A grande problemática de filmes maçantes como O Mediador (Black Beach), novo original espanhol da Netflix, está exatamente na enorme quantidade de informação que escolhe inserir em sua trama a fim de torná-la mais sofisticada, mais inteligente, no entanto, o resultado é tão oposto, que o longa cansa rapidamente por dar voltas e mais voltas em torno de nada. A falta de polimento do roteiro só agrega desânimo e funciona como combustível para que o ritmo, conquistado através de uma direção péssima, afunde gradativamente no emaranhado de reviravoltas mal desenvolvidas da história. Ou seja, a trajetória é longa demais e a premissa interessante de menos.

A trama e o elenco

Sendo mais uma vítima do famoso “wanna be” filme político, que enrola o espectador com termos maçantes para disfarçar a ausência de conteúdo, como Wasp Network: Rede de Espiões, a trama acompanha um sem graça empresário que recebe um pedido para interceder em nome de um engenheiro norte-americano da indústria do petróleo que foi sequestrado, no entanto, aposta tão alto na força de seu protagonista, que a queda é grande, já que a entrega do ator Raúl Arévalo (Azul Escuro Quase Preto) é demasiadamente péssima e seu carisma nunca chega aonde precisa chegar. Dessa forma, sem um condutor genuinamente bom e com uma trama cansativa ao extremo, é realmente difícil que algo se salve dessa corrida de tartaruga, mesmo que haja boas locações aqui e ali para silenciar o público do streaming.

Aliás, a trama nunca se assume um gênero específico e se mostra perdida em todos. A ação, quando acontece, é vergonhosa, já o drama humano, sem emoção alguma, e a mensagem anticorrupção por trás da história, acabam se perdendo nessa falta de iniciativa e medo de sair da zona de conforto. A forma arrastada de como o roteiro dedica tempo demais para o desenvolvimento de seus personagens desinteressantes e que, no fim das contas, não dá camadas para nenhum deles, acaba sendo o start para desconectar o espectador da obra e, uma vez perdido, é difícil resgatar. Mesmo assim, há poucas qualidades que são até bem realizadas, como a ambientação na África e lapsos de suspense que, uma vez ou outra, intrigam nossa a curiosidade para saber como aquele dilema vai se resolver. Uma pena que leva tempo demais para concluir suas reviravoltas e fisgar nossa atenção.

A direção

Dentro de seu quebra-cabeça tedioso, o diretor Esteban Crespo (Aquele Não Era Eu) vence pelo cansaço, ainda que mostre habilidade com sequências elaboradas e planos sofisticados. O maior problema de está mesmo na forma lenta e enfadonha de como trabalha o ritmo de O Mediador e de como move sua narrativa pra frente. Quando acelera, perde os trilhos e quando segue sem pressa, enguiça na estrada. Já que o roteiro é repleto de subtramas paralelas, o ideal teria sido usar a montagem para dar gás e energia pra história sem que a mesma se perdesse dentro de si.

Conclusão

Mesmo que seja relativamente bom não ser excessivamente expositivo, não há equilíbrio no roteiro maçante e sobrecarregado de O Mediador e sua falta de ritmo cansa com facilidade. Ou seja, a longa e lenta jornada até o desfecho é um teste de paciência e a recompensa, no fim das contas, está longe de compensar o tempo gasto com mais uma obra superestimada da Netflix.

Nota: 4/10

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