Crítica | TOC TOC TOC: Ecos do Além – Pesadelo infantil que reverbera na familiaridade

Publicidade

No mundo do terror, é uma tarefa árdua resistir à tentação de se afogar no mar de clichês. TOC TOC TOC – Ecos do Além (Cobweb) parece, à primeira vista, mergulhar de cabeça na piscina da clássica historinha de casa mal-assombrada, o que nos faz pensar em bater à porta da originalidade e pedir-lhe que retorne.

No entanto, o filme troca os trilhos do trem do terror e proporciona algumas reviravoltas um tanto mais tangíveis, embora não surpreendentemente novas. Com certos deslizes, há momentos de genuína criatividade e a atmosfera arrepiante se molda bem para aqueles que anseiam por uma sessão típica de “horror de Halloween”, ou seja, um filme para ver com amigos em uma sessão à noite e nada mais.

A trama e o elenco de Toc Toc Toc – Ecos do Além

Adentrando o coração da premissa, encontramos uma trama que seria injusto detalhar demasiadamente, pois a surpresa, neste caso, é a melhor visita. No epicentro da história está um jovem garoto, cuja realidade é questionada constantemente por vozes que ressoam das paredes – fantasmas do pensamento ou ecos da realidade? O que, de fato, habita as paredes de sua casa?

Seus pais, interpretados por Lizzy Caplan (Cloverfield) e Antony Starr (The Boys), trazem sombras em seus olhares, por vezes, caindo na caricatura dos segredos mal guardados. Contudo, é o jovem Woody Norman (A Última Viagem de Demeter) quem brilha como uma lâmpada, superando até mesmo performances anteriores e elevando-se como uma promessa de Hollywood. Cleopatra Coleman, por outro lado, entrega uma atuação diluída, perdida entre os corredores sombrios da história. A promessa de ser a final girl morre antes que possa funcionar.

A trilha constante, o cenário de Halloween e a retorcida visão da família americana trazem uma camada adicional de intriga, embora, por vezes, o filme ande sem rumo, mirando em tudo que possa dar certo. Poderíamos até chamá-lo de Noites Brutais desse ano, se ele apenas se arriscasse um pouco mais em sair da zona de conforto.

O diretor Samuel Bodin (da ótima série Marianne), faz um esforço louvável em criar uma tapeçaria de horrores entrelaçados com tons outonais, onde o “lar doce lar” ganha contornos de pesadelo. Contudo, em meio a reviravoltas e surpresas, sente-se a ausência de um elemento, talvez o sal que tornaria este prato mais saboroso. O gosto de petisco vencido de Halloween supera a boa dose de adrenalina daquele final que, diga-se de passagem, até supreende para uma produção média como esta. É tosco? Talvez. Mas ao menos nos pega de supresa.

Veredito

Em síntese, TOC TOC TOC – Ecos do Além tem seus momentos de intensidade e arrepios, nos conduzindo por uma narrativa de traumas e inseguranças familiares. O filme faz ecoar os sentimentos de medo e familiaridade, como uma antiga canção de ninar macabra.

Todavia, por não ousar sair de sua zona de conforto, acaba se tornando mais um na estante de filmes de terror. Embora um experimento intrigante, o filme precisa de um polimento para realmente deixar sua marca. Por ora, infelizmente ficamos na porta, ouvindo os ecos distantes do que poderia ter sido um grande estrondo no gênero este ano. Ainda assim, ficar preso nesta teia de aranha insana é uma boa diversão.

NOTA: 7/10

Leia também: Crítica | Fale Comigo é um terror para a nova geração


Já conhece nosso canal do YouTube? Lá tem vídeo quase todo dia. Se inscreve! Dá uma olhada no nosso vídeo mais recente:

Aproveite para nos acompanhar nas redes sociais: Facebook, Twitter, Instagram, Youtube e também no Google News

Quer receber notícias direto no seu celular? Entre para o nosso grupo no WhatsApp ou no canal do Telegram.

Última Notícia

Mais recentes

Publicidade

Você também pode gostar: