Crítica | O Culpado – Uma das melhores atuações da carreira de Jake Gyllenhaal

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A eficácia de um bom roteiro não necessariamente tem relação com o orçamento gasto pelo filme. Para que uma trama seja bem-sucedida, no geral, bastam dois elementos fundamentais: criatividade e ritmo. Até mesmo o mais simplista dos filmes pode se tornar uma obra cativante se esses dois fatores se alinharem dentro de um roteiro descomplicado, porém, inteligente e perspicaz. E é aí que mora o segredo de O Culpado (The Guilty), longa-metragem original da Netflix que serve de remake hollywoodiano de Culpa – filme dinamarquês de 2018 – que acerta no mais difícil: ser provocativo e intrigante, mesmo se passando em apenas um único ambiente e com um único ator em cena.

A trama e o elenco

Na intensa trama de O Culpado, após cometer um grave erro na profissão, o policial Joel (vivido pelo ótimo Jake Gyllenhaal) é obrigado a sair das ruas e começa a trabalhar de forma interna, ficando encarregado de receber ligações e transmitir às delegacias responsáveis, no entanto, a ligação de Emily (Riley Keough de O Diabo de Cada Dia), uma mulher desesperada por ajuda após – aparentemente – ter sido sequestrada pelo marido, acaba colocando-o em uma corrida contra o relógio para solucionar o caso e salvar o máximo possível das vidas que foram postas em suas mãos.

Com poucos elementos em cena, a genialidade do roteiro consiste em sustentar uma trama de altos e baixos, que prende nossa atenção do primeiro segundo até seu final, sem quase alternar de enquadramento, fechado em um ambiente interno e com a história sendo narrada por telefone, ou seja, instigando nossa imaginação e nos fazendo montar o quebra-cabeça dos acontecimentos, sem que seja mostrada a ação de fato – algo muito semelhante à série Calls, da Apple TV+.

Brilhantemente, cada um que assistir deverá criar seus próprios personagens e cenários das cenas externas (o elenco de vozes conta com nomes renomados como Paul Dano, Peter Sarsgaard, Eli Goree, Ethan Hawk e Bill Burr).

Trabalho majestoso do diretor Antoine Fuqua (O Protetor), centrado em muitos planos fechados e closes do rosto do protagonista, deixando apenas o som e suas expressões em evidência, causando um certo desconforto, que desperta ansiedade e angústia ao espectador.

E se a trama é centrada em um personagem, Jake Gyllenhaal teve a difícil tarefa de segurar 1 hora e 30 minutos nas costas, algo que não parece dificuldade nenhuma, já que entrega uma atuação poderosa e emocionante, beneficiada por longos momentos de silêncio e contemplação. Sua atuação minuciosa, com olhares e expressões de terror e medo, passam mais emoção que muitos trabalhos exagerados em filmes maiores. Um dos pilares mais fortes do filme, sem dúvida, já que começa como um policial tedioso e passa por uma jornada de provação no seu “dia do juízo final”. Conforme a narrativa evolui, sua atuação cresce gradativamente, assim como o auto perdão do protagonista.

O ótimo ritmo da montagem, nem frenético nem lento, é o refletor que coloca toda a narrativa em foco e faz a obra ser tão instigante e tensa, ao mesmo tempo que vemos tão poucas variações em tela. Toda a trama vai direto ao ponto, liberando pequenas dicas aqui e ali sobre o rumo que a história irá tomar, conseguindo, ainda assim, ter uma reviravolta surpreendente, sem exageros ou apelações dignas do gênero, que geralmente busca conclusões evidentes e clichês.

No entanto, o maior e talvez único problema é grave: O Culpado não inova a fórmula do original e desperdiça a oportunidade de fazer pequenas melhorias. Apesar de criar um ambiente mais denso – com um grave incêndio como pano de fundo – pouca coisa destoa.

Conclusão

Incrivelmente, O Culpado é o alinhamento perfeito dos astros. A direção é ágil e sabe gerar suspense, o protagonista é forte e bem desenvolvido, a fotografia se banha nos tons acinzentados e frios, típicos de ambientes fechados com iluminação artificial, ou seja, todos os elementos fazem a simplicidade do roteiro ganhar uma conduta espetacular, marcante e enérgica. Todavia, infelizmente não tem o mesmo impacto que a versão dinamarquesa, mesmo com uma das melhores atuações da carreira de Jake Gyllenhaal.

Nota: 7/10


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