou cinco Kikitos: Melhor Ator (dividido entre Nicola Siri, que vive Dom Caroglio, e João Miguel, na pele de Raimundo Nonato), Melhor Roteiro (Bernardo Rennó, Lusa Silvestre e Marcos Jorge), Melhor Direção de Arte (Fabíola Bonofiglio e Massimo Santomarco), Melhor Trilha Sonora (Giovanni Venosta) e Melhor Filme eleito pelo júri popular.
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Sobre Estômago 2 – O Poderoso Chef
Com inigualável talento para a culinária, Nonato conquistou os poderosos na hierarquia da cadeia em que cumpre sua pena. Ele cozinha para o diretor, para o líder dos presidiários – Etecétera (Paulo Miklos) -, e para os carcereiros, com requintes de alta gastronomia. Mas a chegada de um famoso mafioso italiano (Nicola Siri) vai abalar as estruturas e colocará o chef no epicentro de uma feroz disputa de poder.
“‘Estômago’ é um filme que encontrou muitos públicos ao longo dos anos e até hoje me proporciona um contato carinhoso com espectadores que descobrem ou redescobrem esta obra. Por conta disso, e por entender que um personagem tão querido ainda tinha muito para viver e contar, resolvi escrever esta nova história e desenvolver ainda mais a mistura de comida e poder que estrutura o primeiro filme”, conta o diretor e corroteirista Marcos Jorge, que também assina longas como “Mundo Cão” e a comédia “Abestalhados 2”. O roteiro conta com a coautoria de Lusa Silvestre e Bernardo Rennó.
“Estômago 2” é uma coprodução Brasil-Itália, rodada nos dois países, e falada nos dois idiomas. “O longa dialoga bem com as duas culturas. Comida e poder são temas que nos aproximam. Foi um desafio em termos de produção realizá-lo, tivemos duas equipes técnicas diferentes em cada país, um elenco composto por atores brasileiros e italianos, e estamos muito felizes com o resultado”, conta a produtora Claudia da Natividade, da Zencrane Filmes.
O filme foi produzido pela Zencrane Filmes, em coprodução com a Warner Bros. Discovery, Telecine, a italiana Alexandra Cinematográfica e contou com o patrocínio da Petrobras. A distribuição será da Paris Filmes e Warner Bros. Discovery.
Às vezes, espera-se muito de um cineasta que sempre entregou o suficiente. É difícil aceitar que nem todas as grandes ideias de alguém tão genial possam se concretizar, especialmente quando falamos de Yorgos Lanthimos, cujo cinema autoral é tão marcante e singular. No entanto, ao contrário da viagem estética fantástica de Pobres Criaturas, seu novo filme é mais “pé no chão”, simples e muito menos envolvente, em todos os sentidos — apesar de manter a habitual estranheza que caracteriza sua obra.Tipos de Gentileza (Kinds of Kindness) é uma produção brilhantemente elaborada, dividida em três fábulas peculiares sobre amor e obsessão, mas que funcionam muito melhor de forma isolada do que interligadas por um tema comum.
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Os acertos e erros de Tipos de Gentileza
Ao afastar-se de seu cinema sofisticado mais recente e mergulhar profundamente na psique humana em histórias menos estéticas e mais cruas, Lanthimos revisita o desespero presente em suas primeiras obras, como em Dente Canino (2009) e até o ótimo e incompreendido O Sacrifício do Cervo Sagrado (2017). Isso revela que, mesmo com o reconhecimento que recebe hoje, seu olhar permanece tão íntimo ao bizarro quanto antes.
Seus filmes são exemplos de entretenimento baseado no choque, mas nem sempre ele acerta na dosagem. Em Tipos de Gentileza, Lanthimos exagera na ideia central e entrega menos do que poderia, com as três histórias oferecendo muito pouco e, na maior parte do tempo, sendo confusas demais para que o público as absorva.
Claro, cada conto traz um texto deliciosamente sombrio e ácido, mas sem a perversidade necessária para transcender o habitual. Apesar de ser uma produção curiosa, vinda de um grande estúdio e estrelada por uma atriz vencedora do Oscar, o filme parece menor e mais contido, como se fossem apenas rascunhos de três histórias que poderiam ter sido desenvolvidas de forma mais rica em outro momento.
Em alguns momentos, soa como uma reunião de amigos que decidiu gravar um filme informalmente, sem grandes expectativas, algo que mais parece um primeiro corte do que um produto final destinado aos estúdios. Até mesmo a câmera de Yorgos se mostra contida, como se, em certos momentos, ele mesmo estivesse ausente, sem seu olhar estético e aguçado que tanto o caracteriza.
Há pontos em que as tramas das três histórias tornam-se tão maçantes e excessivamente verborrágicas que perdem o rumo, funcionando mais como vitrines para um elenco brilhante e experiente declamar monólogos tediosos, talvez em busca de uma chance no próximo Oscar.
Embora seja, em essência, uma comédia temperada com doses leves de horror (com uma trilha constante e assustadora de coral) para chocar, o filme diverte pela sua estranheza — característica marcante do cinema do diretor — mas o humor é tão morno, superficial e previsível que acaba não sendo tão divertido quanto se espera.
Entre as três histórias, a segunda talvez seja a mais divertida em termos de premissa, enquanto a última se destaca pela sua bizarrice e elaboração. Em todas elas, Jesse Plemons é a verdadeira espinha dorsal, com uma atuação que impressiona, como era de se esperar de um ator que nunca decepciona.
Seja interpretando um homem extremamente devoto ao seu chefe ou um marido convencido de que sua esposa foi substituída por uma doppelgänger, Plemons domina completamente as cenas, chegando a ofuscar a presença da já imponente Emma Stone. Presente nas três histórias, Stone desempenha papéis menores e mais contidos, destacando-se apenas na última, onde interpreta uma seguidora devota de uma seita que busca trazer os mortos de volta à vida.
Entre os muitos temas abordados nas entrelinhas, Lanthimos busca, essencialmente, explorar o amor e a submissão. A “gentileza” do título é, na verdade, uma alegoria para ilustrar até que ponto alguém é capaz de ir por amor ao outro. A metáfora aqui é bastante direta — trata-se de uma narrativa sobre como as pessoas são transformadas por circunstâncias difíceis e como essas mudanças abalam seus relacionamentos. No entanto, as reviravoltas são completamente inesperadas, surpreendendo justamente por serem visceralmente perturbadoras.
Veredito
Embora Tipos de Gentileza nos convide a mergulhar nesse universo desconfortável e cru do cinema mais minimalista de Yorgos Lanthimos — marcado pela estranheza, pelo humor sutil e pela subversão do amor — o filme está longe de ser tão memorável quanto suas melhores obras. Apesar de revisitar a estética fria e simples de seus primeiros trabalhos, ele se concentra em personagens desagradáveis e sentimentos conflitantes.
A trama gira em torno da submissão em nome do amor, explorando até onde alguém pode ir e o que seria capaz de fazer, mas são três histórias antológicas excessivamente verborrágicas, longas e cansativas, com poucas reviravoltas e muito menos choque do que se espera de um filme de Lanthimos.
Embora o elenco esteja assustadoramente afiado, como de costume, o projeto como um todo sofre com a falta de direção clara. Não é um filme comercial ou comum — o que, por si só, é positivo para o cinema autoral — mas acaba sendo fraco até mesmo para aqueles que costumam vibrar com o estilo peculiar e estranho de um dos grandes cineastas contemporâneos.
Armadilha, novo thriller de suspense de M. Night Shyamalan que estreou há uma semana nos cinemas, já arrecadou mais de R$3 milhões em bilheteria no Brasil. A trama tem como cenário o show da cantora pop Lady Raven, vivida por Saleka, filha do diretor, que leva Cooper (Josh Hartnett) e sua filha a um estádio onde é montado um plano para capturar um serial killer.
Abaixo, confira curiosidades sobre o processo de produção e filmagem do longa:
O nome ‘Lady Raven’ foi escolhido por Saleka
Entre as tentativas de nomear a cantora, a atriz conta que esse foi seu nome preferido. “Corvo (raven, em inglês) é um símbolo, em nossa família, de algo sombrio, mas belo, e, também, forte e majestoso”, conta. Além disso, quando entendeu mais sobre a personagem, teve certeza da escolha. “Ela é uma artista que quer ensinar ao seu público e às garotas para acreditar em quem você é e não ter medo”, diz Saleka.
As músicas do show acompanham a história
Além de o concerto ser fundamental em grande parte da trama, as músicas cantadas por Saleka e suas coreografias seguem uma sequência proposital, transmitindo as emoções que a história está passando naquele momento. “A trilha sonora marca o filme inteiro, baseada nas experiências pessoais e de relacionamentos de Lady Raven ou em seus traumas, mas também aumenta a intensidade dos protagonistas, de seus sentimentos e experiências”, divide a coreógrafa Cora Kozaris.
Falha na internet levou Shyamalan a se comunicar por mímica
A primeira reunião da jovem atriz Ariel Donoghue com seu provável diretor para conversar sobre a possibilidade de interpretar Riley começou sem palavras. Uma dificuldade técnica deixou a chamada de vídeo sem áudio, então, nos primeiros minutos, M. Night Shyamalan e Ariel recorreram à mímica para tentar se comunicar.
Armadilha está em cartaz nos cinemas de todo o país, também em versões acessíveis. Para mais informações, consulte o cinema de sua cidade.
A Warner Bros Pictures apresenta “Armadilha“, uma nova experiência no mundo de M. Night Shayamalan com performances da estrela da música em ascensão Saleka Shyamalan.
Em “Armadilha”, um pai e sua filha adolescente assistem a um badalado show de música pop, quando percebem que estão no epicentro de um evento sombrio e sinistro.
Escrito e dirigido por M. Night Shyamalan, “Armadilha” é estrelado por Josh Hartnett, Ariel Donoghue, Saleka Shyamalan, Hayley Mills e Allison Pill. O filme é produzido por Ashwin Rajan, Marc Bienstock e M. Night Shyamalan, com produção executiva de Steven Schneider.
A equipe de produção criativa do cineasta inclui o diretor de fotografia Sayombhu Mukdeeprom (“Me Chame Pelo Seu Nome”); a designer de produção Debbie de Villa (“O Jogo do Amor – Ódio”); a editora Noëmi Preiswerk; a figurinista Caroline Duncan (“Tempo”); a supervisora musical Susan Jacobs (“Tempo”); e o diretor de elenco Douglas Aibel (“Asteroid City”). A trilha sonora foi composta por Herdĭs Stefănsdŏttir (“Batem à Porta”).
A Warner Bros Pictures apresenta uma produção da Blinding Edge Pictures, um filme de M. Night Shyamalan, “Armadilha”. O filme está em cartaz nos cinemas brasileiros.