Crítica | “O Cara da Piscina é a prova de quem tem amigo tem tudo

Quem tem amigos, tem tudo — ou quase isso. Em O Cara da Piscina, percebemos que essa sentença é verdadeira até certo ponto. O filme que marca a estreia do ator Chris Pine (Dungeons and Dragons) como diretor pode ser entendido como um objeto de estudo sobre o poder da amizade, seja para o bem ou para o mal. 

Acertos e erros de ‘O Cara da Piscina’

Na trama, acompanhamos o excêntrico limpador de piscinas Darren Barrenman (Chris Pine), que luta intensamente pela preservação da cidade de Los Angeles. Ao ser informado sobre um esquema de corrupção envolvendo personalidades importantes da região, Darren se coloca em uma trama de investigação bastante atrapalhada ao lado dos amigos Jack (Danny DeVito) e Diane (Annette Bening). 

É importante deixar claro que além de protagonizar e dirigir o longa, Chris Pine também é produtor e assina o roteiro ao lado de Ian Gotler. Dito isso, nos minutos iniciais do filme fica bastante perceptível que este é, antes de mais nada, um projeto bastante pessoal para o artista. 

A trama de O Cara da Piscina, que satiriza grandes filmes do cinema noir como Chinatown (1974), tem grandes talentos em seu elenco, isso é fato. Além de Pine (que não faz feio na frente das câmeras), Danny DeVito e Annette Bening compõem um time que poderia até funcionar em outras circunstâncias. Entretanto, problemas muito específicos relacionados ao seu diretor aniquilam qualquer possibilidade que o longa tem de contar uma boa história. 

Ultrapassando o limiar da pessoalidade, o trabalho de Pine em O Cara da Piscina chega a ser quase narcisista. É nítido como o diretor/ator faz questão de colocar o seu personagem o tempo inteiro no centro das câmeras, fazendo descaso dos coadjuvantes à sua volta. O pior nisso tudo é que Darren Barrenman é um protagonista extremamente irritante que não consegue ser inteligente, tampouco engraçado. Assim, se conectar com seus ideais e com o texto do filme é uma tarefa praticamente impossível. 

O roteiro é ruim, mas obviamente as pessoas que o escreveram acreditavam estar criando algo genial. Isso, de longe, é o que mais incomoda durante o filme inteiro. Os devaneios de Barrenman e suas intermináveis sessões de meditação dentro da piscina servem para tentar maquiar uma história sem qualquer grau de complexidade que tenta se passar por algo muito inteligente. 

Além disso, a dificuldade que a direção parece ter em encontrar um tom adequado para o filme torna a experiência ainda pior. As piadas não tem graça, e as cenas dramáticas não emocionam. Não existe uma linha de raciocínio lógico que dite o ritmo do filme, fazendo com que tudo pareça meio bagunçado e sem algo relevante a ser dito. 

Claramente, esse é o tipo de projeto que só viu a luz do dia porque Pine, assim como Darren, é um homem de muitos amigos. Esse paralelo, no final das contas, acaba sendo a única coisa realmente engraçada em O Cara da Piscina. Afinal, estamos falando de um longa que foi exibido em festivais e teve ampla distribuição internacional. 

Veredito

No fim das contas, pode-se dizer que o projeto é fruto de uma grande aventura idealizada por seu diretor. Em uma certa manhã de uma Los Angeles ensolarada, um ator de Hollywood com muitos amigos acordou e decidiu que iria fazer um filme. Certamente, O Cara da Piscina dará muitos frutos a Pine. Quem perde são todas as outras pessoas que gostam de bons filmes. 

Nota: 1/10

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