Lembro Mais dos Corvos | Julia Katharine fala sobre representatividade em novo vídeo

Ontem, 29 de janeiro, foi celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans, como uma forma de reconhecimento da luta contra a transfobia, de conscientização contra o preconceito e do respeito aos direitos das pessoas trans. A atriz, roteirista e diretora Julia Katharine fala sobre a representatividade trans no cinema e na sociedade.

Confira:

Exibido em vários festivais ao redor do mundo, entre eles Cinéma du Reel, Festival de Tiradentes, Indie Lisboa e Festival de Brasília, o longa produzido pela Carneiro Verde Filmes, é um monólogo de uma personagem em uma noite de insônia que mistura documentário, ficção e improviso. O diretor e a atriz se se conhecem há dez anos e já fizeram três curtas-metragens juntos (“Os cuidados que se tem com o cuidado que os outros devem ter consigo mesmos”, “Filme-catástrofe” e o inédito “Medo medo medo”). Julia é coroterista do filme, ao lado de Gustavo.

LEMBRO MAIS DOS CORVOS é baseado em histórias da própria atriz e coisas que o diretor imaginava sobre sua vida. “Tem a ‘parte mágica’, que só acontece ali, naquele momento com a câmera ligada. O tempo cômico da Julia é algo que sempre me impressionou muito, e que eu ainda quero explorar numa comédia escrachada num futuro próximo”, explica Vinagre.

– Ele me deu muita liberdade, em momento nenhum sentamos para escrever diálogos. Parecia que eu estava fazendo terapia, porque ficou eu e uma equipe muita pequena a noite toda juntos. Uma noite e sem segundo take – conta Julia Katharine, a primeira atriz trans a ganhar um prêmio em Tiradentes, o prêmio Helena Ignez, dedicado a um destaque feminino da programação.

Já o curta-metragem, “TEA FOR TWO”, narra a história de um triângulo amoroso, e é o primeiro filme dirigido por Julia Katharine. Cinéfila apaixonada e atriz, Julia escolheu a comédia dramática, para seu primeiro exercício como diretora.

A protagonista do filme é Silvia (Gilda Nomacce), uma cineasta de meia idade que teve um grande filme de sucesso no passado, vive seus dias entre discos, livros e um certo ressentimento – por jamais ter conseguido obter o mesmo sucesso com outro projeto, e também por ter sido deixada por sua ex-mulher, a atriz Isabel (Amanda Lyra). No mesmo dia em que Isabel surpreende Silvia com uma declaração de amor e um pedido de retomada do relacionamento, Silvia conhece a terceira ponta do triângulo: sua vizinha e mulher trans Isabela (interpretada pela própria Julia Katharine).

A intenção da diretora é apresentar a personagem da mulher transexual sem a exotização e objetificação com as quais ela costuma ser apresentada na tela, integrando-a a um mote dramatúrgico já tão conhecido e retrabalhado do gênero. “Minha intenção é fazer filmes sobre relações humanas onde a mulher transexual seja vista como é, uma mulher.”, diz Julia Katharine.

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