Crítica | A Queda da Casa de Usher – Legado de Poe em nova obra-prima de Mike Flanagan

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Depois de tantas minisséries fantásticas, Mike Flanagan entrega em A Queda da Casa de Usher (The Fall of the House of Usher) o inesperado. Se a sua expectativa era uma transposição direta do clássico do rei gótico Edgar Allan Poe, prepare-se para uma reviravolta digna do mestre do suspense da Netflix.

Esta série é uma declaração de amor ao autor, mas com um delicioso twist Flanaganiano. Utilizando a narrativa icônica como a espinha dorsal, a trama se desenrola em um bordado de outras histórias emblemáticas do universo peculiar de Poe, transformando a tal “casa” em um verdadeiro baú de horrores que impossível não querer desvendar.

A trama e o elenco de A Queda da Casa de Usher

A genialidade de A Queda da Casa de Usher reside na costura destas histórias. Não se trata de simples homenagens isoladas; cada capítulo é meticulosamente entrelaçado ao núcleo da trama. A árvore genealógica da família Usher se expande, cada membro com suas sombrias peculiaridades e segredos que se desvelam à medida que a série avança. Desde o voraz apetite do patriarca Roderick Usher (Bruce Greenwood) até a complicada teia de relações familiares, os espectadores são mantidos à beira de seus assentos a cada novo capítulo.

É claro que um elenco estelar é fundamental para tal façanha e a trupe de Flanagan está de volta. Cada nome mencionado desempenha um papel crucial, e as performances são, sem sombra de dúvida, primorosas. Kate Siegel, Carla Gugino, Mark Hamill, Mary McDonnell, Ruth Codd e os demais dão vida e profundidade a personagens que poderiam facilmente se tornar caricaturas em mãos menos habilidosas. E, para aqueles versados nas obras de Poe, cada introdução é um aceno astuto ao autor e aos seus contos macabros que marcaram gerações.

Uma marca registrada de Flanagan, seu fiel elenco retorna com força, mergulhando em personagens que desafiam e expandem seus alcances anteriores, provando que a versatilidade é a chave. De A Missa da Meia-Noite a A Maldição da Residência Hill, eles sempre nos surpreendem, e aqui não é exceção.

Visualmente, a série não fica atrás. A parceria de longa data entre Flanagan e Michael Fimognari brilha mais uma vez, equilibrando sustos sutilmente construídos com aqueles que fazem o coração pular. A decadência da casa Usher serve como palco para uma montanha-russa emocional e visual, onde o passado e o presente colidem em um balé de terror brilhante.

A crítica à sociedade contemporânea surge de forma sutil, porém, bastante impactante. Fortunato, uma clara metáfora das corporações farmacêuticas, e a obsessão de Madeline pela imortalidade, soam alarmantes e absurdamente reais. Em um mundo dominado pela tecnologia e ganância, Flanagan consegue tornar Poe mais relevante do que nunca, sem deixar de lado sua essência tenebrosa.

Veredito

De fato, A Queda da Casa de Usher é uma masterclass em storytelling, uma obra-prima sombria que cimenta Mike Flanagan como um dos grandes contadores de histórias de sua geração. Reimaginando Poe para o século XXI, Flanagan nos lembra por que amamos ser assustados. E se Poe estivesse vivo hoje? Bem, é provável que ele aplaudisse de pé. Prepare-se para uma maratona, porque esta é uma queda da qual você não vai querer se levantar tão cedo. Netflix encontrou a sua Succession.

NOTA: 9/10

Leia também: A Queda da Casa de Usher | Quem é a misteriosa Verna? Entenda o final da série da Netflix


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