Em um meio predominantemente machista e com seu maior ponto de referência sendo o terrível filme Esquadrão Suicida, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação fantabulosa chegou ao grande público com desconfiança e dúvidas. Mas, felizmente, a Warner parece ter aceitado que o que importa é fazer longas fechados em sua própria história e sem muita conexão com o universo compartilhado desastroso iniciado por Zack Snyder. Aves é um filme divertido e necessário nos tempos atuais. 

Após se separar do Coringa, Arlequina busca seu próprio lugar sob o sol em uma Gotham na qual metade dos criminosos da cidade quer matá-la. Ao mesmo tempo em que a protagonista tenta se manter viva, somos apresentados à outras mulheres que buscam sua independência. 

O que chama a atenção logo de cara é o estilo de narrativa da produção. Impossível não remeter à Deadpool, personagem, da Marvel da qual a própria Arlequina bebeu muito nas HQs e a gora também no cinema. Mas na telona essa inspiração funciona melhor, pois fica somente na forma de contar a história, sem interferir na personalidade da protagonista.  

Harley Quinzel continua espevitada e maluca como sempre, mas dessa vez o espectador é convidado a ver a história através dos seus olhos. Fora de ordem, acelerado e lúdico, o filme mantém o tom durante toda a sua duração, o que não deixa o público perceber a passagem do tempo. 

Isso só se torna algo negativo por esperarmos que haja um desenvolvimento maior do elenco de apoio, afinal, no fim das contas o nome do filme ainda é Aves de Rapina. Canário Negro, Renee Montoya, Cassandra Cain e, principalmente, Caçadora são jogadas na trama. 

O roteiro tenta brincar com essa pressa ao tratar essa correria como um clichê de filmes de ação e assalto, o que acaba funcionando. Ainda mais pelo tom de que o filme é introdutório para vermos essas personagens mais vezes no cinema. 

Ewan McGregor entrega um excelente vilão ao interpretar um afetadíssimo Máscara Negra. Egocêntrico, o vilão e sua personalidade de homem frágil desesperado por atenção complementam bem em sua rivalidade com uma equipe inteiramente feminina. 

A ação desenfreada também é um ponto positivo de Aves. Sem a costumeira desculpa de usar cenas de luta para colocar mulheres em poses apelativas, o filme foca em violência gratuita e muitos golpes na virilha dos homens. Entre pernas quebradas, rostos arrancados e granadas de purpurina, Arlequina toma de assalto a delegacia de Gotham e a atenção do públixco que vai ao cinema. 

Aves de rapina não é nenhuma obra-prima e acerta em não se portar como tal. Um filme divertido e despretensioso que pavimenta um caminho para vermos muito mais mulheres super-heroínas na tela grande. 

Nota Geral
6

Resumo

Aves de rapina não é nenhuma obra-prima e acerta em não se portar como tal. Um filme divertido e despretensioso que pavimenta um caminho para vermos muito mais mulheres super-heroínas na tela grande.

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