Crítica | 13 Sentimentos – A jornada de amadurecimento de um homem gay adulto

Amar alguém e despir-se de suas inseguranças já é um desafio; agora, imagine encontrar a coragem para encerrar algo que, no início, parecia tão eterno? É nesse cenário que se desenrola 13 Sentimentos, o novo filme de Daniel Ribeiro, que vem na esteira do já cultuado Hoje eu Quero Voltar Sozinho.

Curiosamente, este novo trabalho funciona como uma resposta a 45 Dias Sem Você, lançado em 2018 pelo diretor Rafael Gomes, ex-namorado de Ribeiro. Como uma verdadeira lavação de roupa suja em forma de filme, esta comédia romântica surpreende ao ser permeada por tanto amor e carinho, que transborda os sentimentos profundos e a montanha-russa emocional de um relacionamento de longa data.

Afinal, o amor genuíno floresce mesmo é na convivência, assim como os nossos piores pesadelos. 13 Sentimentos é uma obra agridoce e realista sobre as relações contemporâneas, mas peca por romantizar demais a simplicidade do sexo.

Os acertos e erros de 13 Sentimentos

Mais maduro e adulto do que o coming-of-age Hoje eu Quero Voltar Sozinho, o novo filme revela o crescimento de Daniel Ribeiro como cineasta, evidenciando uma direção mais controlada e eficiente, ainda que a história seja muito menos envolvente desta vez. Em 13 Sentimentos, acompanhamos João, um cineasta jovem adulto e frustrado, navegando pelo período pós-término de seu relacionamento com Hugo. João percebe que o que restava entre eles era mais amizade do que romance, decidindo assim seguir sua vida sozinho.

No entanto, reentrar no mundo das relações modernas e efêmeras desafia seu desejo por uma vida controlada. João se vê perdido ao lidar com homens mais abertos que ele, buscando um amor verdadeiro em um cenário de superficialidades. Ribeiro, com isso, oferece uma crítica social sutil e mordaz ao “mercado da carne” do universo gay, embora acabe por comer do mesmo prato ao longo do filme.

Enquanto luta para tirar seu filme do papel e realiza trabalhos secundários para pagar o aluguel em uma São Paulo cara, o roteiro brilha ao trazer à tona o cotidiano de alguém que persegue seus sonhos enquanto equilibra a vida amorosa e profissional, enfrentando os sacrifícios necessários para sobreviver. Ele também captura a solidão e união da comunidade LGBT+.

A história se desenrola após a superação de uma separação, com os sentimentos já digeridos e processados, e a narrativa foca em seguir em frente. Não há dor presente, mas uma constante sensação de que algo novo precisa ser abraçado. O filme transmite uma beleza serena no sentimento de paz de espírito e maturidade, inspirando os espectadores a enfrentarem seus medos e saírem de suas zonas de conforto. Neste mundo moldado pelas relações humanas através das telas, o protagonista, que dá um pouco de preguiça de início, se redescobre e também redescobre o sexo.

Artur Volpi, um ator excelente, rouba a cena sempre que aparece, capturando com naturalidade todas as nuances emocionais de João, um mérito também da direção eficiente de Ribeiro. Os demais personagens, entretanto, são um tanto monocromáticos, servindo apenas como base de diálogo para João. Falta desenvolvimento, especialmente entre os personagens mais próximos ao protagonista (que são os melhores do filme!), mesmo que o foco central seja, de fato, nas aventuras românticas do nosso herói.

O filme transmite a sensação de querer abordar muitos temas, mas sem o tempo necessário para explorá-los adequadamente. Por vezes, se mostra superficial em suas abordagens românticas, enquanto em outras ocasiões se prende excessivamente às críticas à sociedade gay atual, sem nunca ser suficientemente ácido para oferecer uma crítica contundente sem parecer piegas e cafona. Mas as cenas de sexo, especialmente no desfecho, são bastante quentes e guardam o ápice da trama.

Veredito

Repleto de diversidade e uma montanha-russa emocional que dialoga com a realidade contemporânea, 13 Sentimentos segue a jornada de amadurecimento de um homem gay adulto no turbulento mundo das relações carnais. No entanto, falta coragem para sair da zona de conforto de uma comédia romântica convencional.

Apesar de prometer uma vasta gama de sentimentos no título, o filme aborda apenas superficialmente alguns deles. O grande mérito reside na maneira crua e autoconsciente com que o roteiro revela o que vem depois de um coração partido, mostrando que nem todo amor termina em dor. Um trabalho picante, divertido e criativo de Daniel Ribeiro, mas que oferece apenas um recorte limitado de um universo muito mais complexo.

NOTA: 7/10

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