A cada adaptação de HQ ou desenho animado lançada nas telonas, um aspecto sobre o atual cinema norte-americano se torna mais nítido: os tradicionais besteiróis dos anos 1990 e 2000 sobrevivem, hoje, disfarçados de filmes de super-heróis – ou, no caso de Mestres do Universo, nos “filmes de boneco”.
A culpa é do MCU. Ao abraçar a galhofa e abrir mão do senso de ridículo, o Universo Cinematográfico da Marvel criou uma cortina de fumaça para a qualidade dos seus filmes. O “tosco” e o “ruim” são usualmente interpretados como “ousado” e “incompreendido”. Isso se espalhou por Hollywood, especialmente pelos filmes do gênero de super-heróis.
Não poderia ser diferente com Mestres do Universo. Afinal, como levar um brutamontes desprovido de inteligência às salas de cinema sem se entregar ao besteirol completo?
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Os acertos e erros de Mestres do Universo

He-Man não é uma figura séria, tampouco inteligente. A profundidade do personagem é diretamente proporcional à quantidade de peças de roupa que o personagem usa em sua forma de guerreiro. Assim, fica fácil para Mestres do Universo se autoproclamar uma comédia antes de ser qualquer outra coisa. O filme não quer emocionar o espectador ou entregar desenvolvimento de personagens, mas sim fazer seu público dar risada.
A nostalgia aqui entra como uma arma secreta para “disfarçar” essa característica cômica do longa. Pessoas que cresceram assistindo ao desenho animado, ou até mesmo brincaram com os bonecos da linha criada pela Mattel, poderiam se sentir ofendidas com o tom quase satírico adotado pela produção. No entanto, isso acaba sendo mascarado por frases icônicas da animação, figurinos extremamente fiéis, participações especiais e uma trilha sonora que empolga até mesmo nas cenas de ação menos inspiradas.
Essa energia é contagiante e acaba sendo difícil dizer que Mestres do Universo não consegue ser divertido, ainda que tosco. Acredito, porém, que assistir ao longa em uma sala de cinema lotada e sozinho no sofá de casa sejam experiências completamente distintas. Afinal, como qualquer bom besteirol, o filme é engrandecido pelas reações espontâneas e distintas ao absurdo que está sendo apresentado. Enquanto alguns choram de rir, outros sentem apenas um constrangimento profundo. Dessa forma, ainda que ruim, a produção consegue criar algum tipo de memória afetiva em quem está assistindo, saindo da zona do “esquecível” para, no mínimo, “agradável”.

Mestres do Universo não é um desastre completo, mas também não deveria ser enaltecido por sua fidelidade ou pela coragem de ser ridículo. Assim como a maioria dos besteiróis, o longa tem pouquíssimo a dizer, sem entregar algo que seja realmente novo ou digno de salvar o filme do esquecimento. No fim, é só mais um filme de super-herói – ou boneco, chame como preferir – que surge junto com uma leva que sabe como arrancar risadas do público no momento certo.
Nota: 6/10
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