Crítica | ‘Férias’ é uma viagem de besteirol perfeita na Netflix

Certamente, o que está transformando ‘Férias’ (ex-Férias Frustradas) em um grande sucesso no catálogo da Netflix é a forma como a comédia é guiada, com uma narrativa enérgica e desenvolvida plenamente em cima de situações cômicas durante uma viagem desastrosa de família. Além da fácil identificação do público, afinal, todos já vivemos viagens frustradas, a trama exagera os fatos para provocar riso instantâneo e acaba conseguindo. A comédia, assim como ‘O Estagiário’, é mais uma obra que chega ao catálogo da plataforma de streaming com um novo nome, na tentativa de passar despercebida que não é Original Netflix, e é um híbrido de remake com sequência do clássico da Sessão da Tarde, de mesmo nome, lançado em 1983 e estrelado por Chevy Chase que, aliás, faz uma pontinha no final desse filme.

Com uma roupagem mais moderna, até mesmo no tipo de tema que escolhe fazer piada, ‘Férias’ ignora as demais sequências do clássico (que foram muitas!) e mostra uma nova geração, anos após os eventos do filme de 1983, já que o protagonista dessa vez é Rusty Griswold (Ed Helms), filho do personagem vivido por Chase no passado, que busca levar sua família para cruzar os Estados Unidos, inspirado nas aventuras de seu pai. Como podemos perceber, essa jornada se torna uma desventura e tudo que planejam dá errado catastroficamente. Seguindo a mesma estrutura do original, o longa é um road movie de comédia que entrega, uma atrás da outra, situações absurdas e hilárias, desde um GPS em coreano que se mostra raivoso, até uma corrida de quadriciclo que acaba colocando fim na vida de uma vaca inocente.

O estilo de humor é pateta e bobo, o mesmo de clássicos filmes com Jim Carrey e Adam Sandler, por exemplo, e essa presepada funciona que é uma beleza para o filme manter uma identificação com o original, já que o tipo de comédia desenvolvida nos anos 80 era totalmente nonsense. No entanto, o roteiro também mergulha no besteirol dos anos 90 e cria uma trama na mesma vibe de ‘Todo Mundo em Pânico’, porém, com a sofisticação narrativa de ‘Se Beber, Não Case!’. A direção da dupla John Francis Daley e Jonathan Goldstein (Noite de Jogo) é assertiva e plenamente consciente no tipo de história que está desenvolvendo, sem medo de arriscar, especialmente por fazer piadas com temas polêmicos como estupro, pedofilia e bullying. Mesmo sendo uma enorme palhaçada, o desenvolvimento dessas situações cômicas acaba sendo inteligente e criativo, ainda que, claro, altamente exagerado.

Mas o humor pastelão só funciona por conta da desenvoltura do elenco, que está realmente divertido. Seja Ed Helms (Se Beber, Não Case!) com seu ritmo frenético ou Christina Applegate (Disque Amiga Para Matar) com sua comédia contida, a performance da família é carismática e envolvente. Destaque também para o jovem Skyler Gisondo (Fora de Série), que vive um irmão mais velho tímido, que subverte as expectativas e sofre bullying do irmão mais novo. Chris Hemsworth (Resgate) também faz uma ponta e rouba a cena, em um momento hilário e constrangedor, que envolve uma prótese peniana, apesar de viver, novamente, o galã burro estereotipado. Aliás, é uma comédia de estereótipos, como podemos esperar, por conta disso que algumas subversões acabam sendo bem-vindas, especialmente quando o roteiro escolhe ir mais além do que apenas fazer rir com o convencional.

Dessa forma, ‘Férias’ é assumidamente uma comédia besteirol, que arrisca fazer humor com temas controversos, mas que consegue arrancar boas risadas pela quantidade absurda de presepadas nonsense. É difícil não rir e se entreter com essa viagem caótica e ainda deixa uma nostalgia no ar do estilo pateta e despretensioso das comédias dos anos 1980. Se ligarmos a suspensão da descrença, certamente a viagem será prazerosa e divertida, caso contrário, a frustração vem em forma de situações exageradas demais para serem verídicas.

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