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Crítica | Punho de Ferro – 1° Temporada

Se existe algo que vem atrapalhando as produções televisivas e cinematográficas nos últimos anos, é a tal da expectativa. Ela mesma, a que frustrou os espectadores de Batman Vs Superman, Esquadrão Suicida e tantos outros nos últimos tempos. A coisa é ainda mais séria quando a campanha de marketing é excelente, caso de Esquadrão Suicida e da mais recente obra original Netflix em parceria com a Marvel. Punho de Ferro é o último herói a aparecer em série própria antes do lançamento dos Defensores, previsto para o próximo semestre. E é bem verdade que, se essa parceria já começava a mostrar falhas desde Jessica Jones, em Punho de Ferro os erros parecem ser ainda mais evidentes.

A trama acompanha a história do jovem Danny Rand, herdeiro de um império industrial que em sua infância perdeu seus pais e foi o único sobrevivente de um grave acidente de avião próximo ao Himalaia. O protagonista é resgatado e treinado pelos monges de K’un-lun, (cidade situada em outra dimensão, mas que aparece no plano terrestre a cada quinze anos), para ser a nova arma viva, o Punho de Ferro, o maior dos guerreiros.

Apesar de bem produzida, a série dá a impressão de ser um longo filme cortado em 13 partes. Com diálogos longos, recheados de frases de efeitos clichês e um roteiro que demora a engatar, a produção não consegue preencher as expectativas do público nos primeiros episódios. A prova da demora no desenvolvimento da narrativa é que são necessários quatro episódios apenas para que Danny prove ser quem diz e contar um pouco sobre o que aconteceu após seu acidente.

Tal qual Doutor Estranho para o universo cinematográfico, esperava-se que Punho de Ferro nos mostrasse mais do mundo místico da Marvel, diferenciando o herói dos outros Defensores. Ao contrário disso, Rand acaba sendo apenas mais um herói urbano, como Jessica Jones e Luke Cage. A própria realidade dele em K’un-lun não é bem explorada, muito menos seu treinamento, falha grave para quem quer construir um personagem com um histórico tão rico. Além disso, Finn Jones tem considerável dificuldade em transparecer a dureza necessária ao protagonista, e por vezes acaba imprimindo uma inocência que tira um pouco da credibilidade do maior dos guerreiros. O ator, que ficou bastante conhecido por interpretar Loras Tyrrel em Game Of Thrones, se esforça, mas nem sempre convence no papel.

Outro fato problemático acerca da série está na construção dos objetivos do personagem. O grande inimigo de K’un-lun, e por consequência do Punho de Ferro, é o Tentáculo, aqui representado (assim como em Demolidor) pela Madame Gao, figura pouco explorada na série. Embora Danny enfatize diversas vezes ao longo dos episódios que o principal objetivo do Punho de Ferro é derrotar o tentáculo, isso não é aparente em suas atitudes. Como afirmado pela própria Gao no sétimo episódio, a sensação é que o protagonista na verdade quer apenas voltar a ser o velho Danny. Nunca dá pra saber de qual lado Joy e Ward Meechum está, num piscar de olhos podem ser mocinhos ou vilões. Harold que usa Danny para se libertar do jugo do Tentáculo tem uma evolução repentina na trama. Por fim, a ascensão de Bakuto como substituto de Gao torna o objetivo cada vez mais confuso.E, convenhamos, não é isso que o público espera.

Colleen Wing é uma das personagens mais bem construídas, com uma trama bem desenvolvida e uma atriz (Jessica Henwick) que faz jus ao papel. Além de apresentar boas coreografias de luta, Jessica consegue transparecer muito bem todas as emoções de Wing, fazendo com que facilmente shippemos Colleen e Danny. Já Claire Temple surge meio que do nada, em uma cena superficial e descuidada, apesar de sabermos que ela é na verdade o principal elo entre as séries da Marvel e possivelmente a responsável por unir os Defensores. Seu papel já é bem estabelecido dentro do universo das séries da Marvel e é através dela que surgem as poucas citações aos outros heróis, que fez com que ela tivesse a experiência a ser passada para o herói novato.

Esperávamos que nessa primeira temporada pudéssemos entender mais sobre K’un-lun, sobre o passado dos personagens, sobre o treinamento do Punho de Ferro, sobre o Tentáculo, mas a série parece se preocupar tanto com as rotinas da vida do protagonista e com a saúde corporativa da Rand que todo o background do enredo parece acabar ficando pra segundo plano.

Apesar do fracasso frente à crítica – a série tem atingido índices inferiores a 40% de aprovação em sites como Rotten Tomatoes e Metacritic – Punho de Ferro parece ter caído no gosto popular: a audiência tem atribuídos percentuais superiores a 80% de aprovação em sites como Rotten Tomatoes e IMDB.

Vista fora do panorama dos heróis da Marvel, “Iron Fist” (nome original da série) não impressiona, mas também está longe de ser uma série ruim. Com um enredo interessante e bons personagens, o contexto da história cativa e mantém o expectador atento aos acontecimentos episódio a episódio. No entanto, quando analisada dentro do universo Marvel e do contexto dos Defensores, há inegáveis pontos negativos que devem ser assumidos e – esperamos que – corrigidos.

Resta-nos agora esperar a reunião dos Defensores e que Danny Rand, o pior Punho de Ferro da história (palavras da própria série), possa aprender alguma coisa com quem já está nas ruas e apresentar a força e dureza que o “cargo” impõe.

PS: A abertura da série é muito boa!

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CRÍTICA | Aliados

Dirigido por Robert Zemeckis (‘De Volta para o Futuro’, ‘Forrest Gump’,‘Náufrago’), Aliados tinha tudo para ser um daqueles filmes que marcam época. Com um enredo bem pensado, excelente ambientação e protagonistas de peso, o filme cativa, mas deixa aquela sensação de que “falta algo”.

O longa conta a história de dois espiões, Vatan (Brad Pitt) e Marianne Beauséjour (Marion Cotillard), que acabam se apaixonando em uma missão no Marrocos, durante a Segunda Guerra Mundial. De volta às terras aliadas, surgem suspeitas de Beauséjour, agora casada com Vatan, possa ser uma agente dupla. O mistério em torno das intenções de Marianne constitui o foco de tensão da narrativa ao longo de toda a produção.

Com atuações fortes, mas bastante discrepantes, Brad consegue passar a dureza de um agente em plena guerra, mas deixa a desejar no momento de transparecer a sensibilidade necessária ao personagem. Marion, entretanto, simplesmente encanta em cada cena. Com frases e olhares que fortalecem a suspeição, a protagonista consegue manter a dúvida do expectador sobre suas intenções até o momento de desfecho da história.

Longe de ser um romance comum, o filme tem um enredo bem trabalhado, fotografia e figurino belíssimos (assinado por Joanna Johnston e inclusive indicado ao Oscar) e uma finalização digna de um trabalho de Zemeckis. Apesar de não ter alcançado todo seu potencial, com certeza vale os 124 minutos em frente a tela.

Curiosidades

  • Brad Pitt teve Marion Cotillard como professora de francês (vamos acreditar que foi apenas isso).
  • O figurino do filme foi inspirado em Casablanca (1942) e A Estranha Passageira (1942), onde as roupas eram tão bonitas quanto simples.
  • Quarto filme de Brad Pitt sobre a Segunda Gerra Mundial. Os outros foram Bastardos Inglórios (2009), Beyond All Boundaries (2009), e Corações de Ferro (2014).
  • Brad Pitt e August Diehl já apareceram em Bastardos Inglórios (2009).
  • O roteirista Steven Knight disse que a inspiração para o roteiro veio de uma suposta história verdadeira sobre dois espiões que se apaixonam durante a Segunda Guerra Mundial. Knight ouvira esta história quando tinha 21 anos de idade.
  • É o segundo filme de Marion Cotillard sobre a Segunda Guerra Mundial. O primeiro foi Lisa (2001).
  • Trata-se do 18º filme dirigido por Robert Zemeckis.

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VÍDEO | CINCO MELHORES ABERTURAS DE SÉRIES

Tem algumas aberturas de séries que ficam na cabeça da gente e gruda. No vídeo dessa semana escolhemos cinco séries que tem aberturas épicas. Confere aí.

 

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Crítica | Love – 2° Temporada

Sabe aquele momento que você tá zapeando na Netflix procurando algo leve, rápido e diferente para assistir? Se tem uma série que se encaixa nesse perfil é Love. A série criada e dirigida por Judd Apatow (Ligeiramente Grávidos) tem o selo Original Netflix e é uma dramédia que acompanha Gus (Paul Rust) um nerd todo certinho que trabalha como professor de uma atriz adolescente em uma série de TV, que após ser traído por sua namorada conhece Mickey (Gillian Jacobs), produtora em uma emissora de rádio, porém é viciada em sexo, álcool e drogas e que também está passando por um término de um relacionamento. Juntos, mesmo com tantas diferenças, eles procuram entender o que realmente significa o que é o amor.

A segunda temporada inicia exatamente de onde a série parou, com Mickey pedindo um tempo de um ano para Gus, para ela se “tratar” do seu vício em drogas e sexo, para isso ela procura grupos de apoio como “Alcóolicos Anônimos”. Gus por sua vez consegue a adaptação do seu roteiro para um episódio da série “Bruxaria”, que sofre com um hiato repentino devido a queda na audiência.

A grande sacada dessa segunda temporada é mostrar que o amor amadurece sem querer, e a série consegue ir amadurecendo junto. Mesmo sem os dois quererem assumir de fato um relacionamento, com o tempo os dilemas de casais vão aparecer, seja a primeira festa da empresa juntos, conhecer o pai da namorada ou a primeira viagem separados.

Ao tempo que acompanhamos as idas e vindas de Gus e Mickey, a série encaixou e muito bem outras tramas (e formas) como é o caso do relacionamento de Bertie (Claudia O’Doherty) e Randy (Mike Mitchell), que vivem outros dilemas. Além de rir um pouco da indústria com o cancelamento iminente de Bruxaria, ou  a gravação de um nova franquia de filmes.

Love não vai arrancar gargalhadas, mas a trama lhe envolve e faz você torcer para que o casal se encontre em seus desencontros e talvez até se identifique em certo ponto. Afinal de contas o amor não segue um estereótipo ou olha as diferenças. Amor é sobre aceitação, sobre entrega, sobre querer bem, sentir saudades e ainda que não seja verbalizado, uma hora a paixão amadurece e vira amor.

A segunda temporada já está disponível na Netflix com 12 episódios e a série já está renovada para a terceira temporada.

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Crítica| LOGAN

Há 17 anos um filme chegava aos cinemas, produzido por Kevin Feige e que mudaria os olhos da indústria cinematográfica para o universo dos Super-Heróis. Estamos falando de X-Men: O Filme. O filme produzido pela Fox arrecadou US$ 296 milhões para um orçamento de US$ 75 milhões. Ao longo desse tempo podemos ver várias fases e linhas temporais dos Mutantes, porém um personagem era comum em todas: Wolverine.

“Charles, o mundo não é mais o mesmo terá de aprender a viver com isso” – diz Logan a Xavier. Os personagens interpretados por Hugh Jackman e Patrick Stewart respectivamente, passaram juntos por várias fases dos filmes dos Mutantes, nem todas tão boas vale notar. O filme marca a despedida dos dois atores em seus personagens e teremos de aprender a viver com isso. E que despedida.

O ano é 2029, há 25 anos não se houve falar da existência de mutantes por algum evento que ocorreu que o filme não deixa muito claro. Mas já nos primeiros minutos já é possível perceber o estado de Logan, velho, com muitas cicatrizes, olhos vermelhos, trabalhando como chofer. Xavier já com 90 anos, e Alzheimer precisa ser constantemente medicado para controlar os seus poderes.

Quem for ao cinema querendo assistir mais um filme de super-herói pode sair frustrado. Definitivamente Logan não é um filme de herói, e por mais que o ciborgue Donald Pierce, interpretado por Boyd Halbrook, se destaque como antagonista, o maior inimigo do Wolverine é ele mesmo, com o peso do seu passado e tudo que teve que fazer durante toda sua vida. O filme é uma espécie de Road movie, onde a história se desenrola durante a estrada e as situações ocorrem, porém há influências do Western também deixando o filme amarelado e crescendo o tom melancólico.

Quem rouba a cena mesmo é a Dafne Keen, atriz de apenas 11 anos que deixou todos boquiabertos com a interpretação maravilhosa da Laura (X-23), e mostra que o legado do Wolverine deve continuar nas próximas gerações.

Deadpool mostrou que é possível fazer sucesso mesmo aumentando a classificação indicativa e Logan acerta ao usar a mesma tática. Afinal, se vamos nos despedir, que seja com o que o público sempre quis ver. Sangue e cenas de ações frenéticas fazem jus a classificação, porém usada com moderação sem atrapalhar o desenvolvimento do roteiro. Talvez a única coisa que o publico pode se frustrar nesse filme é o fato de Wolverine não usar o famoso uniforme dos quadrinhos, mas isso é justificado durante a trama.

A maquiagem é um show a parte aliada a efeitos de CGI que tornam a velhice de Xavier e Logan ainda mais crível. E se Johnny Cash já tinha deixado a sua mensagem no trailer com Hurt dizendo: – Todos que eu conheço vão embora no final. The Man Comes Around, também de Johnny Cash, despede o filme dizendo: Vozes chamando, vozes chorando / Alguns estão nascendo e outros morrendo.

“Um homem tem que ser o que é Joey, não pode quebrar a forma.”, essa cena de Os Brutos Também Amam (1953) é usada pelo professor X para dar lições a Laura, mas também nos faz entender muito do legado do Wolverine, que em todo tempo não negou sua personalidade, entretanto com todo seu jeito “anti-social”  e tentando demonstrar que não tinha sentimentos lidou com o seu passado até o fim. Logan é sobre família, é sobre existência, é sobre lidarmos com as consequências do nosso passado, mas tentar experimentar novas coisas no hoje.

A geração que cresceu acompanhando as sagas dos heróis nos cinemas vai ter que começar a se acostumar com as despedidas dos atores de seus personagens. E se demorou 19 anos para ser encontrado um novo Superman para substituir Christopher Reeve, sabe-se lá quando acharão um novo Wolverine.

Logan não apenas se despede, mas cria pontes para o futuro. A história de X-23 e os mutantes criados em laboratório pode ser abordada em um futuro próximo. E por sair na frente como primeiro filme dos heróis de 2017, Logan elevou e muito o nível para os próximos que estão programados para esse ano. E que venha a X-23, Novos Mutantes e muito mais X-Men!

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VÍDEO | LIVROS ADAPTADOS PARA FILMES E SÉRIES

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Quando lemos as sagas literárias imaginamos os personagens da nossa forma, quando eles ganham suas adaptaçõs cinematográficas nem sempre agradam. Separamos as adaptações que deram certo (ou não) e comentamos nesse vídeo.

 

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Vencedores do Framboesa de Ouro 2017

Todos os anos, um dia antes do Oscar acontece a premiação do Framboesa de Ouro, prêmio que escolhe os piores do ano em Hollywood. Como esse tipo de prêmio ninguém quer ir receber, a divulgação do resultado este ano se deu através de um vídeo no YouTube.

Os Estados Unidos da Hillary e Batman Vs. Superman dominaram a premiação, ganhando quatro categorias cada. Uma das novidades deste ano foram dois prêmios especiais, um entregue a Mel Gibson, o de Troféu Redenção, por ter conquistado uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor com “Até o Último Homem”, e o Troféu Barry L. Bumstead ficou com Má Conduta, suspense estrelado por Al Pacino, Anthony Hopkins e Josh Duhamel que custou US$ 11 milhões e faturou apenas US$ 15.150 nas bilheterias norte-americanas.

Confira a lista completa dos Vencedores do Framboesa de Ouro 2017:

PIOR FILME

Os Estados Unidos da Hilary

PIOR DIREÇÃO

Dinesh D’Souza e Bruce Schooley (Os Estados Unidos da Hilary)

PIOR ATOR

Dinesh D’Souza, como ele mesmo (Os Estados Unidos da Hilary)

PIOR ATRIZ

Rebekah Turner (Os Estados Unidos da Hilary)

PIOR ATOR COADJUVANTE

Jesse Eisenberg (Batman Vs Superman – A Origem da Justiça)

PIOR ATRIZ COADJUVANTE

Kristen Wiig (Zoolander 2)

PIOR ROTEIRO

Batman Vs Superman – A Origem da Justiça

PIOR PRELÚDIO, SEQUÊNCIA, REFILMAGEM OU FILME DERIVADO

Batman Vs Superman – A Origem da Justiça

PIOR COMBO

Ben Affleck e seu BFF Henry Cavill (Batman Vs Superman – A Origem da Justiça)

TROFÉU BARRY L. BUMSTEAD

Má Conduta

TROFÉU REDENÇÃO

Mel Gibson (Até o Último Homem)

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Moonlight e La La Land são destaques no Oscar 2017

Numa cerimônia marcada por discursos fortes e talvez a maior gafe da história do evento, o Oscar 2017 consagrou La La Land como o grande vencedor da noite. Liderando nas indicações e também nas premiações, La La Land leva para casa seis das 13 estatuetas que disputou: atriz, diretor, música original, trilha sonora, fotografia e design de produção. Com o feito, Damien Chazelle, de “La La Land”, se tornou o mais jovem a ganhar como diretor. Casey Affleck levou o Oscar de ator por “Manchester à Beira-mar”, filme que ganhou também a estatueta de roteiro original. Moonlight faturou a premiação de melhor roteiro adaptado, melhor ator coadjuvante e melhor filme.

Além das excelentes produções que disputavam as estatuetas, outro grande destaque ficou por conta de uma gafe histórica que marcou a premiação. Os apresentadores responsáveis por anunciar o vencedor da categoria de melhor filme, Faye Dunaway e Warren Beatty, leram o nome errado ao falar quem levaria o prêmio. Os atores disseram que “La La Land” havia levado a estatueta, quando na verdade o prêmio era de Moonlight.

A equipe de Damien Chazelle chegou a subir ao palco, mas ao perceberem o erro, esclareceram que o vencedor tinha sido o filme de Barry Jenkins. Beatty e Faye leram, na verdade, o envelope em que constava a vencedora da categoria de Melhor Atriz (Emma Stone, de “La La Land”).

Confira abaixo a lista completa de ganhadores da noite:


Melhor Filme
* Moonlight – Sob a Luz do Luar

Melhor Direção
* Damien Chazelle, La La Land – Cantando Estações

Melhor Ator
* Casey Affleck, Manchester À Beira-Mar

Melhor Atriz
* Emma Stone, La La Land – Cantando Estações

Melhor Atriz Coadjuvante
* Viola Davis, Um Limite Entre Nós

Melhor Ator Coadjuvante
* Mahershala Ali, Moonlight – Sob a Luz do Luar

Melhor Roteiro Original
* Manchester À Beira-Mar

Melhor Roteiro Adaptado
* Moonlight – Sob a Luz do Luar

Melhor Música Original
* “City of Stars”, La La Land – Cantando Estações

Melhor Fotografia
* La La Land – Cantando Estações

Melhor Documentário de Curta-Metragem
* Os Capacetes Brancos

Melhor Documentário de Longa-Metragem
* OJ: Made in America

Melhor Figurino
* Animais Fantásticos e Onde Habitam

Melhor Edição de Som
* A Chegada

Melhor Mixagem
* Até o Último Homem

Melhor Maquiagem e Penteado
* Esquadrão Suicida

Melhor Curta-Metragem Animado
* Piper

Melhor Animação
* Zootopia

Melhor Edição
* Até é o Último Homem

Melhores Efeitos Visuais
* Mogli: O Menino Lobo

Melhor Design de Produção
* La La Land – Cantando Estações

Melhor Filme Estrangeiro
* The Salesman (Irã)

Melhor Trilha Sonora
* La La Land – Cantando Estações

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Crítica | Moonlight: sob a luz do luar

Um garoto, três nomes, três identidades. Moonlight é um poema em forma de filme. Com um roteiro simples, mas rebuscado, um excelente elenco e uma fotografia de encher os olhos, o filme mostra logo em suas primeiras cenas o porquê foi indicado para concorrer a categoria mais importante do Oscar.

A produção conta três fases da vida de Chiro, um americano negro da periferia de Miami. De garoto perdido à gângster renomado, o protagonista nos leva a refletir sob diversos aspectos da vida em sociedade, especialmente sobre suas mazelas.Perseguido pelos colegas quando criança e tentando entender os problemas de sua mãe com as drogas, Little (apelido depreciativo colocado pelos outros garotos da escola) precisou aprender desde cedo que é difícil compreender quem você é. E mais difícil ainda fazer com que os outros o respeitem.

Com diálogos sucintos e profundos, os encontros de Chiro com os demais personagens são sempre complexos, suscitando a sensação de que há sempre muito mais por trás das poucas palavras trocadas nas cenas. A atuação de todo o elenco, em especial de Alex R. Hibbert, dispensa comentários e é capaz de rapidamente deixar marejados até os olhos dos mais fortes. São cenas que passam longe dos clichês a que estamos habituados e abordam temas polêmicos com tanta sobriedade que repetidamente fazem com que questionemos até mesmo os princípios mais básicos da humanidade, como o do respeito à identidade alheia.

Um outro ponto de destaque do filme é a sutileza com que a narrativa retrata os principais focos do enredo, passando longe da vitimização de Chiro, mas ao mesmo tempo sem romantizar em nada os acontecimentos. Em Moonlight somos apresentados ao cru relato das dores da vida, da esperança e do amor, tudo com a delicadeza de um soneto e com a força de um soco na boca do estômago.

É bem verdade que o filme perde um pouco do ritmo do meio para o final, mas nada capaz de tirar a beleza da história.

De um ponto de vista mais técnico, Moonlight também apresenta uma produção de peso. Uma boa trilha sonora acompanha belos planos, câmeras bem posicionadas e cenas muito bem editadas, tudo sob a excelente regência de Barry Jenkins, que mostrou verdadeira maestria na finalização do filme.

Em resumo, Moonlight é um filme que sem dúvida alguma merece estar no páreo para melhor filme no Oscar. Apesar dos concorrentes de peso, poucos de seus adversários conseguem imprimir uma mensagem tão profunda e bonita na alma daqueles que prestigiam os filmes. Se há algo pelo que sou grato, independente do resultado, é que sua indicação abriu caminhos para que pessoas de todo o mundo pudessem ser tocadas e despertadas pela linda mensagem de Chiro. Uma obra que vale cada minuto sentado em frente à tela.

Curiosidades

– No filme, Juan ensina Little a nadar. Mas antes do início das filmagens, o jovem realmente não sabia nadar. Então, Mahershala Ali realmente ensinou Alex R. Hibbert a nadar.

– Naomie Harris teve que filmar todas as suas partes em apenas três dias. As cenas se passam durante 15 anos da vida da personagem e foram filmadas em sequência.

– Barry Jenkins disse em uma entrevista que os três atores que interpretam Chiron não se conheceram durante a produção. A ideia era que cada um interpretasse seu personagem sem serem influenciados pelas atuações dos outros. A mesma técnica foi utilizada com os atores que interpretaram Kevin.

– Baseado na peça de teatro In Moonlight Black Boys Look Blue, escrita e dirigida por Barry Jenkins.

– Filmado durante 25 dias, de outubro a novembro de 2015, no sul da Flórida.

– As restrições orçamentárias foram tão grandes que o elenco teve de compartilhar um trailer de traje, cabelo e maquiagem, além de uma sala de descanso com toda a equipe.

– A princípio, Naomie Harris estava muito relutante em interpretar uma viciada em crack. No entanto, quando Barry Jenkins confidenciou a ela que seu personagem era baseado na própria mãe do diretor – que era viciada em crack -, Naomie concordou em assumir o papel. Para viver sua personagem, ela passou um mês pesquisando a vida de viciados em drogas e viu vários vídeos de viciados em crack na internet.

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Crítica | Estrelas Além Do Tempo

Os anos 50 e 60 foram marcados pela corrida espacial entre os EUA e Rússia. Não era uma boa época para os negros nos EUA, muito menos para as mulheres. E se você fizesse parte dos dois grupos então, as coisas não seriam nada fáceis. Esses aspectos sociais preconceituosos e segregacionistas atingiam até mesmo a emblemática NASA. Nessa época existia na Agência Espacial algo chamado “computador humano”, mulheres negras que faziam cálculos e análises de trajetórias. Isso mesmo, não pessoas, computadores humanos.

É dentro desse contexto que conhecemos a vida de três belas mulheres essenciais aos Estados Unidos durante a corrida espacial: Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson – Empire), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer-Insurgente) e Mary Jackson (Janelle Monáe). Baseado no livro homônimo (Hidden Figures), de Margot Lee Shetterly, o filme é dirigido por Theodore Melfi (Um Santo Vizinho) e produzido pelo cantor Pharrel Williams, que também assina a trilha sonora.

O principal foco do filme é a vida de Katherine Johnson, que desde a infância é considerada um prodígio na matemática, passando a ter ainda mais destaque na NASA, quando o chefe da Agência, Al Harrison (Kevin Costner), a chama para ser seu computador. Harrison se torna um mentor para Kath e um dos únicos do local que não se importa com a diferença de cor entre eles. Dorothy é a “supervisora” (ainda que não possua esse cargo formalmente) das mulheres “computadores”, que se sente ameaçada com a chegada das potentes máquinas da IBM, e precisa correr para aprender a manuseá-los antes que algum homem o faça e tome seu emprego. Já Mary tem o sonho de se tornar engenheira da agência, levando seu sonho ao juizado para solicitar a participação de um curso de pós-graduação, até então só ofertado para brancos.

Um dos pontos fortes da produção é que a narrativa não trata as protagonistas como meras vítimas do preconceito, mas sim destaca que suas conquistas só foram possíveis porque elas não pararam diante dos obstáculos que surgiam, mas lutavam em busca de seus ideiais. Essa máxima ganha ainda mais força quando refletimos que o filme é baseado em fatos reais, algo que o elenco não deixa passar despercebido, trazendo às telonas toda a carga e garra que as personagens exigem. Por incrível que pareça, apenas Jim Parsons (The Big Bang Theory), não traz nada de novo, parecendo ser apenas uma versão mais centrada de seu personagem Sheldon.

Em épocas de #OscarSoWhite, Estrelas Além Do Tempo dá força ao grito contemporâneo de “não a segregação”, não somente nos anos 50 e 60, mas também nos tempos atuais, a segregação e o machismo, embora muitas vezes velados, ainda subsistem.

O filme concorre ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado e Octavia Spencer concorre a Melhor Atriz Coadjuvante. A cerimônia acontece no próximo domingo, dia 26 de fevereiro e aqui no Brasil será transmitida pelo canal TNT a partir das 21h.

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