Crítica | Todos Estão Falando sobre Jamie – Autêntica explosão de energia e positividade

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Fruto da forte influência de RuPaul’s Drag Race que, felizmente, tirou as sombras da marginalização e trouxe a cultura drag para o mainstream, Todos Estão Falando sobre Jamie (Everybody’s Talking About Jamie) definitivamente acerta onde muitos dramas LGBTQIA+ erraram na história do cinema.

A produção, que chega como original Amazon Prime Video, mergulha na comoção para criar uma atmosfera musical solar, divertida e glamorosa, mas sem se afastar dos questionamentos que o tema traz à tona.

Equilíbrio é tudo e faz a diferença, especialmente quando se trata de uma história marcada por superação e amadurecimento de um jovem gay que sonha em ser uma drag queen de sucesso mas que, para isso, precisa conhecer primeiro o real significado do movimento e como se montar é, acima de tudo, sinônimo de revolução.

A trama e o elenco

A trama se passa em uma pequena e conservadora cidade inglesa chamada Sheffield – onde ser fora do “comum” significa ser o assunto da comunidade. Mas é em lugares mais inesperados que nascem as histórias mais incríveis, não é mesmo?

Tendo como base um popular musical homônimo do teatro que, por sua vez, é inspirado em uma poderosa história real, o enredo se desenvolve em torno de Jamie New (vivido polo cativante Max Harwood), um jovem queer de 16 anos que está na complexa fase de descobrir o que quer para sua vida e que, ao mesmo tempo, precisa lidar com o fato de ser gay afeminado e assumido num lugar tão atrasado.

Ele sonha em ser uma drag queen popular no instagram, usar salto alto e ir ao baile de formatura de vestido como uma verdadeira Cinderela (quem é Camila Cabello na fila das princesas?) e, para tudo isso, possui todo o apoio de sua doce e valente mãe (Sarah Lancashire) – ainda que tenha conflitos severos com seu pai (Ralph Ineson) todo trabalhado na masculinidade tóxica – porém, descobre que o mundo não está totalmente preparado para algo tão corajoso e livre como simplesmente ser quem você realmente é.

Dessa premissa com potencial, nasce um musical passional, gerado através do conflito de que Jamie sofre homofobia na escola (inclusive de sua professora conservadora) e que busca – incansavelmente – a aprovação de seu pai, assim como boa parte dos adolescentes LGBTQIA+ cuja base familiar faz total diferença para aceitação própria, compreensão e até mesmo sobrevivência nessa selva brutal que é viver em um mundo imerso no preconceito e intolerância.

Max Harwood brilha e brilha com vigor. Energético, cheio de carisma, tem uma atuação plena e honesta, assim como Richard E. Grant (Loki), que está uma delícia interpretando Hugo Battersby, também conhecido como “Loco Chanel”, um veterano artista drag queen que serve de mentor à Jamie em sua nova vocação. O ator diverte, emociona e rouba a cena com seu talento ao mostrar que a história de luta da comunidade LGBTQIA+ vai muito além de um reality show de TV.

Aliás, essa incisão de contexto histórico deixa o roteiro ainda mais elogiável. Afinal, não é só de glamour que se vive uma drag e nem todo homem gay tem a mesma sorte e privilégio que Jamie possui. O roteiro reforça que é importante lembrar de onde tudo veio para apresentar o futuro do movimento.

A direção

Como um bom musical, as canções de Todos Estão Falando sobre Jamie são interessantes e ajudam a narrar os sentimentos das personagens. As letras, por sua vez, são inteligentes, peculiares, engraçadas e incrivelmente memoráveis. Cada performance explora a evolução de Jamie no mundo e não estão ali de forma gratuita, como podemos ver em outras obras recentes.

Tanto a direção de arte colorida quanto o figurino são sublimes e servem para criar essa atmosfera de sonho do protagonista dentro do seu mundinho cinza e chuvoso. Uma vez em sua persona drag, o jovem atinge o seu potencial máximo de confiança, amor próprio e plenitude por estar sendo quem ele nasceu para ser e essa energia é captada pela lente do diretor Jonathan Butterell e pelas cores vivas das roupas e as performances divertidas e bem coreografadas das canções.

Conclusão

Ao mostrar que ser gay não é apenas viver em um programa de TV escapista ou em um filme trágico de Ryan Murphy, Todos Estão Falando sobre Jamie é uma autêntica explosão de energia e positividade, um musical edificante e fabuloso que brilha onde outros filmes LGBTQIA+ não tiveram a destreza de chegar. Assim como o próprio protagonista, é atraente, carregado de esperança e emociona do começo ao fim. Diversão garantida para toda a família com uma boa dose de aceitação e amor próprio que vai fazer você falar sobre Jamie também.

Nota: 8/10


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