Crítica | Moana (2026) é só mais um live-action irrelevante e desnecessário da Disney

Não é de hoje que a Disney aposta em adaptações live-action de suas animações. Se voltarmos no tempo, a primeira empreitada foi com “O Livro da Selva”, de 1994, que surgiu como uma versão realista de Mogli, o Menino Lobo (1997). Alguns anos mais tarde, 101 Dálmatas ganhou dois filmes “com atores de verdade”, lançados em 1999 e 2000.

Apesar das produções não terem sido mal recebidas pelo público nos anos 90, o estúdio resolveu dar um tempo. Entre uma adaptação e outra que chegava às telonas, a verdadeira onda de live-actions só seria iniciada, de fato, com Malévola (2014). Desde então, ano após ano, foram diversos os clássicos adaptados que fizeram rios de dinheiro em bilheteria — mas que não conseguiram agradar à crítica especializada.

Como parte dessa nova estratégia, chega aos cinemas o remake de Moana (menos de 10 anos após o lançamento da animação original). O longa, estrelado por Catherine Laga’aia (Moana) e Dwayne Johnson (Maui), conta a história de uma jovem que sonha em navegar pelo oceano, mas que é impedida pelas leis de sua tribo. No entanto, quando um perigo ancestral surge, ela se vê como a única capaz de salvar o povo que ama — mesmo que, para isso, precise quebrar algumas regras.

(L-R) Catherine Laga’aia as Moana and Pua in Disney’s live-action MOANA. Photo courtesy of Disney. © 2026 Disney Enterprises, Inc. All Rights Reserved.

Os acertos e erros de Moana

Se você já assistiu ao filme original, com certeza reparou que a sinopse do remake em nada difere da animação de 2016. E a repetição não para por aí. O live-action não faz o mínimo de esforço para tentar se diferenciar do original. Nada de novo é acrescentado à história de Moana. As cenas são replicadas, assim como as falas e até mesmo os gestos dos personagens.

Como se já não fosse o suficiente, Moana repete os mesmos erros que a maioria dos remakes feitos pelo estúdio. O longa emociona, surpreende e desacelera nos mesmos trechos. O filme não sabe aproveitar o formato para explorar novas facetas de seu universo e personagens. Assim como as adaptações anteriores, ele cai na zona da irrelevância.

Os personagens perdem o carisma, assim como os números musicais pouco inspirados. É como ouvir sua canção favorita, mas imagine-a cantada por alguém que definitivamente não nasceu para o mundo da música. Mesma letra, mesma melodia, mas o resultado ainda assim consegue ser completamente diferente — no caso, para pior.

Dwayne Johnson as Maui in Disney’s live-action MOANA. Photo courtesy of Disney. © 2026 Disney Enterprises, Inc. All Rights Reserved.

As péssimas atuações e o design de produção preguiçoso acrescentam camadas de precariedade que fazem com que seja impossível não comparar o filme de 2026 com o original. A protagonista não consegue transmitir o espírito teimoso e audaz da sua versão animada. Já The Rock, que dublou Maui no desenho, entrega um trabalho engessado, digno de sátira, que em nada é favorecido pela peruca estranha e roupas desproporcionais.

Como alguém que já assistiu a praticamente todos os clássicos animados e seus respectivos live-actions, posso dizer que o longa é um terror para a crítica especializada. Ele integra um sistema repetitivo, de longas que cometem os mesmos erros e mesmos acertos (se é que acertam). As frustrações a serem comentadas, portanto, passam a se tornar tão desnecessárias quanto os próprios remakes, atestando o quão irrelevantes estes filmes são do ponto de vista artístico.

Moana faz parte de uma árvore curiosa cultivada há anos pela Disney: uma que dá inúmeros frutos insossos, muitos até podres, mas que inexplicavelmente são tragados aos montes pela clientela. Enquanto esta árvore não for cortada, teremos mais remakes medíocres sendo empurrados pelas nossas goelas e cada vez menos obras originais, recheadas de criatividade e que realmente possam ser apreciadas como cinema.

Nota: 4/10

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