Crítica | Do Jeito Que Elas Querem 2 ter cheiro de Chanel, mas é cafona

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A cara viagem financiada pela Universal Pictures do espetacular elenco de Do Jeito Que Elas Querem 2 – O Próximo Capítulo – sequência direta do filme de 2018 – à Itália, parece preencher a cota anual de filmes românticos que não dão em nada. Se por um lado a comédia novamente estrelada por Diane Keaton, Jane Fonda, Candice Bergen e Mary Steenburgen (facilmente a versão feminina de Os Mercenários) dá voz e espaço para um elenco majoritariamente acima de 60 anos – o que é sensacional – por outro, parece apenas perdida em replicar a fórmula, pecar na diversidade e fazer um filme vazio para mulheres brancas em crise de tédio.

A trama e o elenco

Do Jeito Que Elas Querem 2 se aproveita do período traumático da pandemia de Covid para situar sua trama, reforçar a amizade das amigas de longa data e justificar que, depois de tudo pelo qual o mundo passou, agora é a hora de viajar e fazer a vida valer a pena. Até aí tudo faz sentido e funciona, afinal, parece uma boa desculpa para pegar sua mala da Gucci e seus perfumes mais caros e partir para uma aventura, com um plus de que agora uma delas vai se casar pela primeira vez.

No entanto, a divertida premissa inicial dá lugar a uma história que pouco casa com a grande maioria do público e flerta com a fantasia de um mundo idealista, onde o dinheiro não é um problema e as únicas preocupações são, de fato, questões amorosas e vinhos de qualidade. O vilão aqui é o tempo, seja de vida ou de viagem. A futilidade do roteiro não consegue sobressair as boas mensagens que busca explorar sobre ser feliz antes que seja tarde demais. Se de alguma forma prometia trazer de volta o charme e a diversão das personagens adoráveis do primeiro filme, infelizmente falha miseravelmente em cumprir essa promessa.

Desde os aspectos técnicos (apesar da premissa ter cheiro de Louis Vuitton, o filme parece ter custado uma merreca) até a falta de representatividade, esta sequência se perde em um mar de decepções que ofuscam qualquer possibilidade de entretenimento genuíno. Além disso, as piadas ácidas são um desastre completo. O humor é constrangedoramente ultrapassado e ofensivo em alguns momentos. O filme tenta apelar para estereótipos clichês e humor fácil, mas acaba caindo em um poço de piadas sem graça e constrangedoras. É triste ver um filme que não consegue evoluir em seu humor e fica preso a fórmulas datadas.

Começando pelas atuações, há bastante química no elenco, mas cada diálogo soa artificial demais. Dá pra notar o roteiro fluindo entre as falas das atrizes e isso é terrivelmente desconfortável. As performances parecem forçadas e desinteressadas, como se estivessem apenas cumprindo um contrato – e aproveitando as novas férias. Não há carisma ou conexão emocional com os personagens, o que torna difícil se importar com suas jornadas pessoais. Vivian de Jane Fonda vai se casar aos 80 anos e experimenta a ansiedade e as angústias da ocasião, assim como o conflito de que será uma mulher presa a uma instituição, algo que sempre se mostrou ser contra. O fato gera inúmeras situações cômicas e parece unir ainda mais as amigas, mas é frustrante o quão previsível é o rumo que a história toma.

As locações na Itália, embora pintem um quadro pitoresco do país, são mal aproveitadas. Ainda que tenha a essência europeia e tente transformar o filme em uma espécie de road movie da terceira idade, boa parte da magia local é diluída e desperdiçada. Não adianta mudar de cenário quando a trama da obra não sustenta ir muito além do óbvio. O roteiro, por sua vez, é raso como uma poça d’água, não trazendo nada de novo à narrativa. Parece uma repetição preguiçosa do primeiro filme, apenas com uma mudança de ambiente.

Apesar dos pesares, uma das maiores falhas está na falta de representatividade. O filme carece de personagens diversificados e não consegue explorar a complexidade das mulheres de diferentes origens e histórias de vida. Há uma lacuna gritante de representação étnica e cultural que já era um problema no filme anterior. De fato, mais uma oportunidade perdida de trazer à tona questões relevantes e promover a inclusão, algo que teria enriquecido demais a franquia.

Veredito

Depois de um primeiro filme já sem essência, Do Jeito Que Elas Querem – O Próximo Capítulo amplifica a futilidade da franquia, desperdiça seus talentos e afunda nas águas frias de Veneza com seu roteiro idealista ao extremo. Ainda que abra espaço para um elenco majoritariamente acima de 60 anos numa Hollywood etarista, o longa é vazio demais para vencer o vilão tempo.

Apesar de ter cheiro de Chanel, a comédia é cafona e banal. Um lembrete de que nem todas as sequências conseguem replicar o carisma do original, e esta é uma prova viva disso. Excesso de piadas clichês, rotas previsíveis e falta de representatividade são as rugas que marcam a história. É melhor deixar as memórias do primeiro filme intactas e evitar essa viagem preguiçosa à Itália.

NOTA: 4/10

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