É sempre uma boa ideia unir histórias de horror com comédia infantil e filmes como ‘A Casa Monstro’, ‘O Estranho Mundo de Jack’ e ‘Goosebumps: Monstros e Arrepios’ estão aí para provar que essa aposta funciona para levar as crianças aos cinemas durante a época do Dia das Bruxas. Quando o fator susto é posto de lado e a atmosfera sombria dos filmes de terror serve de base para uma aventura de fantasia repleta de lições sobre lidar com seus medos e enfrentar o desconhecido, obras como o recente ‘Manual de Caça a Monstros’ (A Babysitter’s Guide to Monster Hunting), produção da Netflix que tem se mantido em alta no catálogo, surge como uma aposta promissora para seu público e ainda diverte através de um olhar ingênuo sobre traumas do passado.

A trama e o elenco

Tendo como base uma trilogia de livros best-seller, escrita pelo autor Joe Ballarini, que também assina o roteiro do projeto, a trama de ‘Manual de Caça a Monstros’ acompanha uma noite de Halloween de uma jovem que descobre que o Bicho-Papão existe e deseja criar uma legião de monstros através dos pesadelos de crianças inocentes. Para combater essa criatura medonha, uma organização secreta de babás une forças para proteger as crianças e derrotar todos os monstros escondidos no armário. Dessa premissa um tanto quanto inusitada, nasce uma comédia teen divertida, que consegue trabalhar muito bom o tom sombrio da premissa, mas de forma leve e infantil, muito semelhante ao que a animação ‘Monstros S.A.’ faz.

Ou seja, exatamente por ser uma obra voltada para crianças, há uma liberdade criativa maior do roteiro, que não necessita justificar tudo que está sendo apresentado: o mundo é dessa forma, monstros existem e é isso. Ao contrário de filmes desiquilibrados, como Artemis Fowl, aqui a aventura funciona, mesmo sem a sofisticação de ser um filme da Disney. Tamara Smart vive a protagonista e, ainda que sua personagem não tenha nenhuma nuance de personalidade que possa ser explorada, não faz falta. Já Tom Felton (o Draco Malfoy de ‘Harry Potter’) está irreconhecível no papel do vilão. Destaque também para uma rápida participação de Indya Moore (Pose), repleta de carisma.

A direção e o roteiro

A diretora Rachel Talalay possui experiência com histórias de terror adultas, já tendo dirigido diversos filmes do gênero, incluindo duas sequências de ‘A Hora do Pesadelo’ e o clássico trash, ‘Ghost in the Machine’, talvez por conta disso tenha se saído tão bem no comando desse, que não exige jump scares elaborados e o público alvo não tem lá tanto critério assim. As sequências de ação são divertidas dentro do possível e bem “Sessão da Tarde”, nada sofisticado ou marcante, mas acerta em replicar elementos estereotipados do cinema de horror dentro de um contexto menos assustador. Até mesmo os efeitos digitais são bons, uma verdadeira surpresa, tendo em vista que o orçamento é baixo.

O roteiro, por sua vez, conduz a narrativa para frente e explora, com eficiência, momentos de aventura, ainda que tenha problema em ser engraçado. As piadas definitivamente não funcionam e o terror, mesmo em momentos que tenta assustar, é superficial e bobinho demais. Porém, ao contrário de muitos outros que dão voltas e mais voltas, esse apresenta bem seu universo, estabelece as regras e não perde tempo com situações desnecessárias.

Tem coisa demais acontecendo ao mesmo tempo paralelo a jornada da protagonista com as babás guerreiras, como a descoberta do primeiro amor e o bullying que sofre na escola, mas tudo tem seu tempo e nada se sobrepõe ou torna a trama mais carregada. Fora isso, o design de produção é ótimo e cria uma identidade original bem interessante, promissora até, já que novos filmes devem ser feitos após o sucesso desse. É uma franquia que pode funcionar, mas que precisa corrigir seus erros antes de dar o próximo passo.

Conclusão

Com isso, ‘Manual de Caça a Monstros’ é uma aventura infantil bem “Sessão da Tarde”, perfeita para ver no Halloween e que brinca, de forma divertida, com os filmes de terror. O roteiro não tenta ser nada além disso e, talvez por conta disso, tenha funcionado tão bem, apesar de ter problemas que poderiam ser evitados, entre eles, um humor bobo e raso, que não arranca risadas nem das crianças, que dirá dos adultos. Ainda assim, é o perfeito encontro de ‘Monstros S.A.’ com ‘Goosebumps’, com o senso cinematográfico de um filme do Disney Channel.

Avaliação: 3 de 5.

Nota: 6

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