Crítica | Como Vender a Lua – A lua de mel entre o cinema e o marketing

Como Vender a Lua (Fly Me to the Moon) poderia facilmente cair na categoria das comédias românticas água com açúcar, não fosse pelo abismo de carisma de seus protagonistas, Scarlett Johansson e Channing Tatum, que brilham juntos em cena. Além disso, o filme se destaca ao abraçar de forma leve algumas teorias conspiratórias sobre o pouso na Lua, sem perder o tom divertido.

Com uma pitada de humor afiádo, a narrativa até mesmo brinca com a ideia, aproveitando o fascínio público sobre a Apollo 11 e as teorias de que tudo não passou de um elaborado projeto cinematográfico, supostamente dirigido pelo falecido Stanley Kubrick em 1969. Esta comédia fresca de Hollywood acerta ao não se levar muito a sério, e transforma os absurdos dos conspiracionistas em fonte de entretenimento de qualidade.

Os acertos e erros do filme

É um prazer quando um roteiro simples não subestima nossa inteligência nem agride nossos olhos. Esta comédia romântica se passa durante a agitada corrida espacial, um contexto que não apenas enriquece a produção com um apelo visual marcante, mas também captura a atmosfera rebelde dos anos 60, que se harmoniza com a protagonista, a ousada Kelly Jones (interpretada por Johansson), uma especialista em marketing contratada para revitalizar a imagem pública da NASA e transformá-la em um ícone consumista do capitalismo americano.

No entanto, seu objetivo não é bem recebido por Cole Davis (Tatum), diretor de lançamento da Apollo 11, que se opõe veementemente. As centelhas entre eles, contudo, incendeiam uma dinâmica irresistível de amor e conflito. Surpreendentemente não óbvia, essa interação revela camadas profundas e ideologias divergentes, evocando um cenário quase reminiscente de Orgulho e Preconceito na era espacial. Não é uma “guerra dos sexos”, mas sim, uma luta sobre valores divergentes.

Com sua comédia afiada, romance bem construído e personagens cativantes, o filme peca apenas por não saber quando encerrar. A duração estendida além do necessário transforma o animado em tedioso e redundante. Greg Berlanti, diretor de Com Amor, Simon, captura a energia de um grande estúdio e domina o orçamento com maestria, seja na caracterização dos personagens ou na criação deste mundo nostálgico de uma época distante.

Além das questões feministas, o roteiro também aborda o sexismo da época, destacando que reunir dez homens numa sala não garante a criatividade e o empenho de vendas de Jones. E que personagem divertida e jovial Scarlett Johansson entrega, cujo brilho eclipsa todos ao seu redor, muito mais eficaz do que seu papel frio na Marvel Studios.

Como o título nacional sugere, o filme explora as dinâmicas de marketing em Hollywood e no governo, que vendem uma ideologia ilusória mais atraente do que a realidade vazia subjacente. O objetivo é produzir um filme de alta qualidade (para a época) sobre o pouso da Apollo 11 na lua, um plano B, independentemente do desfecho da missão — afinal, há muito dinheiro, marcas famosas e políticos envolvidos para permitir qualquer fracasso. E se há alguém que sabe vender um sonho, são os EUA.

É claro que o filme é uma ficção baseada em fatos reais, e muito dessa narrativa pode ter sido inventado ou nunca confirmado. A beleza do roteiro reside na imaginação de uma realidade plausível. A comédia é impulsionada por reviravoltas e revelações que chegam até tarde na trama, mas ainda assim são cativantes. Contudo, o verdadeiro charme do filme reside mesmo é na dinâmica entre sua dupla principal de astros e seus conflitos — sem eles, pouco teria funcionado tão brilhantemente bem.

Veredito

Como Vender A Lua é uma comédia romântica com um toque especial, inspirada e que transcende o convencional do gênero, graças ao carisma irresistível de seus protagonistas. Embora o roteiro simples não nos leve à lua e de volta, proporciona uma viagem deliciosamente divertida, repleta de teorias conspiratórias e uma fusão perfeita entre cinema e marketing. Scarlett Johansson e Channing Tatum têm uma química tão intensa que parece mágica. Uma deliciosa nostalgia tanto para os românticos quanto para os estudiosos de publicidade.

Nota: 8/10

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