Crítica | O Protetor 3: Capítulo Final – Um adeus manco para o maior enxerido do cinema

Quando um filme leva a alcunha “Capítulo Final” no título, espera-se que, além de um desfecho convincente, ele também seja um épico final para a saga. Em O Protetor 3: Capítulo Final (The Equalizer 3), Robert McCall, o vigilante implacável, nos dá sua suposta última volta no carrossel da justiça. No entanto, o adeus parece não apenas apressado, mas também um tanto enfraquecido, apesar de um aumento significativo nas cenas de ação e violência.

E mesmo com Denzel Washington – com 68 anos, mas ainda brilhando em seu próprio sol – mostrando vigor e carisma, é difícil não perceber um personagem preso em um loop monótono, especialmente quando a franquia parece ter corrido uma maratona antes mesmo da linha de partida. Mesmo que esteja embalado pelas paisagens da Itália, o filme oscila entre momentos de puro deslumbre e tedioso arrasto.

A trama e o elenco de O Protetor 3

O Protetor 3 é o epílogo de uma franquia que se iniciou em 2014, buscando inspiração na série homônima dos anos 80, estrelada por Edward Woodward. Nesta terceira entrada, Robert McCall, após abandonar sua vida de ‘solucionador de problemas’ para o governo, busca um descanso que parece sempre fora de alcance.

No sul ensolarado da Itália, McCall tenta ajudar aqueles ao seu redor e buscar redenção pelos erros do passado. Entretanto, o chamado da justiça retumba mais uma vez, quando amigos se tornam peões no jogo perigoso da máfia local. Enfrentando adversários temíveis, ele reativa sua especialidade de trazer justiça com suas próprias mãos.

Agora, é impossível ignorar que Denzel Washington, mesmo às portas dos 70, carrega uma estrela que poucos possuem. Sua atuação é uma elegia ao vigor de outros tempos, mas o brilho inegável de um talento que permanece intacto. Antoine Fuqua, já conhecido por sua colaboração com Denzel em Dia de Treinamento, abraça este conceito, trazendo à tona um herói da terceira idade que, mesmo sem a força de antes, carrega uma presença inabalável.

Contudo, por mais que Fuqua tente, a execução da trama muitas vezes tropeça em si mesma. A ação, que deveria ser o prato principal, é servida fria, prejudicada por um ritmo desigual e uma construção de tensão que mais ferve do que queima.

E onde o filme tinha potencial para brilhar, em seu elenco, ele também peca. A reunião de Dakota Fanning (Guerra dos Mundos) com Washington, quase duas décadas após sua primeira colaboração nas telonas, poderia ser a cereja do bolo. Porém, a promessa dessa química é desperdiçada, tornando a presença de Fanning mais ornamental do que substancial. Seu papel acaba sendo ofuscado, restando apenas a beleza, sem muito a acrescentar na trama que já se mostrava desequilibrada.

Veredito

Por fim, a interação entre Washington e Fanning ressoa com autenticidade e uma profunda conexão – um aceno nostálgico a Chamas da Vingança, que fez os dois brilharem duas décadas atrás. Entretanto, apesar de momentos memoráveis como esse, o filme luta para manter seu ritmo, e em vários momentos, sentimos que está à deriva em suas próprias águas, tentando encontrar seu norte em meio à paisagem siciliana. Seus antagonistas, a máfia local, prometem uma ameaça brutal, mas a narrativa não capitaliza totalmente esse potencial.

O Protetor: Capítulo Final, por mais irônico que pareça, não oferece a conclusão que os fãs ansiavam. Ele exala beleza cinematográfica e ação palpável, mas, no final, o público fica com um gosto agridoce de um “até breve” em vez de um “adeus”. Se é mesmo o fim da linha para McCall, esperávamos uma despedida mais retumbante. No entanto, por agora, ele permanece como o vigilantismo resoluto e elegante de Denzel Washington, sempre pronto para defender a justiça, mas talvez um pouco cansado de sua própria jornada.

NOTA: 5/10

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