A 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto foi oficialmente aberta na noite de quinta-feira (25), na Praça Tiradentes, no Centro Histórico de Ouro Preto (MG). Com grande presença de público, a cerimônia reuniu apresentações artísticas, projeções audiovisuais, homenagens e a exibição de dois dos primeiros filmes da cineasta Helena Solberg, destacando o tema da edição: “Um País Existe nas Imagens que Preserva”.
Inspirada pela proposta curatorial deste ano, a abertura articulou música, artes cênicas e projeções para refletir sobre os três eixos centrais da mostra — Preservação, História e Educação. A apresentação destacou o papel do cinema como instrumento de construção da memória coletiva e de valorização do patrimônio audiovisual brasileiro.
Durante a cerimônia, a coordenadora-geral da CineOP, Raquel Hallak, ressaltou a importância da preservação audiovisual para a identidade cultural do país. Em seu discurso, afirmou que o desaparecimento de uma imagem representa também a perda de parte da memória nacional e reforçou que preservar arquivos é uma forma de garantir acesso, circulação, formação de público e fortalecimento do audiovisual brasileiro.
Ao apresentar os temas desta edição, Hallak defendeu que preservar é um gesto político e que lembrar constitui um ato de resistência, destacando ainda que a preservação não encerra um processo, mas abre novas possibilidades para o futuro das obras e da produção audiovisual.
A cerimônia também prestou homenagem à trajetória das mulheres no cinema brasileiro, lembrando realizadoras de diferentes gerações, desde o período do cinema silencioso até a produção contemporânea. Entre os nomes citados estiveram Cleo de Verberena, Carmen Santos, Gilda de Abreu, Suzana Amaral, Tata Amaral, Anna Muylaert e Sueli Maxakali.
A principal homenageada da noite foi a cineasta Helena Solberg. Ao subir ao palco para receber o tributo, a diretora agradeceu o reconhecimento e relembrou sua relação com Minas Gerais durante as filmagens de Vida de Menina (2003), realizadas em Diamantina. Ela destacou a participação da comunidade local, que mobilizou centenas de figurantes para a produção.
Emocionada, Solberg também comentou a exibição de seus dois primeiros filmes, A Entrevista e Meio-Dia, produzidos na década de 1960. Segundo a cineasta, rever essas obras durante a abertura da CineOP representou um momento de celebração de sua trajetória, iniciada no período da ditadura militar.
Após a homenagem, o público acompanhou a sessão especial com os dois curtas-metragens, considerados marcos do início da carreira de Helena Solberg e referências do cinema documental brasileiro.
A abertura marcou o início da programação da 21ª CineOP, que seguiu até 30 de junho com exibições de filmes, debates, encontros, oficinas e atividades voltadas à preservação, à história e à educação audiovisual.