Ao longo de uma sólida carreira, para o diretor francês Alexandre Aja fazer o público roer as unhas nunca foi um problema, apesar do resultado morno de bilheteria de sua estreia, Alta Tensão. Desde então, ao longo das últimas duas décadas, Aja cresceu e se tornou um diretor de terror formidável, que continuamente superava orçamentos modestos com filmes como Viagem Maldita e Piranha, que testam a emoção do público. Mas é mesmo o seu mais novo trabalho, Oxigênio (Oxygen), que prova sua excelente capacidade narrativa ao misturar ficção-científica com um thriller claustrofóbico sobre a fragilidade humana. E de quebra entrega tudo de melhor que ambos os gêneros podem proporcionar, mesmo que tenha, infelizmente, um desfecho preguiçoso.

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A trama e o elenco

O novo original francês da Netflix começou seu desenvolvimento há quase quatro anos, com um elenco e um diretor diferentes (na época era comandado por Franck Khalfoun), mas que se solidificou com a visão progressista de Aja em fazer muito com o pouco que têm em mãos, assim como fez em Predadores Assassinos, que possui personagens mínimos e pouco movimento fora de um único local. Nessa caso, os monstros da vez são uma intensa claustrofobia e amnésia, que substituem os crocodilos gigantescos, atacando um medo interno que não pode ser expresso facilmente. 

A direção dá à Mélanie Laurent (Bastardos Inglórios) uma vitrine completa para brilhar e mostrar todo o seu enorme talento, já que segura nas costas a trama, que também depende bastante de sua emoção e condução ao viver uma mulher presa em uma câmara de criogenia enquanto seu nível de oxigênio abaixa gradativamente. A protagonista não possui nenhuma memória de sua vida antes da câmara. Ela tem pouco menos de uma hora e meia de oxigênio sobrando, sem saber onde está ou como chegou ali. Dessa premissa, o roteiro simples e eficiente se apega as inúmeras reviravoltas para levar a trama para um caminho diferente a cada ato.

A direção

Rodando quase em tempo real e com uma câmera que navega pelo local fechado com a leveza de um mosquito, o filme francês coloca o espectador diretamente na caixa com a protagonista e sua angustia crescente por não saber quem é/ou como vai sair viva daquela situação inexplicável. De forma bastante intrigante, Alexandre Aja constrói uma excepcional atmosfera de dúvida e tensão em torno do real motivo dela estar presa e utiliza – sabiamente – a trilha sonora enérgica e elementos sci-fi para mesclar uma história de sobrevivência com descoberta de identidade que envolve do começo ao fim, mesmo que algumas sequências definitivamente tomem mais tempo do que o necessário para acontecer.

Alguns minutos a menos teriam deixado a trama com ainda mais urgência, mais agitado e mais frenético. Algo que funciona dentro da proposta. No entanto, a forma como o cineasta consegue criar tensão com a simplicidade de um espaço apertado e uma necessidade de sobrevivência, é realmente louvável. Já o final, esse cai na preguiçosa fórmula de desfechos de ficção-científica onde tudo acaba com esperança para a raça humana, um desperdício absoluto de fazer algo mais aberto, mesmo em tempos difíceis como o que vivemos.

Conclusão

Através de um roteiro bastante criativo e consciente de suas limitações, o diretor Alexandre Aja proporciona uma experiência claustrofóbica, instigante e de roer as unhas, muito por conta da ótima performance de Mélanie Laurent, carregada de emoção e angustia. Apesar de algumas resoluções preguiçosas e a duração estendida, que não ajuda muito na narrativa frenética, Oxigênio é um sólido misto de ficção-científica com thriller de sobrevivência que deve agradar os amantes dos gêneros e fascinar quem busca um filme simples, eficiente e tenso dentro de uma Netflix que está apostando pouco em conteúdo bom.

Nota: 8/10

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