Crítica | Oppenheimer – O melhor filme de Nolan e o melhor do ano até aqui

Um dos maiores gênios do Século XX e de todos os tempos, criador de uma nova fase da tecnologia humana, o homem responsável por desenvolver uma arma que aterroriza o mundo de 1945 até os dias de hoje. Oppenheimer é uma figura controversa em absolutamente todos os aspectos de sua vida e foi pensando em toda essa complexidade que o diretor Christopher Nolan decidiu contar a vida do físico em um longa metragem. Apesar disso, Oppenheimer se destaca como o melhor filme do ano até aqui justamente pela simplicidade de sua execução.

Quando o mundo ainda engatinhava no conhecimento sobre física quântica, Robert Oppenheimer decidiu que se tornaria um dos maiores especialistas no assunto. As teorias paradoxais pareciam não ter fim até o momento em que tudo que o físico estudava na teoria teve que ser levado à prática por conta da Segunda Guerra Mundial. Disposto a evitar que os nazistas conseguissem uma bomba atômica, o Governo dos Estados Unidos entrega nas mãos de Oppenheimer a chefia do Projeto Manhattan, a reunião dos maiores especialistas em ciências do mundo para conseguir criar a tal almejada bomba.

A vida de Oppenheimer é um livro aberto, mesmo que a contragosto do próprio, e também é recheada de altos e baixos em todos os campos possíveis. Apesar disso, a maneira como o diretor Christopher Nolan decidiu contar essa história é extremamente simples, e isso é um dos maiores trunfos do filme. Compreendendo do início dos estudos em física quântica até o final de sua vida, Nolan não opta pela linearidade, mas em um vai-e-vem de diferentes pontos no tempo que não ficam confusos e também ajudam a criar uma curva dramática que não deixa o longa de mais de 3 horas de duração parecer cansativo ao espectador.

O segundo fator mais impressionante de Oppenheimer, e que pode até mesmo estar empatado em primeiro com a narrativa, é o uso do som. Não se enganem achando que vou sugerir que você precisa assistir o filme em IMAX, ignorando o fato de que a tecnologia é inacessível à boa parte do público brasileiro, seja por não estar presente nem em 10% das cidades brasileiras ou pelo seu alto custo nas cidades em que existe. Com o atual cenário de filmes de ação, o público tem se acostumado ao barulho constante e, quase sempre, sem sentido algum. O uso do silêncio neste filme é um dos melhores dos últimos 10 ou até mesmo 15 anos. Todo barulho tem um peso e o silêncio também. Nolan consegue, com grande sutileza, mostrar que não existem bombas que explodem mais alto do que a batida de um coração aflito e que não existem átomos mais agitados do que uma mente conturbada.

É claro que toda essa condução passa por outro ponto alto do filme: As atuações. Com um elenco recheado de nomes conhecidos, Oppenheimer consegue a façanha de não ter nenhum deslize de atuação. Toda a apatia, raiva, felicidade, ansiedade e alívio são palpáveis e críveis para os olhos da audiência. Cillian Murphy entrega a atuação de uma vida e, ao lado de Emily Blunt e Robert Downey Jr., deve figurar entre os favoritos a todos os prêmios de atuação do ano.

Mas, mesmo com todos seus muitos pontos positivos, Oppenheimer não é um filme perfeito. Seus deslizes são poucos, mas chamam a atenção.

Mesmo com toda sua sutileza, Nolan derrapa na personagem de Jean Tatlock, interpretada por Florence Pugh. A escolha de Pugh já tinha sido alvo de polêmicas pela diferença de idade da atriz para Murphy e as interações entre Oppenheimer e Jean no filme não ajudaram muito. A personagem acaba se tornando a responsável por pontuar o lado mulherengo do físico e isso desencadeia uma das sequências mais gratuitas e exageradas do filme, apenas para ter um desfecho clichê e quase sem peso.

O segundo ponto negativo deve passar despercebido por boa parte da crítica internacional, mas é preciso pontuar como o filme deixa numa grande área cinza o fato que, a grande invenção de Oppenheimer foi responsável por um dos maiores crimes de guerra da história da humanidade. A opção por acompanhar a vida de Robert mostra como os Estados Unidos cria heróis e vilões ao seu bel prazer e de acordo com sua necessidade. Mas, ao olhos de alguém que não é estadunidense ou parte de um país aliado aos norte americanos, a crítica soa quase como um pequeno tapinha nas costas do físico e colocando o Governo dos EUA como o grande e único culpado dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.

Mas, ao escolher contar uma história extremamente complicada de maneira simples e sem querer inventar a roda, Christopher Nolan entrega seu melhor filme da carreira até aqui e facilmente um dos melhores filmes do ano. Com atuações primorosas e qualidades técnicas irretocáveis, não se admire que o filme leve tudo na próxima premiação da academia.

Nota: 9/10

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