Tem franquias que se estendem por tanto tempo, que nem mesmo sabemos que elas ainda existem de fato, como é caso de ‘O Atirador’, que começou lá em 1993, com Tom Berenger vivendo um lendário atirador da Marinha, e segue firme (porém não tão forte assim) até os dias de hoje, sendo lançado em 2017 (e chegando agora ao catálogo da Netflix) o sexto e último filme até então, ‘O Atirador: Extermínio Final’ (Sniper: Ultimate Kill). Como se pode ver, não é apenas o título que se tornou absurdamente genérico, já que as tramas foram ficando cada vez mais simples, diretas e repetitivas, um reflexo da enorme falta de criatividade dos roteiristas, que parece ter chegado ao seu auge.

Apesar de não ser mais o protagonista de seu próprio filme desde o quarto longa, Berenger se mantém na franquia como uma espécie de tutor ao novo astro sem sal que tomou seu posto, o ator Chad Michael Collins, que segue a vibe Daniel Craig em ‘007’ e parece já nem ao certo saber o motivo de continuar retornando para o papel, principalmente por estar cada vez mais sendo deixado de escanteio pela trama, como acontece em ‘Extermínio Final’, cujo tal atirador do título é muito mais sobre o vilão da história do que sobre o mocinho americano justiceiro. Aliás, dessa vez o cenário é a Colômbia e, tanto o roteiro superficial, quanto a direção destrambelhada, decidem que a melhor forma de mostrar os latinos é estereotipando ao extremo seu estilo de vida, felizmente, ao menos a fotografia não se torna amarelada quando a história sai dos Estados Unidos, como acontece com ‘Rambo 5’, por exemplo, entre infinitos outros.

Nesse contexto de mocinho americano que precisa deter um poderoso (e 100% estereotipado) bandido latino, em sua terra natal, a trama se desdobra sem se aprofundar muito em basicamente nada além de criar situações em que ambos precisam trocar tiros a longas distâncias. Os personagens são tão rasos e superficiais que um banco de areia é mais profundo, especialmente o protagonista, com poucas falas e sem muito destaque. Mesmo sabendo que o personagem já foi amplamente explorado em outros filmes, esse, apesar de ser uma sequência direta dos eventos de ‘O Atirador Fantasma’, funciona perfeitamente como uma história isolada e, por conta disso, peca em não dar camadas aos protagonistas, que se tornam um conjunto de nada, sem importância e facilmente descartáveis. Até o esquecido astro de Hollywood, Billy Zane (Titanic), retorna apenas para soltar poucas frases de efeito, sendo mais um descarte fácil.

Por outro lado, essa simplicidade do roteiro é até boa, sem enrolar muito, segue direto ao ponto e, através disso, mantém um bom ritmo, ainda que tenha excessivas cenas de passagem de tempo com céu e nuvens para preencher as lacunas da história que praticamente renderia um curta de tão estúpida e limitada. Se a trama acerta em ser dinâmica e descomplicada, a direção de Claudio Fäh, veterano da franquia, tenta ao máximo ser mais sofisticada do que de fato é, e se perde nessa busca, entregando cenas precárias de ação, sequências mal filmadas e momentos em que a ideia se sobressai ao que a produção consegue realizar. Salva por uma ou outra cena em que o diretor consegue, mesmo que levemente, criar um clima de suspense e segurar a tensão.

Com isso, ‘O Atirador: Extermínio Final’, apesar de integrar uma franquia que ninguém se importa, dos anos 1990, funciona isolado, mas é frustrante como desperdiça seu elenco, suas locações e seus personagens com uma história tão clichê, superficial e estereotipada. A tentativa de dar um novo gás a franquia definitivamente é abatida pela falta de inspiração do roteiro e da direção, que mira em filmes como a franquia Bourne, mas o tiro acaba saindo pela culatra.

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