Crítica | Alerta Vermelho – Suprassumo do entretenimento em enredo desprovido de personalidade

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Às vezes – ou quase sempre – precisamos desligar da realidade e não há nada melhor para isso do que o cinema de entretenimento. Ainda que constantemente nos agregue algum valor, filmes são puramente escapismo e a Netflix – refém do algoritmo – parece ter encontrado seu parque de diversões em Alerta Vermelho (Red Notice), novo filme de ação que tem sido vendido como o “mais caro” (cerca de US$ 200 milhões) já feito pela plataforma.

O investimento é altíssimo e totalmente sustentado pelo bom e velho star system hollywoodiano, com três mega astros da atualidade em uma trama idealizada, escrita e dirigida para deixar assinantes satisfeitos. E o que mais a plataforma de streaming pode desejar? O típico comercial de perfume de grande orçamento que se vende por si só e que, apesar da pretensão de ser o blockbuster do ano e bater de frente com as salas de cinema, cumpre fielmente sua função básica: entreter sem a necessidade de pensar muito.

A trama e o elenco

Ao extrair o carisma dos atores, Alerta Vermelho é apenas mais um (extremamente) convencional filme de assalto que parece preencher o check list de tudo que um filme do gênero precisa ter. Cenários globais, ação carregada e efeitos especiais, personagens em cenas de perigo que claramente não eram para sair vivos, reviravoltas a lá Scooby-Doo e, claro, não poderia faltar dispositivos de enredo que movem a trama para frente, o famoso MacGuffin que, nesse caso, são três artefatos históricos datados da época da Cleópatra. Entre explosões desenfreadas e piadinhas desconexas para aliviar a seriedade, no estilo Marvel, conhecemos nossos protagonistas e suas missões que visam encontrar os valiosos ovos antes que o outro encontre primeiro. Um enredo fácil, simples e enfadonho.

Dwayne “The Rock” Johnson (Jumanji) é evidentemente um poço de carisma, porém, mais uma vez vive o mesmíssimo personagem zona de conforto de sempre. Não há qualquer tentativa de esforço de fazer esse protagonista se desprender dos anteriores de sua carreira marcada por heróis semelhantes. De fato, versatilidade é algo que The Rock desconhece.

O mesmo pode se aplicar à Ryan Reynolds (Deadpool) – que vive o que? Isso mesmo, o típico “maior ladrão do mundo” que toda obra de ação genérica que se preze precisa ter. Outro que é puro charme, mas que parece apenas se sustentar como o piadista da história, o eterno alívio cômico sem graça e exagerado. Nesse caso, a cada três de suas falas, duas são piadas tolas. Por mais divertido que seja no começo, a graça acaba. Sempre acaba. A dupla vive desavenças iniciais mas depois trabalha junto para deter a implacável femme fatale vivida por Gal Gadot (Mulher-Maravilha) – uma boa atriz, porém aqui reduzida apenas ao papel de ser a “malvada egocêntrica desejada por todos”.

Ainda que os três estejam vivendo seus próprios estereótipos, a química entre eles é interessante e convence, especialmente nas acrobáticas cenas de lutas – muito bem realizadas por sinal, apesar de não serem naturais. Destaque para Gadot e sua capacidade única de manter o carão mesmo em momentos doloridos.

A parte técnica, por sua vez, exala a fragrância do alto orçamento e constrói sequências engenhosas (apesar de serem mais do mesmo) em cenários épicos que remetem à franquias clássicas como Indiana Jones, 007 e Missão: Impossível. Desde a selva da Argentina até as Touradas da Espanha (que por sinal os efeitos especiais são péssimos), tudo é um espetáculo, mas no sentido da ênfase que o roteiro dá para cada mínimo detalhe, quase como se o filme – de aproximadamente duas horas – fosse um enorme trailer editado para ser vendável.

A direção

Na busca (ou não) por contornar as previsibilidades de um roteiro repleto de furos e facilidades narrativas, o diretor Rawson Marshall Thurber (Arranha-Céu: Coragem sem Limite) usa sua mágica para criar cenas de ação elaboradas, que servem de cortina de fumaça para a falta de subsistência da trama. De fato, na ação Alerta Vermelho cresce e distrai, uma vez que a trilha sonora ajuda nessa imersão, assim como os formidáveis planos em que a câmera flutua pelos cenários.

O ritmo funciona bem dentro da proposta e, mesmo nos momentos de calmaria, para explorar levianamente o passado de algum personagem e sua relação paterna, a narrativa segue sempre em alta, sempre movimentada. No entanto, é tanta coisa espalhafatosa sendo desenvolvida simultaneamente, que a sensação que fica é de que o excesso de tempero salgou o prato.

Conclusão

Na busca pela grandiosidade, o filme mais caro da Netflix é apenas um derivado de tantos outros. Alerta Vermelho exala falta de personalidade e é, de fato, o suprassumo do entretenimento. Por vezes até diverte pela química do elenco, mas parece ter sido escrito por um robô, um algoritmo da plataforma de streaming cuja função consiste apenas em replicar todos os clichês possíveis dentro de um enredo agitado e desprovido de qualquer inteligência. E sim, está tudo bem ser descomplicado, inofensivo e puro suco sabor diversão, mas para algo com tamanho potencial, aceitar se manter no básico é um sinal de alerta.

Nota: 5/10


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