Crítica | Digimon Adventure 02: O Início – Um retorno ao coração pulsante da franquia

Em sua mais nova incursão nas telonas, Digimon Adventure 02: O Início, da Paris Filmes, felizmente emerge como um capítulo bastante nostálgico e reconfortante aos fãs, quase como um episódio especial do amado anime original nascido em 1997. Este filme, entretanto, não é só um retorno às raízes como foi seu anterior; é uma espécie de remake cinematográfico habilmente concebido, que resgata os personagens icônicos e sopra vida nova nas tramas que cativaram audiências na TV.

Ao nos transportar de volta para o começo de tudo, o enredo se desenrola na esteira da 2ª temporada da série, transmitida entre 2000 e 2001, liderada pelo destemido digiescolhido Davis. Porém, a aparente confusão desse retorno ao passado, recriado nas telonas, não visa conquistar a atenção da nova geração de entusiastas de animes.

Este projeto é muito mais uma homenagem, uma carta de amor à nostalgia e às memórias afetivas daqueles que cresceram nos anos 2000. Contudo, o coração, a essência da saga, que sempre foi sobre união e amizade, segue intacto. Além disso, o filme traz uma novidade que talvez faça valer o ingresso: ele explica como nasceram os digiescolhidos. Ou seja, faz um bom e velho retcon sem vergonha.

A trama de Digimon Adventure 02: O Início

Em Digimon Adventure 02: O Início uma década se desdobrou desde as primeiras incursões no Digimundo, marcando uma mudança substancial tanto nas vidas quanto nas aparências dos escolhidos. Nos transportando para 2012, o protagonista Davis Motomiya, agora com vinte anos, e seus companheiros de jornada encaram uma reviravolta inesperada quando um Digitama gigantesco aparece sobre a Torre de Tóquio. Este ponto de partida abre caminho para a introdução de um personagem misterioso e crucial, Lui Ohwada, o primeiro digiescolhido do mundo.

O filme, com uma curta duração de 1 hora e 20 minutos, desafia a cronologia, retrocedendo ao início de tudo, antes mesmo da Era de Taichi “Tai” Kamiya, revelando as raízes dessa intrincada conexão entre humanos e monstros digitais. O aspecto técnico da animação se destaca ao adotar gráficos 3D modernos, afastando-se ligeiramente da estética manual do anime clássico. Essa decisão visual, embora rompa com a tradição, não prejudica a experiência; ao contrário, contribui para uma atmosfera cativante e repleta de cores vibrantes.

O diretor Tomohisa Taguchi conduz a narrativa com habilidade, priorizando não apenas as épicas sequências de luta (aliás, poderia ter tido mais!), mas também a construção cuidadosa das relações entre os personagens. Davis e seu grupo se veem em um novo cenário, agora totalmente ambientado no mundo humano, onde Digimons e crianças coexistem harmoniosamente.

No entanto, quem busca uma diversão leve pode sair bastante decepcionado, pois a trama mergulha em território emocionalmente denso e sombrio. O filme explora temas delicados, como violência doméstica e abandono parental, oferecendo uma perspectiva surpreendentemente madura e introspectiva à narrativa. A viagem no tempo, embora não para um momento histórico, mas para uma era prévia ao início de tudo, confere uma complexidade intrigante à história.

Ainda assim, mantém os valores fundamentais da franquia, que sempre gravitou em torno de laços de amizade, afeto e a criação de elos entre espécies. Mesmo sob uma nova aura mais caótica e obscura, 26 anos após o primeiro capítulo, a essência persevera. O roteiro, entretanto, se revela como um ponto de contenção. Em sua necessidade excessiva de ser autoexplicativo, acaba minando a imersão do espectador, uma vez que entrega respostas tão claras que deixam pouco espaço para a descoberta.

Mesmo abordando questões complexas, o roteiro não atinge as mesmas ressonâncias emocionais do filme anterior, Digimon Adventure: Last Evolution Kizuna, tornando-se, infelizmente, um elo mais frágil na corrente narrativa. Apesar de personagens cativantes e uma narrativa globalmente expansiva, o enredo não parece encontrar seu caminho de maneira decisiva, especialmente após os eventos do filme de 2020, deixando algumas dúvidas pendentes e uma sensação de falta de direção.

Veredito

Digimon Adventure 02: O Início emerge como uma tentativa ambiciosa de revisitarmos a magia da série que cativou a geração dos anos 2000. Embora efetivamente resgate a essência e a nostalgia, o filme não consegue replicar a profundidade emocional do seu antecessor de 2020. A exploração das origens dos digiescolhidos adiciona um toque intrigante, mas as respostas oferecidas carecem da complexidade esperada, tornando-se óbvias demais.

No entanto, as animações modernas e a trilha sonora, repletas de elementos nostálgicos, se destacam, oferecendo um deleite visual e auditivo. Embora destinado a conquistar os corações daqueles que cresceram com os monstrinhos na TV, o filme se revela menos impactante para as crianças atuais.

A narrativa sombria e melancólica pode ser um desvio para os fãs acostumados à atmosfera mais leve da franquia, mas Digimon Adventure 02: O Início acerta ao preservar os valores fundamentais de amizade e afeto que definem a saga, mesmo que a busca por respostas acabe sendo menos vital do que a jornada em si.

NOTA: 7/10

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