Certamente você já ouviu o nome de Marielle Franco por aí nos últimos dois anos. Uma das figuras mais influentes do país, eleita com mais de 46 mil votos, foi a quinta candidata mais votada no município do Rio de Janeiro e a segunda mulher mais votada ao cargo de vereadora na história do Brasil. Tudo isso por conta do seu enorme trabalho e dedicação à população mais fragilizada, aos negros, pobres e favelados que, na grande maioria das vezes, são deixados de lado pelos políticos.

Seu nome só não foi mais poderoso que sua presença. No entanto, Marielle foi assassinada a sangue frio, junto com seu motorista e amigo Anderson Gomes, na noite de 14 de Março de 2018, após sair de um evento no centro do Rio. Sua morte misteriosa (e ainda sem respostas) veio a se tornar uma das maiores, senão a maior, investigação criminal do Estado do Rio de Janeiro, além de enorme comoção por parte da população, da mídia e das autoridades internacionais, na tentativa que o caso seja esclarecido.

Esse mês completa exatamente dois anos da execução e como forma de lembrança do ocorrido, a Rede Globo lançou ‘Marielle: O Documentário’ na sua plataforma de streaming Globoplay, uma minissérie de 6 episódios que traça, nos mínimos detalhes, a vida e a morte da vereadora, que também conta com a direção de Caio Cavechini (Carne e Osso) e produção executiva de José Padilha (Tropa de Elite).

Pensando na enorme importância que Marielle teve e ainda tem para o Brasil, separamos aqui na Redação do Pipocas 5 motivos, entre muitos, pelos quais a minissérie documental é tão valiosa para se compreender o nosso atual momento.

1- Uma jornada sobre sua infância e juventude

Antes de entrar para a política e se tornar o fenômeno que é hoje, ainda maior após sua morte, Marielle nasceu e cresceu em uma favela do Complexo da Maré, no subúrbio carioca. Desde muito nova já era visível sua forte presença na comunidade e seus esforços para fazer a diferença. O documentário mostra, ainda que de forma resumida, alguns detalhes da sua infância pobre e sua juventude sendo uma mulher negra e lésbica. Vemos vídeos de sua festa de quinze anos e ficamos por dentro de histórias divertidas, contadas por sua mãe e irmã. Para saber mais da vida pessoal da vereadora que recebeu mais votos em 2018 no Brasil, vale a pena a jornada.

2- Uma força da natureza

Diversas cenas extraídas de vídeos de arquivo mostram o dia-a-dia de Marielle na câmara dos vereadores, no Rio de Janeiro, e sua voz potente, que a diferencia dos comuns homens brancos heterossexuais que dominam o local. Sempre ativista e destemida, ela enfrenta seus oponentes e não leva desaforo para casa. “A voz de mulher também vale aqui, não é só de homem não…” ela diz em determinado momento. Além disso, diversas conversas com a viúva Mônica Benício mostram como era a dificuldade dela de ter que lidar com tanta indiferença, racismo e preconceito na política e, ainda assim, se manter forte e ativa sem se abalar. Os episódios mostram a influência da vereadora na vida de todos ao seu redor e como sua morte se transformou em um símbolo de luta, esperança e resistência.

3- A dor da perda para quem fica

O tom do documentário é melancólico e mostra a dura realidade da família e amigos da Marielle após seu assassinato. Tanto a luta constante para manter sua memória livre de fake news disseminada por haters, quanto os desafios de levar sua ideologia à diante. Reviver o momento da perda é extremamente doloroso e todos os entrevistados se emocionam ao falar dela. Sem dúvida, há momentos em que precisamos pausar, levantar para tomar um copo d’água, respirar fundo e continuar, principalmente quando o roteiro utiliza áudios de WhatsApp que Marielle e Anderson trocaram com a família, tanto no dia da morte, quanto antes. Mensagens de amor, carinho e apoio são tocadas em diversos momentos e são sempre carregadas de muita tristeza. Isso para não falar o ódio que nasce dentro de nós conforme a investigação não avança.

4- Desdobramento do assassinato e quem mandou matar

Ainda sem uma resposta concreta, mesmo dois anos após o assassinato, a polícia não sabe dizer quem foi o mandante do crime e nem mesmo o motivo. Porém, os assassinos já foram identificados e estão presos. O documentário traça, da metade para o final, o rumo das investigações, suas dificuldades e polêmicas, principalmente quando é descoberto que o homem que atirou, Ronnie Lessa, morava (e esteve presente) no mesmo condomínio do presidente Jair Bolsonaro, o luxuoso Vivendas da Barra, no Rio, tendo inclusive seu nome citado em um depoimento do porteiro do local. Um fato é certo: a morte da vereadora desencadeou um enorme esquema de milícias no Rio e envolveu o nome de muita gente que se passa por político de bem, o que nos leva a crer que, se um dia o caso foi solucionado, muitos nomes conhecidos ainda serão revelados por estarem envolvidos. Quem mandou o vizinho do Presidente matar Marielle Franco? É o que queremos saber.

5- Sua voz ecoa para sempre

Mesmo sem sabermos o motivo exato de seu assassinato, sabemos que Marielle não se calava diante de injustiças e fazia questão de mostrar na mídia e, muito provavelmente, foi essa atitude que levou ao crime bárbaro. O que o mandante não imaginava, no entanto, era que sua morte se tornaria o símbolo de uma revolução gigantesca e a semente de uma luta que ganharia ainda mais força com o passar do tempo. Sua voz se calou naquela noite, mas sua ideologia se manteve viva e segue firme e forte com a população negra, LGBTQ+ e os mais desfavorecidos. Exatamente por isso o documentário da Rede Globo é tão essencial, por mostrar não só o tamanho de sua luta, mas também o motivo que faz de Marielle Franco ser uma das figuras mais importantes da história do Brasil, e como seu trabalho em defesa dos mais pobres, ultrapassa a esfera da política e incomoda tanto uma parcela da população que só enxerga a si mesmo.

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