Crítica | The Umbrella Academy – Estranheza, charme e déjà-vu marcam a 3ª temporada

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Após quase dois anos de hiato, uma das produções mais singulares da Netflix está de volta e ainda mais estranha do que nunca. Na terceira temporada de The Umbrella Academybaseada nas HQ’s escritas por Gerard Way e ilustradas por Gabriel Bá – os irmãos Hargreeves devem se unir para salvar o mundo da destruição (mais uma vez!). Mas isso não é necessariamente ruim, mesmo que haja uma constante sensação de que já vimos essa trama antes e de que a série parece andar em círculos em torno de si mesma, temendo perder sua real energia caótica.

Ao mesmo tempo, o showrunner Steve Blackman apresenta novos enredos, novos personagens e novas configurações para complicar ainda mais os desafios dos heróis. Alguns são retirados diretamente dos quadrinhos, alguns vagamente inspirados por eles e outros apenas por diversão mesmo, uma vez que o senso de humor está afiadíssimo. Sem dúvida, é um retorno divertido e uma adição bem-vinda, que acaba por remodelar a essência da série e seus mistérios mais profundos.

A trama e o elenco

Esta temporada de The Umbrella Academy começa com os irmãos Hargreeves finalmente de volta em 2019 – exceto que, devido às suas modificações em 1963, é uma versão diferente do que eles imaginavam. A maior dessas diferenças é que Reginald Hargreeves (Colm Feore) não os adotou quando crianças. Em vez disso, ele escolheu sete crianças superpoderosas diferentes nascidas em 1º de outubro de 1989. Eles agora são uma equipe de elite de combatentes do crime conhecida como Academia Sparrow.

A princípio, a maioria da Umbrella Academy parece resignada a aceitar seu novo destino nesta maluca linha do tempo, mas logo percebem que sua presença nesta realidade alternativa parece ter desencadeado um novo apocalipse. Luther (Tom Hopper), Diego (David Castañeda), Allison (Emmy Raver-Lampman), Klaus (Robert Sheehan), Cinco (Aidan Gallagher) e Viktor (Elliot Page) devem trabalhar juntos com um novo grupo de irmãos disfuncionais para cancelar o fim do mundo.

Os mesmos velhos problemas

Em sua essência mais pura, The Umbrella Academy é uma tragédia no quesito construção de personagens (e sempre foi!) – os sete irmãos presos em seus padrões clichês, incapazes de se libertar deles devido às suas próprias falhas. O cenário pode mudar, mas ainda são os irmãos Hargreeves lidando com seu próprio trauma e fazendo escolhas terríveis. Para aqueles que desejam que os irmãos finalmente aprendam, cresçam e tenham sucesso em parar o apocalipse, a má notícia é que esta temporada parecerá longa, prolongada e como se estivesse ecoando muitos dos mesmos argumentos já explorados antes.

E o ritmo desta temporada não ajuda muito, afinal, são 10 episódios com cerca de 50 minutos cada um. Os três episódios finais, aliás, são bastante desconexos, como se fossem de uma outra temporada. Apesar da adição de novos mistérios, são tantos personagens e subtramas acontecendo ao mesmo tempo, que acabam asfixiando o plot central do novo ano. Se na temporada passada já estávamos familiarizados com a dinâmica do grupo, dessa vez – ainda cheio de charme – alguns recebem mais atenção do que outros, como Viktor (Elliot Page) e toda a sua bela e emocionante transição de gênero que apenas mostra o carinho e o respeito que essa série (e a Netflix em si) possui com seus integrantes ao abraçar o mundo real do ator dentro das telas. Fora isso, enredos do passado retornam e são finalmente resolvidos, especialmente sobre a origem dos poderes.

Juntos eles são mais fortes

O fio que unifica todas as temporadas são os irmãos Hargreeves, suas personalidades divergentes e a relação de amor e ódio um com o outro. Na primeira temporada, todos estavam em conflitos; na segunda, depois de espalhados por diversos pontos da década de 1960, acabaram encontrando conforto e alegria em seus reencontros. Esta temporada é um pouco dos dois – depois de errar mais uma vez, as tensões aumentam e a presença de outra família (aparentemente melhor e mais unificada) também exacerba tudo. Ainda assim, como eles são as únicas pessoas que podem se relacionar, eles encontram senso de solidariedade um com o outro quando o fim do mundo se aproxima.

O roteiro traz novidades

O roteiro é criativo, engenhoso e acrescenta algumas narrativas indispensáveis, ainda que algumas poderiam ter mais profundidade. Por exemplo, Allison e Diego – os dois únicos irmãos que são pessoas de cor – encontram conforto um no outro por terem ficado presos na segregada e racista década de 1960, mas isso poderia levar a um contexto mais intenso, em vez de ser apenas uma desculpa para Allison enraivecer.  Mas enquanto os demais personagens brigam perpetuamente, é diferente da animosidade da 1ª temporada.

Nós os vemos se dar bem desta vez, e sabemos que no fundo eles se amam – é apenas depois de uma vida inteira sendo colocados um contra o outro e submetidos a rotinas de treinamento brutais, eles ainda estão processando todo aquele trauma. E isso significa que mesmo que eles queiram consertar as coisas, eles ainda cometem os mesmos erros e caem nos mesmos padrões. Pode ser frustrante para o público, mas até que faz sentido.

A Sparrow Academy

O acréscimo da família Sparrow, por sua vez, ajuda a realçar os pontos positivos do grupo principal e seus maiores defeitos também, ao mesmo tempo que traz novas possibilidades e cenas de ação desafiadoras (com CGI melhor do que os recentes da Marvel Studios). Ben (Justin H. Min), que no universo de Umbrella Academy era um menino doce que morreu tragicamente (e cujo fantasma ficou com Klaus nas temporadas anteriores); na Academia Sparrow, ele é o implacável e arrogante Número Dois da família. Um líder vilanesco essencial.

Os Sparrows fornecem um contraste interessante com os Umbrellas, uma família que parece se dar bem na superfície, mas na realidade não se suportam. Mas haja malabarismo da produção para acrescentar camadas aos novos membros da série, enquanto faz outros conhecidos terem mais importância que antes, como Diego, que agora é pai do pestinha Stan (Javon Walton, de Euphoria) e Lila (Ritu Arya), meio deslocada como sempre.

Conclusão

Esbanjando charme, peculiaridade e repetições preguiçosas, a 3ª temporada de The Umbrella Academy é maior. Mais eficiente. E, no entanto, também é o mesmo que sempre foi. Pode haver novos personagens, novos lugares e uma nova catástrofe global, mas no final do dia, é uma série agridoce sobre um grupo de irmãos que se amam, além de serem incrivelmente terríveis uns com os outros.

A série mostra desgaste e perde força por entre sua veia criativa singular, anda em círculos boa parte do tempo, mas sempre entrega qualidade e segue bem-sucedida como uma das mais incomparáveis da Netflix. Se você não se frustra com repetições baratas e ainda encontra conexão nesse mundo fantástico e paródico dos super-heróis, The Umbrella Academy continua sendo tão inebriante quanto sempre foi.

NOTA: 8/10

Leia também: Entenda o final da 3ª temporada de The Umbrella Academy!


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