Se você ainda insiste no erro de que ‘voodoo é coisa de jacu’, você precisa assistir Mortel. E se você gostou de Mundo Sombrio de Sabrina, vem que essa aqui é para você.

Confira o vídeo ou leia abaixo:

Mortel é uma série francesa, original Netflix, que misturou elementos de sucesso: investigação criminal, sobrenatural, adolescentes e muito suspense, ou seja, aquilo que fez Mundo Sombrio de Sabrina bombar.

Mortel estreou dia 21 de novembro e já deu tempo de você assistir. Olha, maratonar essa série é fácil, são só seis episódios. Então dá um pause na vida social e se joga.

A obra mostra o subúrbio francês com suas misturas típicas e coloca três jovens improváveis para enfrentar o sobrenatural. A parte de fugir do cenário clássico que se atribui a França já me agradou muitíssimo. O cenário em que se desenrola a história poderia muito bem ser aqui no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo.

A história começa quando Sofiane decide procurar pelo seu irmão desaparecido e encontra uma entidade mística, Obé, que promete lhe ajudar, caso ele lhe entregue alguém cuja morte não seria suspeita. Sofiane escolhe Victor, que já tentou se matar e tem histórico de depressão. Os dois acabam fazendo um pacto com Obé e ganham ‘super poderes’ para procurar pelo assassino de Reda. Eles contam com a ajuda de Luiza que é neta de uma grande sacerdotisa vudu e herdou muitas habilidades. Os três tentam entender o que aconteceu com Reda, que até onde sabem, foi assassinado em um tipo de ritual, enquanto vários outros adolescentes aparecem com sequelas de rituais realizados.

Não são só entidades e feitiçaria que assustam nessa série. Outros monstros espreitam a realidade desses adolescentes. Mortel aborda temas sérios e amargos, como depressão, suicídio, estupro, tráfico de drogas, falta de perspectiva profissional e relações familiares bem turbulentas. Muitas cenas explícitas fizeram a série chegar ao Brasil com classificação indicativa de 18 anos. Alguns eventos podem ter gatilhos severos envolvendo esses temas, então é bom avaliar.

Fugindo do enredo sombrio, a temática da série é puramente adolescente. Como não se identificar com Luiza, que tenta construir seu próprio caminho como artista e não aceita seguir os passos da avó como sacerdotisa? Como não se reconhecer na timidez e solidão de Victor? Como não se sentir abandonado na família de Sofiane, cujos pais não querem que ele procure o irmão pois acreditam que ele provavelmente fugiu para usar drogas? No meio de tudo isso, aceitar a ajuda do assustador Obé para descobrir sobre o desaparecimento do irmão de Sofiane, parece uma coisa sensata.

No decorrer da série entendemos que Obé, esse assustador deus vudu, também é um adolescente. A avó de Luiza explica que ninguém pode confiar em Obé, justamente por ele ser o mais novo dos deuses. Esse deus adolescente é tão sujeito a erros que logo no primeiro episódio não parece entender a diferença entre assassinato e suicídio, e confessa não saber todas as regras. Outro exemplo claro sobre a insegurança do próprio Obé é que ele está tentando “voltar para casa” e no meio da sua rebeldia, tipicamente adolescente, tenta obter aprovação paterna.

Mas nem tudo é perfeito. Os efeitos visuais incomodam que tem algum preciosismo. Apesar de ter poucos episódios, a série demora um pouco para engrenar e lá pelo terceiro é que as coisas parecem caminhar num sentido mais vigoroso. Em alguns momentos as questões de abuso e depressão parecem ser tratadas de forma ‘apenas supere isso’ e sabemos que não é assim.

O final tentou dar um gancho para a segunda temporada, mas me pareceu um recurso preguiçoso que simplesmente nos joga para o começo da primeira temporada.

Apesar dos pesares vale a pena sim, só assiste e vem me dizer o que você achou. Pode dizer que discorda também, a gente aqui ama o contraditório também.

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