A Última Ceia, dirigido por Mauro Borrelli, chega aos cinemas brasileiros em 8 de maio, com distribuição nacional da Imagem Filmes. A produção oferece uma nova perspectiva sobre um dos momentos mais emblemáticos do cristianismo: a última ceia de Jesus Cristo com seus discípulos antes da crucificação.
Diferente de outras produções bíblicas que focam na jornada completa de Jesus, o longa concentra sua narrativa nos momentos que antecedem a traição de Cristo. O filme mergulha nas relações entre os discípulos, explorando suas dúvidas, receios e conflitos internos à medida que a tensão cresce na noite anterior à prisão de Jesus Cristo.
Confira o trailer abaixo:
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Sobre A Última Ceia
O filme tem sido amplamente elogiado ao redor do mundo, acumulando até o momento 81% de aprovação da audiência no Rotten Tomatoes. A maioria das críticas destaca sua fidelidade à Bíblia e reforça a necessidade de mais produções desse tipo no cinema. Comentários como “O primeiro filme sobre Jesus que tocou meu coração dessa forma desde A Paixão de Cristo” e “Uma experiência incrível, diferente de qualquer outro filme sobre Jesus que já vi” refletem o impacto da obra entre o público.
A Última Ceia traz a perspectiva daqueles que acompanharam Jesus de perto, oferecendo uma visão mais intimista dos personagens bíblicos. O longa busca revelar o que se passava no íntimo de cada apóstolo, abordando a complexidade das emoções e das motivações que levaram Judas a trair seu mestre e os outros discípulos a enfrentar dilemas de fé e lealdade.
O papel de Jesus Cristo é interpretado pelo ator Jamie Ward (His Dark Materials, Tyrant), enquanto o ator Robert Knepper (Prison Break) interpreta Judas. O elenco ainda conta com Nathalie Rapti Gomez (Devils), James Oliver Wheatley (Alexandre: O Nascimento de um Deus) e Charlie MacGechan (Ruas em Guerra). A direção fica por conta de Mauro Borrelli, conhecido por suas produções visuais impactantes, como Gaiola Mental (2022).
Um dos destaques é a participação do cantor cristão Chris Tomlin como produtor executivo, trazendo uma abordagem emocional e espiritual ao filme. Com um elenco talentoso e uma cinematografia envolvente, a produção promete gerar debates sobre fé, redenção e os eventos que antecederam a crucificação de Cristo.
A Última Ceia estreia em 8 de maio nos cinemas brasileiros com distribuição da Imagem Filmes.
A MUBI anunciou que a aclamada estreia na direção de Christopher Andrews, Acabe com Eles (Bring Them Down), estará disponível para streaming exclusivamente na MUBI a partir desta sexta, 28 de março.
Confira um clipe do longa abaixo:
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Sobre Acabe com Eles
Vencedor do Prêmio Douglas Hickox (Melhor Diretor Estreante) no British Independent Film Awards de 2024, o longa-metragem de Christopher Andrews é estrelado pelo vencedor do BAFTA e indicado ao Oscar® Barry Keoghan (Bird, Os Banshees de Inisherin, Saltburn) e por Christopher Abbott (Pobres Criaturas e a série Girls), ao lado de Colm Meaney (The Problem with People, Nem Tudo é o Que Parece), Nora-Jane Noone (Em Nome de Deus, Brooklyn), Paul Ready (Um Cavalheiro em Moscou, Motherland) e Susan Lynch (Amor Obsessivo, A Fortuna de Ned).
Acabe com Eles conta a história de duas famílias de fazendeiros rivais na Irlanda rural dos dias atuais. Michael (Christopher Abbott), o último filho de uma família de agricultores, leva uma vida isolada ao lado de seu pai doente, Ray. Assombrado por um terrível acidente do passado, Michael se afastou do mundo e dedica-se exclusivamente ao seu rebanho. Quando o conflito contínuo com o fazendeiro rival Gary e seu imprevisível filho Jack (Barry Keoghan) reacende antigas tensões e ressentimentos, uma sequência de eventos se desenrola, tornando-se cada vez mais violenta e alterando o destino de ambas as famílias.
O filme teve a sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2024 e sua estreia no Reino Unido no Festival de Cinema de Londres do BFI em 2024.
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O Disney+ apresenta um novo e emocionante trailer da segunda temporada da aclamada série da Lucasfilm indicada ao Emmy® Andor, que retorna em 22 de abril para sua tão aguardada conclusão.
Confira abaixo:
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Sobre a 2ª temporada de Andor
Repleta de intrigas políticas, perigos, tensões e altos riscos, a série é uma prequela de Rogue One: Uma História Star Wars, que apresentou um heroico grupo de rebeldes que roubam os planos da arma de destruição em massa do Império, a Estrela da Morte, preparando o cenário para os eventos do filme original de 1977. Andorse passa cinco anos antes dos eventos de Rogue One para contar a história do herói do filme, Cassian Andor, e sua transformação de um desconhecido cínico e desinteressado em um herói rebelde a caminho de um destino épico.
Segundo o criador e produtor executivo Tony Gilroy, “uma das grandes emoções de fazer Andoré a dimensão da história e o tanto de personagens que podemos conhecer – pessoas comuns, Lordes do Império, revolucionários apaixonados. São pessoas reais tomando decisões épicas, todas elas enfrentando questões com consequências aterrorizantes. A jornada de Cassian é a alma e a espinha dorsal da nossa história, mas é o coral que dá o show. Estou muito animado para que o público veja aonde iremos na segunda temporada”.
A temporada final se desenvolverá em 12 episódios divididos em quatro capítulos de três episódios cada. O primeiro capítulo será lançado em 22 de abril, e os três capítulos subsequentes serão lançados nas semanas seguintes.
A segunda temporada de Andor é estrelada por Diego Luna, Stellan Skarsgård, Genevieve O’Reilly, Denise Gough, Kyle Soller, Adria Arjona, Faye Marsay, Varada Sethu, Elizabeth Dulau, Alan Tudyk, com Ben Mendelsohn e Forest Whitaker. A série foi criada por Tony Gilroy, que também atua como produtor executivo ao lado de Kathleen Kennedy, Sanne Wohlenberg, Diego Luna, Luke Hull e John Gilroy. Tony Gilroy é responsável pelo roteiro dos três primeiros episódios, com os roteiristas Beau Willimon escrevendo os episódios de 4 a 6, Dan Gilroy os episódios 7 a 9 e Tom Bissell os episódios 10 a 12. Os diretores da série são Ariel Kleiman (episódios 1 a 6), Janus Metz (episódios 7 a 9) e Alonso Ruizpalacios (episódios 10 a 12).
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Barracas coloridas por flores e frutas. O aroma forte dos pasteis e dos mais variados temperos. Homens e mulheres que não poupam o gogó para vender suas mercadorias. As feiras livres são uma instituição nacional, mas pouca gente enxerga as histórias por trás da mais popular forma de comércio no país.
Apaixonada pelas feiras de seu Rio de Janeiro natal desde a infância, a cineasta Silvia Fraiha decidiu contar estas histórias, transformando pessoas que eram “coadjuvantes” que encontrava uma vez por semana em protagonistas de um documentário. Todo Dia é Dia de Feira, com estreia prevista para dia 03 de abril, dá voz a Arnaldo, Luiz, Fernando e Cristina, feirantes profissionais, com distribuição da California Filmes.
Narrado em primeira pessoa pela diretora, que considera o filme um projeto muito pessoal, o documentário passeia pelos bastidores das feiras livres, registrando os corredores coloridos – e barulhentos – de um espaço de convivência cada vez mais ameaçado. Tanto pela falta de compromisso das autoridades quanto pela concorrência massiva dos supermercados.
Enquanto mostra como o contato de anos transformou muitos clientes e feirantes em amigos, Silvia examina as rotinas de seus personagens principais: visita suas casas nas comunidades do Rio, conversa com suas famílias e conta suas trajetórias. No processo, encontra histórias de luta, dificuldades e episódios dolorosos, mas descobre uma gente forte que nunca se permitiu perder a alegria e a vontade de vencer.
Pequeno retrato do cotidiano de mais de 8 mil famílias, Todo Dia é Dia de Feira traça um mapa da desigualdade social na segunda maior cidade do país.
Girassol Vermelho, novo longa-metragem do multiartista mineiro Eder Santos e co-dirigido por Thiago Villas Boas, teve sua estreia nacional adiada para o dia 3 de abril, com distribuição da Pandora Filmes. Antes de chegar ao circuito nacional, o filme teve sua estreia comercial antecipada apenas na cidade de São Paulo, no último dia 20 de março.
Selecionado para abrir a Mostra de Cinema de Tiradentes de 2025, o longa é inspirado na obra do escritor Murilo Rubião, mestre do realismo fantástico. A trama acompanha Romeu (Chico Diaz), um homem que, ao tentar fugir do passado em busca de liberdade, acaba sendo preso e torturado numa estranha cidade onde fazer perguntas é proibido.
Selecionado para abrir a Mostra de Cinema de Tiradentes de 2025, Girassol Vermelho marca o início de uma trilogia intitulada “RGB” — sigla que faz referência às cores vermelho, verde e azul, fundamentais na formação das imagens digitais. Além do filme em questão, a trilogia inclui Deserto Azul (2014) e um terceiro título em desenvolvimento.
Esse conceito cromático reflete a própria trajetória de Eder Santos, reconhecido por sua experimentação visual e pela fusão entre imagem eletrônica e narrativa cinematográfica. Desde os anos 1980, o diretor consolidou-se como um dos pioneiros da videoarte no Brasil, com suas obras exibidas em festivais internacionais e integradas aos acervos de instituições como o MoMA, em Nova York, e o Centre Pompidou, em Paris.
Filmado em uma fábrica de cimento desativada, Girassol Vermelho se destaca pela ambientação bruta e distópica. A direção de arte, assinada por Laura Vinci e Joana Porto, traz a experiência do teatro para a construção dos cenários, enquanto a fotografia é conduzida por Stefan Ciupek, que também assinou Deserto Azul (2014) e tem no currículo trabalhos em produções internacionais como “Quem Quer ser um Milionário” (2008), “Anticristo” (2009), “Armas em Jogo” (2020) e o documentário “Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou” (2019).
Este último filme também estabelece uma conexão com o elenco de Girassol Vermelho, que conta com a participação de Bárbara Paz, diretora do documentário sobre Babenco. Além dela e de Chico Diaz, que também é co-produtor do projeto, o elenco reúne atores da Mundana Companhia, grupo teatral de São Paulo com o qual Eder Santos colaborou por quatro anos: Aurí Porto, Vinícius Meloni, Mariano Mattos Martins e Luísa Lemmertz. Já na reta final da produção, o diretor decidiu incluir um novo personagem para amarrar melhor a narrativa. Interpretado por Daniel de Oliveira, ele foi filmado em dezembro de 2023, poucos meses antes da estreia do longa nos festivais.
Girassol Vermelho é inspirado em dois contos de Murilo Rubião: “A Cidade” e “Os Comensais”. A relação de Eder Santos com o escritor remonta aos tempos de faculdade, em Belo Horizonte, quando o diretor, então envolvido com teatro, conheceu Rubião pessoalmente e chegou a ter reuniões com ele para planejar uma peça baseada em seus contos. O resultado é um filme que mistura o absurdo e o onírico, típicos do universo rubiano, com a estética única de Santos, que transita entre o cinema e as artes plásticas.
O longa explora a violência institucionalizada e a alienação em um sistema que oprime e tortura seus indivíduos. Os temas centrais da obra – repressão, abuso de poder e impossibilidade de questionar – ressoam de forma crítica no cenário atual do Brasil e do mundo, marcado por ameaças à democracia.
Escrita por Drew Goddard (The Good Place), Uma Mente Excepcional chegou de fininho e se tornou um dos grandes destaques do Disney+. A série estrelada por Kaitlin Olson acompanha uma mãe solteira com uma mente brilhante, cujo talento não convencional para solucionar crimes leva a uma parceria incomum e imbatível com um detetive experiente e metódico (Daniel Sunjata).
Ainda não assistiu a produção? Não se preocupe, separamos tudo o que você precisa saber sobre a série. Confira!
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Sobre o que se trata Uma Mente Excepcional?
Kaitlin Olson como Morgan em Uma Mente Excepcional
A série acompanha Morgan (Kaitlin Olson), uma mãe solteira de três filhos que trabalha como faxineira no Departamento de Polícia de Los Angeles. Apesar de sua vida simples, Morgan possui um QI de 160 e uma mente brilhante, capaz de enxergar padrões que passam despercebidos aos outros. Durante um turno no trabalho, ela resolve um caso aparentemente insolúvel, o que chama a atenção da divisão de Crimes Graves.
A partir desse momento, ela se torna consultora da equipe, oferecendo uma perspectiva pouco convencional para solucionar crimes. Enquanto isso, usa seus novos recursos para investigar o desaparecimento de seu primeiro namorado, Roman, o pai de sua filha mais velha, que sumiu misteriosamente quando a menina ainda era um bebê.
Virou queridinha do público? Sim, ela é boa mesmo!
Já renovada para uma segunda temporada, a produção fez sucesso no streaming da Disney, recebendo 95% de aprovação dos especialistas no Rotten Tomatoes.
Baseada no seriado francês “Haut Potentiel Intellectuel”, Uma Mente Excepcional traz um senso de humor único, enquanto usa da inteligência de Morgan para resolver os casos mais difíceis da polícia.
Com uma mistura de drama e humor na medida certa, a produção conquista o público com leveza mostrando casos que parecem sem solução de uma maneira humana – e cômica – ao mesmo tempo que ensina uma “lição de moral” ao final de cada episódio.
Além disso, o espectador pode se identificar com temas de família, já que mostra Morgan lutando para dar o melhor aos três filhos como uma mãe solteira que trabalha fora.
Elenco de destaque!
Além de Kaitlin Olson no papel principal, o elenco conta com Daniel Sunjata (O Diabo Veste Prada) interpretando o Karadec, parceiro de Morgan com quem não se dá bem logo de cara; Javicia Leslie (Batwoman) dando vida à Daphne; Deniz Akdeniz (A Comissária de Bordo) vivendo Lev “Oz”; Judy Reyes (Devious Maids) como Selena; Amirah J (Shameless Hall Of Shame) como Ava, a filha mais velha de Morgan; e Matthew Lamb como o filho do meio.
O que vem por aí?
Com novos episódios todas as quintas-feiras, Uma Mente Excepcional está se aproximando de sua season finale. Anote as próximas estreias:
27 de março: Episódio 11 – A sauna no final da escada
03 de abril: Episódio 12 – Parceiros
10 de abril: Último episódio – Vamos jogar
Uma Mente Excepcional já está disponível exclusivamente no Disney+.
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“Vai ser uma jornada insana!”, afirma Jack Quaid, protagonista de “Novocaine: À Prova de Dor” em novo vídeo de bastidores divulgado hoje. No filme distribuído pela Paramount Pictures, Quaid é Nathan Caine, uma pessoa comum que convive com uma síndrome rara que faz com que ele não sinta dor. Para Jacob Batalon, ator que interpreta Roscoe, “o conceito de super-herói foi virado de cabeça para baixo”.
Confira o vídeo de bastidores abaixo:
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Sobre Novocaine: À Prova de Dor
No longa, a garota dos sonhos de Nathan (Amber Midthunder) é sequestrada e isso transforma sua incapacidade de sentir dor em uma vantagem inesperada na luta para resgatá-la. Ray Nicholson, Betty Gabriel, Matt Walsh, Lou Beatty Jr., Van Hengst e Conrad Kemp completam o elenco.
Distribuído pela Paramount Pictures, o filme tem direção de Dan Berk e Robert Olsen. O roteiro é assinado por Lars Jacobson, conhecido por “Dia dos Mortos” (2017) e “Herança Maldita” (2008).
“Novocaine: À Prova de Dor” chega aos cinemas brasileiros em 27 de março.
Serra das Almas, novo filme do cineasta pernambucano Lírio Ferreira, estreia em 24 de abril nos cinemas brasileiros, sendo uma coprodução entre Carnaval Filmes e Urso Filmes e contando com a distribuição da Imagem Filmes. O filme, que fez sua estreia mundial na Première Brasil do Festival do Rio em 2024 e venceu o prêmio Netflix na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, promete prender o público com sua trama intensa e repleta de camadas psicológicas.
Confira o trailer abaixo:
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Sobre Serra das Almas
Contando com Julia Stockler, Ravel Andrade, Mari Oliveira e David Santos no elenco, o longa tem ao centro um grupo de desajustados que se envolve em um roubo de joias, em Pernambuco. Ao longo de duas horas de muita tensão, a narrativa explora como as relações desses indivíduos com a morte e com seus próprios sonhos os conduzem por uma serra misteriosa, de atmosfera macabra. A Serra das Almas, que dá nome ao filme, se torna, assim, um local simbólico, capaz de refletir os destinos trágicos daqueles que ali se aventuram.
Serra das Almas estreia em 24 de abril nos cinemas, com distribuição da Imagem Filmes.
Um faroeste à lá brasileira. Este é Oeste Outra Vez, novo filme do diretor Érico Rassi (de Comeback – Um Matador Nunca se Aposenta) que estreia nesta quinta (27) nos cinemas e retoma suas discussões tão características sobre os efeitos tóxicos da masculinidade em cenários áridos e escassos para falar sobre realidades tipicamente brasileiras.
Vencedor dos prêmios de Melhor Filme e Melhor Fotografia no Festival de Gramado e com distribuição da O2 Play Filmes, o redator Rafael Oliveira conversou com Tuanny Araujo, Daniel Porpino e Antônio Pitanga sobre o filme, seus personagens e o que tudo isto representa para o momento atual do cinema nacional.
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Entrevista exclusiva com Tuanny Araújo, Daniel Porpino e Antônio Pitanga de ‘Oeste Outra Vez
Rafael: Primeiramente, quero parabenizar a todos vocês pelo filme! Eu assisti ele duas vezes, uma na Mostra de SP e outra na Mostra de Tiradentes, e acredito que nas duas mostras tenha sido meu filme favorito, estou pregando a palavra de Oeste Outra Vez por onde passo! E eu quero começar falando com você, Tuanny. Apesar da sua personagem, a Luísa, ter alguns poucos segundos de tela, ela tem uma das imagens mais emblemáticas do filme, que é quando ela abandona aqueles homens que estão se digladiando, e sem olhar para trás. E mesmo assim, ela é alguém onipresente pelo filme inteiro. O que você acha que sua participação e presença representam sobre o filme?
Tuanny Araújo: Essa presença na ausência, essa mulher que simplesmente vai, ela escolhe ir. Eu acho que ela comunica muito para quem assiste. Não só para a obra, mas principalmente para quem assiste, porque é como se… é quase como se fosse um convite, sabe? Eu acho isso muito poderoso. E no filme eu acho que a maneira como ela simplesmente sai, se coloca, sem ter uma imagem de alguma violência sofrida, como a gente vê, que é muito costumeiro, né? Então, não tem essa transcrição dessa realidade para a obra de ficção.
O Eric foi muito sensível nessa parte. Embora tenha outras transcrições, a gente vê esses homens nos bares que se relacionam com as bebidas, então é isso, se chama muito pela bebida, que a gente encontra em qualquer lugar do nosso território. Agora, a imagem da violência que a gente também encontra em qualquer lugar do território, a mulher vulnerável a essa violência masculina, não está ali no filme.
Então, essas outras ausências que também não estão no filme, eu acho que elas são muito significativas, porque eu acho que elas renovam o nosso olhar sobre essa possibilidade, a gente coloca a personagem feminina em outro lugar, essa presença meio fantasmagórica, que ronda ali aqueles universos, e que ela está simplesmente na sua trilha, no seu caminho, e que fica cada um ao desejo de continuar essa história.
E eu acho que essas reticências, elas são muito individuais. Como é que essa história continua? Porque as pessoas perguntam o que ela fez. Ela volta? Ela quer? Não quer? Ela fica? Por que ela largou um? Por que ela escolheu o outro? Por quê? Esses porquês, acho que eles são muito poderosos. Porque aí cada um vai preencher da sua maneira. Ou não preencher, mas acho que só a pergunta, ela já é muito reveladora.
Rafael: E Daniel, o seu personagem, que é o Antônio, ele é mergulhado num tipo de hipocrisia que é tipicamente masculina. Ele também vem de um abandono de uma mulher que ele diz que ama, e que finge que não se importa, mas na verdade ele se importa muito. E ele mantém essa relação de afetividade, mas nunca homoafetiva até onde vemos, e meio distante com o Domingos, que é o personagem do Adanilo. Como foi sua preparação para acessar esses lugares e sentimentos de hipocrisia masculina e a construção de um laço de confiança com outro personagem masculino em cena?
Daniel Porpino: Cara, interpretar o Antônio foi uma trajetória de muitas mãos juntas, porque apesar de que o personagem, digamos, é delegado a um ator, as contribuições são múltiplas, né? Desde quando a gente tá num camarim provando um figurino, esse personagem vai se materializando na literalidade do que ele veste, do que ele manuseia, de como é a figura dele e tal.
Desde a conversa com a direção, nós tivemos uma preparadora que foi a Luciana Canton, que também conversou com a gente sobre quem esse cara poderia ser num ponto de vista mais subjetivo, de encontrar essa memória dessa Gracinha, que é a esposa que o abandonou e o que isso deixou de marcas nesse cara. Então na hora que ele mata o cara, o atual marido da ex-esposa dele, que vem com aquela luz da fogueira e aí daqui a pouco ele vai sumindo e fica só um contorno, ele é isso, ele é um homem cheio de vazio, ele tem um vazio ali, e o que é que alguém vai dar se não tem preenchimento nenhum, o que é que essa pessoa vai dar pra alguém?
E nessa relação com o Domingos, que é interpretado pelo Adanilo, tem essa relação de parceria, mas ao mesmo tempo ela se revela muito contraditória, muito humana também nesse sentido. Porque ele é o cara que ele tem pra conversar, se é que dá pra chamar de conversa. O que acontece entre eles, é uma conversa que não é conversa, é um diálogo que precisa acontecer, mas não acontece. Ao mesmo tempo que ele vai usar o cara como escudo humano.
O único ser que tá ali acompanhando esse cara nessa trajetória, que tá perguntando o que ele quer fazer, toda essa história, ele usa o cara como escudo humano quando o negócio aperta. Então é um cara que vive essa amargura. Ele se vê ali numa saga que está buscando matar alguém, nesse meio de conversa ele encontra outra pessoa a quem ele deseja matar, que é o marido da sua própria esposa. Então ele se confronta com sua própria história de forma um tanto inesperada. E ao mesmo tempo a gente tinha uma direção muito precisa do Érico, que era uma direção que queria uma chave de interpretação que traduzisse um pouco a aridez do local, a aridez dessas relações.
A gente, ator, que às vezes gosta de dar muito, de improvisar, de colocar em cena tanta coisa, essa contenção, ela é um desafio à parte, ela é um desafio formal também no fazer do filme. Então foi muito desafiador em todos esses sentidos. E esse aspecto que você fala, dessa macheza, dessa hipocrisia masculina, eu acho que nem precisou, digamos assim, em termos de interpretação, eu vender essa hipocrisia. Eu acho que ela está na matriz do filme, sabe?
E ao mesmo tempo que ele lida com a própria história, tratando a esposa como uma propriedade, ele lá na frente vai dizer para o Totó, como é que pode roubar uma mulher? Isso não se faz. Não é possível fazer isso. Então essa contradição, essa hipocrisia dele está presente na própria obra, sabe? Os próprios acontecimentos, mesmo em uma atuação, uma chave um pouco mais fria, mais contida, ela aparece, porque ela é o grande assunto da gente ali. Essa fragilidade masculina que não sabe se perceber quem sou eu. Não se percebe. E esse vazio acaba levando esses homens para essa tragédia da violência.
Rafael: E Antônio, seu personagem, o Ermitão, ele entra mais à frente no filme, e ele talvez seja o mais misterioso de todos os homens. Nós não sabemos quase nada dele, mas vemos algumas coisas sendo pinceladas sobre ele pra manter o personagem nessa posição de um homem que tem algo a esconder. Como você acha que a entrada do Ermitão contribui pra história e narrativa do filme?
Antônio Pitanga: O filme já é um prêmio, né? Fazer esse personagem, esse filme. E esse personagem de tantas mortes morridas e tantas vidas vividas. E todas as coisas, todas as caminhadas, ele está cercado de bebidas, tá entendendo? Até vinha um pouco da família, para enquadrar ele. E ele ter a possibilidade, com essa vivência, de achar a saída. Mas ele é conhecedor, né? E aí chega um momento que quase que ele deposita as armas e diz, eu quero uma mulher pra cuidar de mim.
Você vê a pessoa chegar na curva descendente para poder dizer isso. Ele é um personagem que pra você entender o Erico conversando e falando do personagem, essa desconstrução de tantos personagens, de tantas vidas do Antônio Pitanga, vividas, feitas, personagens e tal, para fazer esse personagem se construir, desarmar, e aquele biombo, aquele cafofo, aquele pequeno espaço, é muito o que você falou das caminhadas, da vida dele, da vida vivida e da vida morrida.
Porque ele viveu e morreu tantas vezes, e viveu tantas vezes, e talvez ali seja o último momento dele respirar. É um personagem muito bonito, e que tem uma importância muito grande na história, no resultado da história do Oeste Outra Vez. Eu acho que muitos homens, eu vejo o seguinte, eu jogo bola, vou fazer 86 anos, jogo três vezes por semana quando estou no Rio, segunda, quinta e sábado, e vejo muita gente que viveu todas as vidas, e ele esqueceu de viver a dele. Então eu acho que ele é o resultado de vidas vividas e de vidas morridas.
Rafael: Para finalizar, Oeste Outra Vez está chegando aos cinemas num momento muito frutífero pro audiovisual nacional. Acabamos de voltar de uma vitória no Oscar e temos um filme com Fernanda Montenegro em primeiro lugar nas bilheterias do Brasil, desbancando produções com muito mais dinheiro. O que vocês acham que Oeste… um filme western, um filme sobre essas masculinidades, representa para esse momento tão especial e único no cinema nacional?
Daniel Porpino: Penso que representa uma diversidade de quantos olhares diferentes o nosso cinema pode ter. O cinema brasileiro pode ser urbano, pode se passar numa grande metrópole dentro de um escritório, pode se passar no meio da chapada dos veadeiros, pode transitar por temas históricos importantes, como a gente viu agora a ditadura militar, pode falar de um aspecto humano, como o Oeste fala, dessa masculinidade, dessa forma de ser de homens no mundo. Pode sonhar, pode ir para outro planeta.
Então, eu acho que o Oeste pode trazer essa ideia de que, nossa, como a gente pode contar histórias diferentes e mostrar esses pequenos Brasis para mostrar como o Brasil é gigante. Sabe? Mostrar essas regionalidades, essas coisas, esses diferentes cenários, e mostrar o quão gigante o nosso cinema pode ser, representando a grandeza do nosso Brasil, da cultura brasileira.
Tuanny Araújo: Eu acredito muito, assim, não só no poder, mas no potencial de tantos e tantos profissionais envolvidos que muitas vezes estão fora desse radar, vamos dizer assim, né? Tem um eixo que a gente sabe que impera, o eixo de São Paulo. E eu acho que o Oeste vem apresentar pra gente a potência, a grande potência da nossa brasilidade, da nossa contação de histórias. E eu acho que isso mostra que se houver acesso, recursos, a gente é capaz de fazer com que a história do cinema brasileiro continue fazendo a gente vibrar e dando alegrias, como tem dado.
Eu acho que junto a isso também é um momento para a gente refletir sobre os outros passos que são importantes para manter esse cinema aceso e vivo. Então, a formação de plateia, como o Dani falou em outra entrevista, a gente aumentar a quantidade de salas dentro dos nossos territórios. Com essa força coletiva e conjunta, para a gente continuar mostrando para a gente mesmo, o poder da nossa criação. Eu acredito muito no nosso cinema e eu confio que as próximas estações que estão por vir aí vão ainda nos fazer ficar muito orgulhosos, sabe?
Antônio Pitanga: O cinema brasileiro já deu prova. Já veio de uma estrada de formação de plateia dentro do cinema novo. E tivemos grandes filmes como Deus e o Diabo na Terra do Sol, Barra Vento, que eu fiz com o Muralda, Marco Naíma, do Joaquim Pedro, Dom Bernardo, de Leon Richman, Vidas Secas, do Nelson, Deus é Brasileiro, Bye Bye Brasil, e tendo a originalidade brasileira que não existe em nenhum país do mundo que tenha a potência, a pegada cultural desse cinema brasileiro, de várias culturas, de povos originários, de povos africanos, sequestrados, escravizados, que trouxeram sua cultura para a África, mãe África, na culinária, na música, na dança, então é um cinema que tem ali uma riqueza enorme.
Então eu vejo que esse cinema está chegando. A única coisa que eu realmente ainda peço, a cultura tem que ser um projeto de nação. Tudo isso é baixo orçamento. É a criatividade do Erico, de toda uma equipe, do Martimundo, o próprio cara que é um dos caras mais ricos do Brasil, o Walter Salles. Ele faz um filme de 50 milhões. Eu fiz um filme, Malês, de 17 milhões, um filme de época. Então, se aqui eles estão projetando para 100 salas, poderia estar em 500 salas, 300 salas. Então, o Oeste Outra Vez, com Ainda Estou Aqui e Vitória, são primos e irmãos de novas platéias, de pipoqueiros, das pessoas que vão pra ver o cinema.
Tô vivo e aí hei de viver mais 15 ou 20 anos para chegar a 100, para ver o que o cinema brasileiro está fazendo, essa proposta e esse chamamento. Eu acho que está na hora de a gente trabalhar, fazer um movimento para que essas leis e que esse projeto sejam de nação. O cinema americano desde cedo entendeu que o cinema é o melhor e o mais importante produto promocional de marketing de um país. É o tesouro que bancava. Agora já tem a indústria, mas bancaram o cinema americano.
Quer dizer, a gente até acreditou que havia uma democracia, o mito da democracia racial nos Estados Unidos. Então eu acho que essa cultura, quer dizer, o cinema é hoje um braço importante de promover um país.
Sobre Oeste Outra Vez
A história de Oeste Outra Vez acontece no sertão de Goiás e acompanha Totó (Ângelo Antônio) e Durval (Babu Santana), dois homens brutos que após serem abandonados pela mesma mulher, se voltam violentamente um contra o outro. A narrativa aproveita os elementos de um western para tratar temas como solidão e homens incapazes de lidar com suas próprias fragilidades.
No 52º Festival de Cinema de Gramado, um dos mais importantes do Brasil, que desde 1973 premia anualmente os melhores e longa-metragens do ano, o drama foi premiado como Melhor Filme, Melhor Fotografia e Melhor Ator Coadjuvante com Rodger Rogério.
Oeste Outra Vez também estará presente na 16ª edição da Mostra O Amor, a Morte e as Paixões de Goiás no próximo dia 23 de fevereiro. A exibição contará com a presença do diretor e elenco. O longa também teve sua estreia antecipada para 6 de fevereiro em Goiás.
O longa estreia dia 27 de março nos cinemas brasileiros.
Sabe aquela sensação de que a vida está passando diante dos seus olhos, como se você fosse apenas um espectador, sem saber como ou sequer se pode interferir? Essa angústia é ainda mais intensa para o homem gay na casa dos 30. A crise da vida adulta, a dificuldade em construir conexões verdadeiras em uma era de sexo descartável, a solidão de não se sentir pertencente — nem mesmo quando achava que, ao crescer, finalmente encontraria seu lugar. Olhar para a idade que seus pais tinham quando você nasceu e se perguntar onde foi que você ficou para trás, sem corresponder às expectativas deles.
Essas questões atravessam o drama LGBT+ estadunidense Maré Alta (High Tide), estrelado por um brasileiro e dirigido por um italiano, que escancara uma verdade dolorosa: quando o amor perde a adrenalina, o que fica é um rastro de destruição, como um tornado de categoria 5. O filme mergulha no clichê do “drama gay”, mas o faz com uma honestidade desarmante, afeto genuíno e um estilo cinematográfico refinado. Uma surpresa que vai direto no coração.
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Os acertos e erros de Maré Alta
Maré Alta não é um filme simples. Com um drama adulto e um recorte preciso de uma fase da vida em que um homem ainda busca seu caminho, o longa do italiano Marco Calvani segue um ritmo próprio, sem jamais se tornar cansativo. Calvani conduz uma montanha-russa emocional, contrastando sentimentos intensos com paisagens solares deslumbrantes, enquanto narra uma jornada de autodescoberta e a busca por um lugar onde seja possível finalmente se sentir pertencente.
Após deixar o Brasil para viver com o namorado nos Estados Unidos, Lourenço (Marco Pigossi) vê seus planos desmoronarem. Abandonado pelo parceiro, longe de casa e com o visto prestes a expirar, ele conhece Maurice (James Bland), um americano carismático que o força a encarar seus medos e se reconstruir em meio às cicatrizes das frustrações. Daí, nasce um novo amor genuíno, inesperado e devastador.
O roteiro mergulha em uma melancolia densa e uma solidão cortante, reforçadas por uma fotografia lavada e intencionalmente sem vida e uma trilha constante, que traduz o peso dessa história de amor complexa. Há quem diga que relacionamentos homoafetivos são mais simples, mas a verdade é que eles carregam inúmeras camadas. Lourenço se vê rejeitado por alguém que ama, deixado sozinho em uma terra estrangeira — e, ainda assim, sabe que voltar para casa não seria fácil. Sua mãe, extremamente religiosa, ainda não sabe (e provavelmente jamais aceitaria) que ele é gay.
Entre a faxina de uma casa e noites de sexo sem afeto, tudo o que Lourenço parece desejar é ser levado pelo mar — para longe, para algum lugar que finalmente possa chamar de lar. Para quem não acompanha a carreira de Marco Pigossi para além do galã, sua atuação será uma revelação. Ele se entrega ao papel de corpo e alma, com um olhar carregado de um universo de sentimentos, transmitindo a fragilidade de um cachorro abandonado e a profundidade de quem carrega uma dor silenciosa. É difícil não se emocionar.
A relação entre Pigossi e o diretor — que também é seu marido — adiciona uma camada extra de intimidade e autenticidade à obra, potencializando os sentimentos e as verdades que o filme busca explorar. James Bland, no papel do doce e naturalmente sedutor Maurice, é uma peça-chave para o funcionamento da narrativa. Sem ele, o filme certamente perderia parte de sua força.
Bland ainda traz uma camada poderosa ao abordar o racismo em conversas que tornam o filme ainda mais impactante e relevante. Sem falar na química explosiva entre Bland e Pigossi — a tela praticamente pega fogo com uma nudez discreta, mas carregada de afeto e desejo.
Calvani demonstra domínio técnico na direção, com belos planos-sequência, diálogos afiados e um controle preciso do ritmo. Em vários momentos, o filme lembra a cinematografia de Luca Guadagnino — especialmente em Me Chame Pelo Seu Nome e Queer — seja pelo uso das paisagens ensolaradas ou pela representação da solidão do homem gay. Essa homenagem sutil é perceptível e funciona bem, criando um diálogo elegante entre as obras, como se compartilhassem um mesmo código emocional, compreendido apenas por quem já viveu essas histórias de amor de verão.
Com mais de 95% dos diálogos em inglês, Maré Alta preserva a essência do cinema LGBT+ brasileiro — evocando o realismo cru de Baby e Praia do Futuro —, mas com um toque de charme do cinema estrangeiro, que reforça o isolamento social e emocional do protagonista, aproximando o público de sua jornada interna.
Apesar disso, alguns núcleos não funcionam tão bem ou não têm tempo suficiente para se desenvolver, como o da ótima Marisa Tomei, um suporte maternal para o protagonista, cujo talento acaba sendo subaproveitado. Sua presença é marcante (como sempre!), mas a falta de profundidade no desenvolvimento de sua personagem deixa a sensação de que seu potencial foi desperdiçado.
Veredito
Em certo momento, um personagem diz que, quando decidimos ir embora, instantaneamente encontramos um motivo para ficar. E essa é exatamente a sensação que Maré Alta provoca — uma vontade de permanecer ali, mergulhado na história, nos personagens, de ver mais, saber mais e se deixar levar por esse oceano de amor honesto, dor crua e melancolia.
É um filme doce, sexy, mas também um drama adulto gay que não hesita em partir seu coração em pedaços. Porque, no fim, não é assim que a vida funciona? Às vezes, é preciso se destruir para reconstruir algo a partir das ruínas.
Marco Pigossi se firma como um ator brasileiro de peso em uma carreira internacional promissora. Maré Alta é um filme de verão com alma melancólica, ecos de Luca Guadagnino e uma honestidade emocional que ressoa mesmo depois que a maré baixa.