Crítica | Robin Hood: A Origem

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A clássica lenda do príncipe dos ladrões é altamente explorada nos cinemas. Não é a toa que a história ultrapassa gerações e os produtores de Hollywood parecem não se cansarem de bater na mesma tecla toda vez que um novo filme sobre o herói Robin Hood é realizado, já que a única diferente entre as inúmeras produções fica apenas por conta da troca de elenco, mantendo-se presas à brega e ultrapassada trama. Sendo assim, surge a pergunta: qual a necessidade de um novo filme sobre a mesma história? E a reposta vem com ‘Robin Hood: A Origem’, que se apega à ação desenfreada para justificar sua existência e, consequentemente, transformar sue herói em uma versão moderna de si mesmo.

Moderna ou não, a trama segue os mesmos princípios de todas as demais. Robin (Taron Egerton) é banido da guerra a qual foi convocado após ter se envolvido em uma briga para defender um inimigo, porém, quando retorna para a sua cidade natal, foi dado como morto e precisa assumir sua nova identidade do justiceiro Hood, ao lado do amigo John (Jamie Foxx), para acabar com a corrupção imposta pelo xerife de Nottingham, vivido por Ben Mendelsohn (Jogador Nº 1), tendo que roubar dos ricos para, como de costume, dar para os pobres do vilarejo, se tornando o líder de uma revolução.

O roteiro segue à risca todas as convenções do gênero impostas por filmes anteriores, em especial, o mais recente, dirigido por Ridley Scott e com Russell Crowe como o protagonista. Desde romances mal inseridos na trama, passando por soluções à la deus ex machina e uma intriga política elaborada e demasiadamente confusa, que serve apenas como plano de fundo para as ações do herói. No entanto, o diferencial deste fica por conta do ritmo acelerado, que privilegia mais a ação do que a história já batida, entregando um longa que prende atenção do início ao fim, mesmo que ineficiente no desenvolvimento de seus personagens e subtramas.

O elenco, em partes, colabora para que o filme seja mais enérgico e, quando permite, até mesmo divertido em certos momentos. Jamie Foxx entrega um co-protagonista interessante, com uma interpretação equilibrada e mais camadas que o próprio Hood. Assim como Ben Mendelsohn, que vive (mais uma vez!) um vilão caricato, mas bem desenvolvido, deixando transparecer seu lado humano em alguns momentos e, como de costume, entregando uma atuação poderosa e maligna, sem grandes exageros, ponto alto do filme, sem dúvida. Já o jovem Taron Egerton tenta, mas seu carisma não decola e seu Robin Hood parece constrangido, sem ânimo e forçado demais, combinando com seu par romântico, vivido pela atriz Eve Hewson (Ponte dos Espiões), que até busca aqui e ali ser mais do que uma simples donzela em perigo, porém, sua personagem é enjoada e completamente descartável dentro da trama, assim como o forçado triângulo amoroso envolvendo Will (Jamie Dornan).

A produção acerta nos belos cenários medievais, ressaltados com uma fotografia escura e azulada, mas peca nos efeitos especiais, visualmente mal colocados em momentos que, sem eles, trariam um impacto maior à trama, sem contar que a mistura de ambientes reais com os criados por computação, não se conectam bem como deveriam. Fora os figurinos, realmente há um problema com os figurinos, muito estilosos e descolados para a época, causando certa estranheza ao olhar. O slow motion na ação pode sim ser benéfico, como no bom ‘Sherlock Holmes’ (2009), porém, seu excesso acaba desviando a carga dramática da cena para deixa-la apenas “estilosa”, fator que o diretor Otto Bathurst (Black Mirror) explora a todo custo. Sua direção é conveniente com a narrativa e até mesmo apresenta planos mais elaborados, se mostrando eficaz na direção de sequências de ação, lutas e perseguições, dos problemas, o menor.

‘Robin Hood: A Origem’ surge com a proposta de ser um filme de ação escapista e apenas isso, provavelmente irá agradar ao público que busca entretenimento, mas que, de tão desesperado por ser diferente, acaba se perdendo dentro da mesmice de uma trama genérica, vazia e frágil. O que falta em nexo, sobra em ação desenfreada. Sendo assim, o lendário príncipe dos ladrões segue na sua mais difícil jornada através do tempo: ter sua história contada em um filme realmente relevante.

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