Crítica | ‘Meu Sangue Ferve por Você’ – Uma “Fábula Magalesca” precisava ser mais exagerada

“Teu, todo teu. Minha, toda minha”. Os versos iniciais da famosa canção de Sidney Magal evocam perfeitamente a paixão efervescente entre o cantor e Magali West, aquela que se tornaria sua esposa e grande companheira de vida. Meu Sangue Ferve por Você, o novo filme de Paulo Machline, leva essa história de amor para as telonas — embalada por muita música, é claro.

Acertos e erros de ‘Meu Sangue Ferve por Você’

Em Meu Sangue Ferve por Você, Magal e West são respectivamente interpretados por Filipe Bragança (Cinderela Pop, Chiquititas) e Giovana Cordeiro (Mar do Sertão). O filme aborda o início do relacionamento do casal, em 1979, que foi marcado por um cantor famoso extremamente apaixonado e uma jovem baiana relutante. As diferenças entre as realidades (e personalidades), porém, acabam sendo grandes obstáculos que ambos precisam vencer antes de se entregarem um ao outro. 

Como o próprio letreiro inicial faz questão de ressaltar, o filme é uma “Fábula Magalesca”. Para quem está acostumado com o estilo musical do cantor, assim como suas apresentações cênicas e exageradas, essa revelação é totalmente pertinente. Aliás, o projeto se enquadra no gênero dos musicais, com várias performances ocorrendo ao longo da trama. 

Difícil pensar em uma ideia que combine mais com Sidney Magal. O eterno “Amante Latino” sempre foi exageradamente intenso. Assim, a abordagem espalhafatosa com a qual o longa anuncia os sentimentos de seu protagonista masculino teria sido muito interessante se trabalhada da maneira correta. No entanto, o projeto acaba se perdendo em sua própria breguice. 

Os números musicais, por exemplo, são muito desconexos da trama. Por mais que sejam bem coreografadas e afinadas, as performances não conversam com o enredo e acabam soando inconvenientes, tirando o espectador da imersão do filme. A direção não acerta quando precisa transitar entre o texto corrido e o texto cantado. Isso atrapalha a experiência de quem aprecia um bom musical. 

Mais que isso, eu diria que Meu Sangue Ferve por Você parece enfrentar certa dificuldade para se entender, de fato, como um musical. Os números são escassos e mal aproveitados, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento do seu personagem central. Teria sido benéfico para o longa se os talentos de Filipe Bragança tivessem sido melhor aproveitados. 

O casal de protagonistas não faz feio e têm uma boa dinâmica. Bragança, inclusive, abraça seu personagem e evoca os principais trejeitos de Sidney Magal em sua interpretação. Giovana Cordeiro, por sua vez, consegue manter o equilíbrio entre uma jovem adulta deslumbrada pelo mundo de seu amado e uma mulher que sabe muito bem quais são seus ideais e prioridades.

Veredito

No mais, o gosto que fica na boca após assistir Meu Sangue Ferve por Você é amargo. Caso tivesse abraçado a breguice ainda mais e deixasse o medo de ousar de lado, sem o receio de se entregar completamente ao gênero dos musicais, o longa teria funcionado de forma completamente diferente. Afinal de contas, uma “Fábula Magalesca” precisa ser exagerada e livre de amarras. 

Nota: 5/10

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