Crítica | Negra Como a Noite – Terror trash que só se salva pelo senso de humor

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Sendo honesto, um filme sobre matança de vampiros que se passa em Nova Orleans é definitivamente um bom atrativo e soa como algo diferente do habitual, uma vez que a herança cultural do lugar é capaz, por si só, de produzir horrores vampíricos criativos e repletos de mensagens importantes. Porém, embora Negra Como a Noite (Black As Night) – nova produção do Festival de terror Welcome to the Blumhouse, do Amazon Prime Video – tenha pegado um pouco da carregada história local relativamente recente e a inserido na aventura teen de uma adolescente que cresceu na área após o furacão Katrina, também pegou emprestado tanto de tantas outras fontes, que não consegue atingir o patamar de originalidade que almejava e se prova apenas mais um filme trash que, de tão ruim, dá a volta e fica assistível.

A trama e o elenco

A preguiça do roteiro de ser inventivo é tão grande que, por exemplo, os protagonistas pegaram todo o seu conhecimento sobre como caçar e matar vampiros de romances populares que os apresentaram ao longo dos anos, bem como alguns filmes (como O Que Fazemos nas Sombras).

Fora, é claro, ideias de obras que não necessariamente apresentavam vampiros, a maior sendo o tema central de A Lenda de Candyman, que vem à tona mais tarde no filme. Está tudo bem pegar referências já exploradas na cultura pop, o problema está quando não há nenhum tipo de subversão e essas representações funcionam apenas como muleta para se sustentar.

Se pegarmos a série recente Missa da Meia-Noite – que também aborda a temática – como exemplo, há diversas tentativas bem sucedidas de quebrar a fórmula e apresentar algo virgem, mesmo dentro do convencional. O que não é o caso aqui.

Tudo isso, combinado com a falta geral de polimento, sugere que esse longa-metragem certamente é um daqueles filmes baixo-orçamento, que nascem no começo da carreira de seus envolvidos, ao acompanhar a jornada da jovem Shawna (Asjha Cooper), que perde a mãe após ela ser assassinada por um vampiro sanguinário.

A trama de Negra como a Noite coloca a típica dinâmica de “três amigos e um plano ousado” – que, nesse caso, consiste em se infiltrar da mansão do “coisa ruim” e, com isso, poder vingar a morte de sua mãe – para transformar os discípulos em humanos novamente, porém, eles se deparam com algo muito maior e igualmente perigoso: um conflito de séculos entre facções de vampiros em guerra, cada uma lutando para reivindicar Nova Orleans como seu lar permanente. Dessa premissa oitentista, boa parte dos diálogos são artificiais e não naturais, assim como a composição de seus personagens principais. Fora a talentosa Asjha Cooper, com sua dose extra de carisma, nenhum outro se salva.

A direção

A diretora Maritte Lee Go possui problemas evidentes em orquestrar cenas de ação. As sequências são agitadas, confusas e o ritmo torna extremamente difícil compreender o que se passa, bem como o fato de que, eventualmente, o filme vaga em círculos em termos de narrativa, se repetindo indefinidamente sem saber para onde prosseguir com sua premissa que se esgota em poucos minutos.

Surpreendentemente, os efeitos especiais são bons, embora não sejam notáveis. Já o humor, por sua vez, está presente e funciona, mesmo que haja desequilíbrio com o terror e as cenas gore, que são muito bem-vindas nesse tipo de obra, mas com potencial desperdiçado aqui. Ainda que tenha tropos e clichês de filmes adolescentes, a trama se desenvolve para algo bem mais jovem adulto e acaba por agregar mais ousadia, algo inesperado, divertido e que salva o longa de se afundar totalmente no tédio.

Conclusão

Ao todo, embora seja carregado de representatividade racial e saiba usar seu horror para gerar boas criticas sociais e metáforas modernas, Negra Como a Noite peca por depender demasiadamente de obras anteriores e de clichês de vampiros da cultura pop, quando poderia usar toda a sua diversão para construir algo minimamente relevante ao gênero. Funciona como um convencional melodrama teen com pitadas de terror sobrenatural, mas é trash demais para ir muito além disso.

Nota: 4/10


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