Crítica | Creed 3 – A dinastia Creed em desfecho nocauteante

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Para Adonis Creed, a melhor maneira de resolver problemas é mesmo cair na porrada. E sua jornada do herói nunca foi fácil. Enquanto Rocky Balboa de Sylvester Stallone possuía uma legião de apaixonados ao seu redor como um astro da ação em ascensão lá na década de 70, Michael B. Jordan precisou encontrar seu público, revitalizar a franquia com uma pegada racial forte e conquistar uma nova geração de fãs no século 21, um verdadeiro rebranding. Tudo isso dentro de uma trilogia que se manteve impecável a cada novo filme e que agora termina com um nocaute emocional que faz jus ao seu legado.

E, como se não fosse o suficiente, em Creed III Jordan se lança também como diretor. Com a confiança de um campeão peso-pesado, o astro entra no ringue para finalizar a aventura que começou em 2015, acrescenta uma energia divertida nas sequências de luta – no melhor estilo Dragon Ball – e surpreende mesmo deixando claro que o fim realmente chegou e que Creed não tem mais caminhos para percorrer senão concluir suas lutas pessoais e pontas soltas do passado. Saber que é hora de dizer adeus é uma dádiva para poucos.

A trama e o elenco

De fato, uma das dificuldades que Creed III enfrentou desde o início foi como fazer outra entrada nesta série parecer necessária, uma vez que as tramas começaram a ficar redundantes desde seu segundo filme, lançado em 2018. Afinal, reunindo tudo que já vimos desse universo, são 9 filmes em 50 anos. Mas o longa – felizmente – ainda encontra algumas pontas soltas e detalhes do passado para gerar um novo filme, que funciona em sua carga dramática, aprofunda um pouco mais o protagonista e apaga a tocha passada por Rocky de uma vez por todas.

O capítulo três começa com um flashback da infância de Donnie e sua amizade com Dame Anderson, um jovem fenômeno do boxe que é mais como um irmão de Adonis. É uma abertura fria que define com eficiência as apostas emocionais pelo resto de suas duas horas de execução. Quando alcançamos Adonis nos dias atuais, é em sua última luta profissional antes da aposentadoria (um tropo clássico de filmes de esporte), e logo depois disso, Jonathan Majors (Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania), como Damian, retorna à sua vida de forma inesperada, derrubando o lugar confortável que Adonis conquistou para si mesmo e provocando o caos em sua vida pacata.

Não há grandes novidades e o roteiro passa longe de fugir das previsibilidades. Em sua estrutura, o filme não tem força para quebrar alguns moldes preguiçosos estabelecidos pela franquia, mas se encontra muito bem dentro desse destino calculável e controlado. A compreensão de Jordan sobre a fórmula que trouxe sucesso duradouro para a saga é, na verdade, um dos pontos fortes deste filme. A grande atualização está exatamente no fato de que este capítulo é o último. Então, sim, é claro que isso significa que existem ótimas montagens de treinamento com uma trilha sonora energizante, mas também significa que veremos a franquia evoluir muito pouco, mas significativamente consciente de que o foco da vez é gerar uma luta épica para fechar saborosamente essa história toda.

Os personagens em torno de Donnie são todos contrapontos eficazes para suas lutas, mas não estão limitados a esse papel. Cada um deles recebe seu próprio arbítrio para servir à história que está sendo contada, ainda que resta pouco espaço nesse desfecho. A Bianca de Tessa Thompson (Thor: Ragnarok), por exemplo, está lá para desafiá-lo, lembrá-lo da existência da família, mas ela também é retratada como alguém que lida com problemas semelhantes de uma maneira muito mais saudável. Já Jonathan Majors, no entanto, apresenta o maior desafio e a mais fascinante adição ao Creedverso até o momento. Para começar, o astro continua sua tendência de ser a pessoa mais interessante na tela, não importa o filme que esteja.

A química entre Majors e Jordan, feita de velhos laços e antigas mágoas, é a espinha dorsal deste filme e a força que o encerra com qualidade e brutalidade. O vilão funciona muito mais do que os antagonistas passados, afinal, ele representa a origem que o protagonista precisa encarar para que possa ter um futuro em paz. O último elo que liga Adonis ao seu traumático começo. Contudo, o desfecho de Dame é um pouco frustrante e a resolução do conflito – em uma luta pesada – soa forçado demais, pouco plausível, mas divertido de ser assistido por conta da condução eletrizante de Jordan.

Uma parte essencial da franquia sempre foi a coreografia de luta. A forma como a câmera interage com a luta mudou ao longo dos anos, mas no final das contas, o que é um filme de boxe sem socos ferozes? E para Rocky e Creed as cenas de luta memoráveis funcionam em alguns níveis. Elas são brutais e emocionantes de assistir, bem como tematicamente significativos para os personagens e a história. Sem Rocky sussurrando motivações no ouvido de Donnie entre os rounds, nos dizendo explicitamente sobre o que é essa luta e o que está em jogo emocionalmente, Jordan renderiza as cenas de luta com visuais fantásticos. Exagerados? Um pouco, mas um espetáculo épico visualmente empolgante, que vai de Naruto à Street Fighter.

Independentemente disso, é claro que ausência de Sylvester Stallone é sentida – especialmente por esse ser o final de Creed – mas o filme não sofre por isso de forma alguma, algo que reforça, de uma vez por todas, que esse derivado não é mesmo sobre Rocky e que a história do herói já foi encerrada faz tempo. Não há nem mesmo uma pontinha nem nada. Jordan carrega essa nova fase e o roteiro só encontra espaço para seu brilho realçar. Por falar nisso, Jordan assume os holofotes e mantém o carisma no topo do começo ao fim.

Veredito

Em seu duelo final, Creed III é uma conclusão satisfatória para a história de Adonis Creed, estrelada e dirigida pelo memorável Michael B. Jordan, que entra no ringue com confiança e energia como nunca antes. Sem fugir da fórmula que levou a franquia ao sucesso, o roteiro emocional mergulha no passado e explora desavenças e conflitos pessoais do protagonista, enquanto constrói um legado próprio para Creed nos cinemas.

Além de sequências de luta visualmente empolgantes e intensas e um antagonista com camadas profundas, vivido pelo ótimo Jonathan Majors, o longa finaliza sua jornada com sofisticação, estilo e carinho pelos fãs de longa data. Um verdadeiro nocaute emocional, mas que já estava na hora de encerrar. Por fim, a dinastia Creed se mantém firme e forte como um dos melhores filmes sobre esportes já feitos.

NOTA: 8/10

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