Crítica | Tem Alguém na sua Casa – Um slasher sobre a cultura de cancelamento

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O subgênero slasher está retornando com força ao cinema colegial moderno e não é para menos que os grandes investimentos estejam vindo da Netflix – a nossa grande locadora de vídeo da atualidade. Após a ótima trilogia Rua do Medo, agora sua nova aposta é Tem Alguém na sua Casa (There’s Someone Inside Your House), baseado no livro homônimo da autora Stephanie Perkins e produzido pelo mestre James Wan (Maligno, Invocação do Mal).

Ao seguir a convencional premissa no melhor estilo Pânico e Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado – com o ótimo adicional de ser para maiores de 18 anos (ainda que tenha pouca violência que justifique essa classificação alta) – sua maior qualidade está mesmo na diversão que proporciona no espectador e o mistério que desenvolve em torno de quem é o tal assassino “justiceiro”. Um prato de “feijão com arroz” temperado com dilemas teen contemporâneos e que aceita o que muitas obras relutam: reinventar não é tarefa fácil e tentar é cansativo.

A trama e o elenco

O enredo segue uma estudante do último ano, Makani (Sydney Park), depois que seus colegas de classe se tornaram alvos de um assassino desconhecido. Esse mesmo assassino tem a intenção de expor os segredos mais sombrios de todos da pequena cidade. Isso faz com que os personagens não apenas se perguntem quem é o assassino e quem pode ser a próxima vitima; mas que segredos todos guardam. Um típico jogo de moralidade que recheia a fórmula e agrega boa dose de crítica social à trama.

Com muito sangue na sequência de abertura, o longa estabelece com eficiência o caminho que a história irá seguir, mas acaba por apressar seu ritmo em direção ao clímax, desenvolvendo precariamente seus inúmeros e complexos personagens. Por um lado, essa correria evita o tédio, porém, há nuances tão boas e promissoras no grupo protagonista, que fica a sensação de que o filme teria sido melhor aproveitado caso fosse uma série de streaming.

Por falta de novidades e uma trajetória mais engenhosa, o roteiro de Tem Alguém na Sua Casa teria melhorado muito se houvesse um maior desenvolvimento dos personagens. Por exemplo, quando a terceira vítima morre, não há história suficiente para realmente nos importarmos com ela. As mortes, no geral, rendem boas sequências de suspense – perfeitamente dirigidas e elaboradas -, mas são superficiais e embriagadas de clichês típicos do gênero.

As reviravoltas, por sua vez, funcionam, mas o excesso de pistas falsas acabam por ter o efeito contrário: depois de meia hora de filme, já é possível identificar que a identidade do assassino não é quem está nos holofotes. Aliás, essa é uma das mudanças em relação ao livro.

Sydney Park (Moxie) tem carisma, mas é criado um mistério tão grande sobre o passado de sua personagem que a resolução acaba por deixar a desejar. Por outro lado, o elenco jovem é ótimo, diverso e repleto de representatividade, que acerta também no senso de humor ácido, remetendo à elegância de obras mais complexas/sombrias como Euphoria.

A direção

A composição dos cenários e o desenvolvimento da atmosfera de expectativa são os pontos mais altos da direção de Patrick Brice (do ótimo Creep), fora o uso divertido de planos na vibe do cinema dos anos 80/90, com o serial killer à espreita nos cantos escuros dos ambientes. É visível que o cineasta conhece o público alvo e, com isso, se torna muito mais fácil entregar algo sólido e coerente, reforçado por personagens mais envolventes que a grande maioria dos filmes de terror da Netflix.

Conclusão

Com isso, Tem Alguém na sua Casa não reinventa a estrutura padrão da qual é inspirado, mas acaba por ser um filme slasher bem realizado, com ótimos personagens contemporâneos e reviravoltas que nos mantém investidos. E para dar ainda mais sabor aos litros de sangue gastos, o roteiro faz uma divertida e pontual analogia à temida cultura do cancelamento.

As ideias são boas e a execução – ainda que apressada e ofuscada por outras obras recentes, como a trilogia Rua do Medo – entrega a desejada energia frenética dos clássicos dos anos 90. Obviamente não há muito espaço para surpresas e a revelação do assassino deixa a desejar, mas a jornada até lá não é uma tragédia.

Nota: 7/10


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