Ser uma boa pessoa geralmente é tomado como algo negativo pelo ponto de vista da sociedade. Estender a mão ao próximo, abdicar de vantagens pessoais pelo bem da sociedade beira a loucura na visão do cidadão comum. Mas o que acontece quando um grupo de pessoas busca melhorar o lugar que vivem e são derrubados pelas falhas do sistema capitalista? Em A Odisseia dos Tontos, acompanhamos a jornada de pessoas simples diante das injustiças do sistema. 

Fermín Perlassi é um ex-jogador de futebol que já passou pelos seus tempos de glória e hoje vive de uma lanchonete no interior argentino. Ele e a esposa decidem então comprar um antigo armazém de grãos para montar uma cooperativa e gerar empregos no lugar onde moram. Para isso, eles decidem juntar dinheiro com a população local. Tudo anda às mil maravilhas, se não fosse a crise econômica Argentina de 2001. 

O mais curioso do filme talvez seja a forma como ele dialoga com o momento atual da América Latina mesmo se tratando de uma obra situada quase 20 anos no passado. A impotência do cidadão comum diante das injustiças do sistema é algo atual sempre, ainda mais na situação política dos hermanos, dos chilenos e a nossa realidade no Brasil. 

Apesar de um background político, o filme não se prende em apenas um ponto de vista. Entre isentos, peronistas e anarquistas, os personagens do longa entendem a necessidade de um objetivo comum e até mesmo um inimigo que uma a todos acima de qualquer ideologia. 

Para isso, foi necessário um excelente trabalho de casting. Todo o elenco dialoga muito bem com suas posições e construções de personagens. O destaque passa pelo sempre excelente Ricardo Darín, que protagoniza a trama, e por Luis Brandoni, o anarquista que arquiteta um pano para recuperar o dinheiro perdido pelos moradores. 

A direção também acerta a mão em como apresenta a trama ao público. Baseado em um livro, A Odisseia dos Tontos original opta por não mostrar ao leitor o que os personagens estão tramando até o final. No filme, a ótica torna a missão dos “tontos” mais palatável aos espectadores e faz com que se torça por eles. 

Se podemos destacar um ponto negativo, a duração do filme talvez seja um pouco longa, apesar de ter quase duas horas, a opção de uma abordagem mais leve e aventuresca faz com o filme não necessite de tanto tempo e acaba tornando algumas reviravoltas da trama longas demais. 

No fim das contas, A Odisseia dos tontos é um filme catártico para qualquer um que busca fazer o bem ao próximo mesmo com todos os reveses que nos são impostos. Uma comédia de erros com muito carisma e coração, mais do que necessária nos dias sombrios atuais. 

Nota Geral
7

Resumo

A Odisseia dos tontos é um filme catártico para qualquer um que busca fazer o bem ao próximo mesmo com todos os reveses que nos são impostos.

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