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Crítica | Cara Gente Branca – 1° Temporada

“O paradoxo da educação é que, ao ter consciência, passa-se a examinar a sociedade onde se é educado. ” (James Baldwin)

Justamente em uma época que temos alguém como Trump ocupando o posto de presidente dos EUA, a Netflix lança “Cara Gente Branca”, sua nova série original que adapta ao formato o filme homônimo (2014) de Justin Simien.

A trama da série segue o enredo do filme: acompanha um grupo de estudantes em um dormitório majoritariamente negro da Faculdade de Winchester, cuja maioria dos discentes é branca. Após um evento indesejado durante uma festa, o grupo se cansa do preconceito velado existente na instituição e propõe uma série de discussões a respeito do tema.

Após os questionamentos e discussões levantados em razão do polêmico sucesso de 13 Reasons Why, a Netflix retoma assuntos de suma importância que normalmente são “escanteados” pela sociedade e pela mídia. Semelhante ao que aconteceu com 13RW, as questões abordadas na série saltaram da TV para o cotidiano das redes sociais e mais uma vez as pessoas são convocadas a saírem de seus lugares de conforto e refletirem sobre suas atitudes e para onde caminha nossa sociedade. O cerne das questões sempre é o mesmo: o preconceito é algo real e cruel e está arraigado em grande parte das nossas percepções e condutas, mas raramente paramos para pensar em como isso afeta as pessoas ao nosso redor.

Importante notar que o próprio formato em que a série foi produzida também favoreceu bastante a trama, possibilitando um maior desenvolvimento dos personagens através do método de atenção voltada a cada um deles, sempre à luz de sua relação com a protagonista, Sam, interpretada pela excelente atriz Logan Browning.

Mas a série não se estrutura apenas sobre o tema do racismo. O olhar cuidadoso da produção também debruça cuidados sobre a diversidade existente dentro da própria comunidade negra, além de enfatizar como os estereótipos de masculinidade dentro do grupo geram muitas vezes comportamentos homofóbicos, chegando ao ponto de ocasionar até mesmo o enfraquecimento da luta pela representatividade.

O elenco de “Cara Gente Branca” não deixa nada a desejar para as mega produções, valendo o destaque para Brandon Bell e Marque Richardson, que interpretam novamente os personagens encarnados no filme. Além disso, temos ainda a presença maravilhosa de Giancarlo Esposito, como narrador da produção. Vale ressaltar também que Justin Simien, responsável pelo filme de 2014, também participou da adaptação, dirigindo e escrevendo três episódios. Até mesmo Barry Jenkins, diretor de Moonlight (ganhador do Oscar de melhor filme), participou da direção no quinto episódio da série.

 Apesar dos inúmeros pontos positivos, a série falha ao tentar, por muitas vezes, inserir algum alívio cômico ao enredo, talvez como estratégia para amenizar a dureza do discurso e permitir a “digestão” das pessoas que nem sempre estão preparadas para lidar com toda essa enxurrada de verdades, mas que acaba por compor quebras desnecessárias ao ritmo da narrativa.

Com episódios curtos, mas com temas altamente relevantes à atual geração, “Cara Gente Branca” mostra mais uma vez que o preconceito não é apenas “mimimi”, como costumam afirmar os internautas mais alheios, mas está sim presente em nossa sociedade e machuca inúmeras pessoas diariamente. Ah, e para não esquecer: racismo reverso não existe não, tá?

Então senta lá no sofá, faz a pipoca e dedique uma parte do seu tempo a essa serie que pode te ajudar a ser uma pessoa melhor.

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Crítica | Cara Gente Branca – 1° Temporada

“O paradoxo da educação é que, ao ter consciência, passa-se a examinar a sociedade onde se é educado. ” (James Baldwin)

Justamente em uma época que temos alguém como Trump ocupando o posto de presidente dos EUA, a Netflix lança “Cara Gente Branca”, sua nova série original que adapta ao formato o filme homônimo (2014) de Justin Simien.

A trama da série segue o enredo do filme: acompanha um grupo de estudantes em um dormitório majoritariamente negro da Faculdade de Winchester, cuja maioria dos discentes é branca. Após um evento indesejado durante uma festa, o grupo se cansa do preconceito velado existente na instituição e propõe uma série de discussões a respeito do tema.

Após os questionamentos e discussões levantados em razão do polêmico sucesso de 13 Reasons Why, a Netflix retoma assuntos de suma importância que normalmente são “escanteados” pela sociedade e pela mídia. Semelhante ao que aconteceu com 13RW, as questões abordadas na série saltaram da TV para o cotidiano das redes sociais e mais uma vez as pessoas são convocadas a saírem de seus lugares de conforto e refletirem sobre suas atitudes e para onde caminha nossa sociedade. O cerne das questões sempre é o mesmo: o preconceito é algo real e cruel e está arraigado em grande parte das nossas percepções e condutas, mas raramente paramos para pensar em como isso afeta as pessoas ao nosso redor.

Importante notar que o próprio formato em que a série foi produzida também favoreceu bastante a trama, possibilitando um maior desenvolvimento dos personagens através do método de atenção voltada a cada um deles, sempre à luz de sua relação com a protagonista, Sam, interpretada pela excelente atriz Logan Browning.

Mas a série não se estrutura apenas sobre o tema do racismo. O olhar cuidadoso da produção também debruça cuidados sobre a diversidade existente dentro da própria comunidade negra, além de enfatizar como os estereótipos de masculinidade dentro do grupo geram muitas vezes comportamentos homofóbicos, chegando ao ponto de ocasionar até mesmo o enfraquecimento da luta pela representatividade.

O elenco de “Cara Gente Branca” não deixa nada a desejar para as mega produções, valendo o destaque para Brandon Bell e Marque Richardson, que interpretam novamente os personagens encarnados no filme. Além disso, temos ainda a presença maravilhosa de Giancarlo Esposito, como narrador da produção. Vale ressaltar também que Justin Simien, responsável pelo filme de 2014, também participou da adaptação, dirigindo e escrevendo três episódios. Até mesmo Barry Jenkins, diretor de Moonlight (ganhador do Oscar de melhor filme), participou da direção no quinto episódio da série.

 Apesar dos inúmeros pontos positivos, a série falha ao tentar, por muitas vezes, inserir algum alívio cômico ao enredo, talvez como estratégia para amenizar a dureza do discurso e permitir a “digestão” das pessoas que nem sempre estão preparadas para lidar com toda essa enxurrada de verdades, mas que acaba por compor quebras desnecessárias ao ritmo da narrativa.

Com episódios curtos, mas com temas altamente relevantes à atual geração, “Cara Gente Branca” mostra mais uma vez que o preconceito não é apenas “mimimi”, como costumam afirmar os internautas mais alheios, mas está sim presente em nossa sociedade e machuca inúmeras pessoas diariamente. Ah, e para não esquecer: racismo reverso não existe não, tá?

Então senta lá no sofá, faz a pipoca e dedique uma parte do seu tempo a essa serie que pode te ajudar a ser uma pessoa melhor.

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Crítica | Cara Gente Branca – 1° Temporada

“O paradoxo da educação é que, ao ter consciência, passa-se a examinar a sociedade onde se é educado. ” (James Baldwin)

Justamente em uma época que temos alguém como Trump ocupando o posto de presidente dos EUA, a Netflix lança “Cara Gente Branca”, sua nova série original que adapta ao formato o filme homônimo (2014) de Justin Simien.

A trama da série segue o enredo do filme: acompanha um grupo de estudantes em um dormitório majoritariamente negro da Faculdade de Winchester, cuja maioria dos discentes é branca. Após um evento indesejado durante uma festa, o grupo se cansa do preconceito velado existente na instituição e propõe uma série de discussões a respeito do tema.

Após os questionamentos e discussões levantados em razão do polêmico sucesso de 13 Reasons Why, a Netflix retoma assuntos de suma importância que normalmente são “escanteados” pela sociedade e pela mídia. Semelhante ao que aconteceu com 13RW, as questões abordadas na série saltaram da TV para o cotidiano das redes sociais e mais uma vez as pessoas são convocadas a saírem de seus lugares de conforto e refletirem sobre suas atitudes e para onde caminha nossa sociedade. O cerne das questões sempre é o mesmo: o preconceito é algo real e cruel e está arraigado em grande parte das nossas percepções e condutas, mas raramente paramos para pensar em como isso afeta as pessoas ao nosso redor.

Importante notar que o próprio formato em que a série foi produzida também favoreceu bastante a trama, possibilitando um maior desenvolvimento dos personagens através do método de atenção voltada a cada um deles, sempre à luz de sua relação com a protagonista, Sam, interpretada pela excelente atriz Logan Browning.

Mas a série não se estrutura apenas sobre o tema do racismo. O olhar cuidadoso da produção também debruça cuidados sobre a diversidade existente dentro da própria comunidade negra, além de enfatizar como os estereótipos de masculinidade dentro do grupo geram muitas vezes comportamentos homofóbicos, chegando ao ponto de ocasionar até mesmo o enfraquecimento da luta pela representatividade.

O elenco de “Cara Gente Branca” não deixa nada a desejar para as mega produções, valendo o destaque para Brandon Bell e Marque Richardson, que interpretam novamente os personagens encarnados no filme. Além disso, temos ainda a presença maravilhosa de Giancarlo Esposito, como narrador da produção. Vale ressaltar também que Justin Simien, responsável pelo filme de 2014, também participou da adaptação, dirigindo e escrevendo três episódios. Até mesmo Barry Jenkins, diretor de Moonlight (ganhador do Oscar de melhor filme), participou da direção no quinto episódio da série.

 Apesar dos inúmeros pontos positivos, a série falha ao tentar, por muitas vezes, inserir algum alívio cômico ao enredo, talvez como estratégia para amenizar a dureza do discurso e permitir a “digestão” das pessoas que nem sempre estão preparadas para lidar com toda essa enxurrada de verdades, mas que acaba por compor quebras desnecessárias ao ritmo da narrativa.

Com episódios curtos, mas com temas altamente relevantes à atual geração, “Cara Gente Branca” mostra mais uma vez que o preconceito não é apenas “mimimi”, como costumam afirmar os internautas mais alheios, mas está sim presente em nossa sociedade e machuca inúmeras pessoas diariamente. Ah, e para não esquecer: racismo reverso não existe não, tá?

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Crítica | Cara Gente Branca – 1° Temporada

“O paradoxo da educação é que, ao ter consciência, passa-se a examinar a sociedade onde se é educado. ” (James Baldwin)

Justamente em uma época que temos alguém como Trump ocupando o posto de presidente dos EUA, a Netflix lança “Cara Gente Branca”, sua nova série original que adapta ao formato o filme homônimo (2014) de Justin Simien.

A trama da série segue o enredo do filme: acompanha um grupo de estudantes em um dormitório majoritariamente negro da Faculdade de Winchester, cuja maioria dos discentes é branca. Após um evento indesejado durante uma festa, o grupo se cansa do preconceito velado existente na instituição e propõe uma série de discussões a respeito do tema.

Após os questionamentos e discussões levantados em razão do polêmico sucesso de 13 Reasons Why, a Netflix retoma assuntos de suma importância que normalmente são “escanteados” pela sociedade e pela mídia. Semelhante ao que aconteceu com 13RW, as questões abordadas na série saltaram da TV para o cotidiano das redes sociais e mais uma vez as pessoas são convocadas a saírem de seus lugares de conforto e refletirem sobre suas atitudes e para onde caminha nossa sociedade. O cerne das questões sempre é o mesmo: o preconceito é algo real e cruel e está arraigado em grande parte das nossas percepções e condutas, mas raramente paramos para pensar em como isso afeta as pessoas ao nosso redor.

Importante notar que o próprio formato em que a série foi produzida também favoreceu bastante a trama, possibilitando um maior desenvolvimento dos personagens através do método de atenção voltada a cada um deles, sempre à luz de sua relação com a protagonista, Sam, interpretada pela excelente atriz Logan Browning.

Mas a série não se estrutura apenas sobre o tema do racismo. O olhar cuidadoso da produção também debruça cuidados sobre a diversidade existente dentro da própria comunidade negra, além de enfatizar como os estereótipos de masculinidade dentro do grupo geram muitas vezes comportamentos homofóbicos, chegando ao ponto de ocasionar até mesmo o enfraquecimento da luta pela representatividade.

O elenco de “Cara Gente Branca” não deixa nada a desejar para as mega produções, valendo o destaque para Brandon Bell e Marque Richardson, que interpretam novamente os personagens encarnados no filme. Além disso, temos ainda a presença maravilhosa de Giancarlo Esposito, como narrador da produção. Vale ressaltar também que Justin Simien, responsável pelo filme de 2014, também participou da adaptação, dirigindo e escrevendo três episódios. Até mesmo Barry Jenkins, diretor de Moonlight (ganhador do Oscar de melhor filme), participou da direção no quinto episódio da série.

 Apesar dos inúmeros pontos positivos, a série falha ao tentar, por muitas vezes, inserir algum alívio cômico ao enredo, talvez como estratégia para amenizar a dureza do discurso e permitir a “digestão” das pessoas que nem sempre estão preparadas para lidar com toda essa enxurrada de verdades, mas que acaba por compor quebras desnecessárias ao ritmo da narrativa.

Com episódios curtos, mas com temas altamente relevantes à atual geração, “Cara Gente Branca” mostra mais uma vez que o preconceito não é apenas “mimimi”, como costumam afirmar os internautas mais alheios, mas está sim presente em nossa sociedade e machuca inúmeras pessoas diariamente. Ah, e para não esquecer: racismo reverso não existe não, tá?

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Vídeo |Entrevista com Alexandre Drummond

Entrevistamos Alexandre Drummond, dublador do Flash, Malcolm (Jessica Jones), e outros personagens. Confira no vídeo:

 

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Entrevistamos Alexandre Drummond, dublador do Flash, Malcolm (Jessica Jones), e outros personagens. Confira no vídeo:

 

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Entrevistamos Alexandre Drummond, dublador do Flash, Malcolm (Jessica Jones), e outros personagens. Confira no vídeo:

 

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Crítica | Girlboss – 1ª Temporada

Se você tem 18 anos ou mais passou recentemente pelo choque de transição da vida adulta. Sim, acabou o ensino médio! “E agora? Que faculdade fazer? Tenho que arrumar um emprego!”. Vai morar só. Tem contas pra pagar. Os velhos dilemas da vida adulta mas com toda a carga de mudanças que a virada do Milênio trouxe. Exatamente: millennials, essa série é pra vocês!

Girlboss é uma adaptação livre (como a série faz questão de lembrar ao início de cada episódio) do homônimo livro autobiográfico de Sophia Amoruso. A produção acompanha a vida de Sophia, uma jovem que, com muita ousadia, largou seu emprego e decidiu investir em um negócio na internet. Apesar da trama por vezes se estabelecer com o que parece ser uma nova sitcom, a carga dramática das lutas e conflitos da protagonista não deixa tão clara a linha narrativa. Mais uma obra original Netflix, Girlboss tem em seu time além da autora (a Sophia da vida real), a aclamada atriz Charlize Theron.

Sophia, interpretada por Britt Robertson (Tomorrowland), é uma jovem destemida e corajosa, afinal de contas estamos falando de “a woman in a men’s world“, sem medo de errar e que gosta de pensar fora da caixa, vendo na internet a chance de transformar aquilo que gosta em seu novo ganha pão. Porém, o ano é 2006, onde a internet era terra pouco explorada, sem Youtubers e digital influencers de sucesso.

Uma das melhores características da série é justamente a identificação permitida logo de cara com os jovens adultos. Os roteiristas deixaram bem claro não ter receio algum de usar toneladas de referências dos anos 2000, como, por exemplo, Annie, melhor amiga de Sophia, quando diz que vai “ajudar Britney Spears depois do episódio do guarda-chuva”, a morte de Marissa em The OC (a essa altura não é mais spoiler) como “o evento televisivo mais importante de uma geração” e, pra quem passou a adolescência vidrado na MTV, um brinde: uma trilha sonora repleta de hits das bandas Yeah Yeah Yeahs, Bikini Kill, Silversun Pickups, e outras. Ainda sobre a “fórmula da identificação”, a própria personalidade da Sophia é o reflexo dessa geração, especialmente ao retratar as atitudes inconsequentes e egocêntricas da protagonista, fazendo com que lembremos das diversas vezes que já agimos assim.

Se já brindamos a trilha sonora, o figurino é outro fator que não fica nem um pouco por baixo, afinal, essa é a temática central da série. Uma coisa muito interessante é que, sim, já podemos olhar pra 2005 e perceber mudanças na moda. A coisa as vezes é tão drástica que caberia aquele momento “a gente se vestia assim mesmo?”. Independente disso, impossível não amar a construção da pegada vintage de Amoruso, a grande diferença de sua loja e-commerce Nasty Gal. Ponto para Audrey Fisher, figurinista de Girlboss.

Porém como nem tudo são flores, a série peca na divisão entre a comédia e drama. Os primeiros episódios são contagiantes e nos conduzem a torcer por Sophia, ainda que em meio a algumas atitudes reprováveis, porém, ao surgir os problemas, o enredo não apresenta fluidez, faltando tempo para desenvolver as problemáticas, e acabando por apresentar soluções por vezes bastante infantis. Talvez esse problema no roteiro seja resultado do ritmo frenético da série em busca de mostrar fatos que aconteceram ao longo de dois anos na vida da personagem em apenas 30 minutos. Ritmo esse que também é um símbolo da nossa geração. Esse acaba sendo um erro bem complexo de condução, pois torna os episódios aparentemente independentes, apesar dos cliffhangers bem pensados estimularem a maratona.

Voltando as boas noticias, o elenco é totalmente harmonioso, com Ellie Reed interpretando a Annie, melhor amiga de Sophia e Johnny Simmons interpretando Shane, namorado da protagonista que, ao passo que incentiva a namorada, também corre atrás de seus objetivos. Além deles, vale também o destaque para Dean Norris (Breaking Bad), melhor representação dos pais da nossa geração, Melanie Lynskey (Two and a Half Men), como a principal inimiga de Sophia e, por fim, mas não menos importante, RuPaul Charles, esbanjando simpatia como Lionel, vizinho da Girlboss.

Entre altos e baixos, Girlboss é um grito para nossa geração otimista, uma voz que lembra que empreender pode sim dar errado, mas também pode dar muito certo e que a fórmula para o sucesso é correr (muito) atrás dos seus objetivos. É bem verdade que a série não é a fórmula perfeitinha que vemos nas palestras de coaching da internet, mas é bem convincente ao passar a mensagem de que, quando tudo der errado, você vai precisar se reinventar.

Parabéns mais uma vez a Netflix por emplacar outra série de comédia que, se depender de seus jargões (“eu te amo, caso eu morra”), chegou para ficar.

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Crítica | Girlboss – 1ª Temporada

Se você tem 18 anos ou mais passou recentemente pelo choque de transição da vida adulta. Sim, acabou o ensino médio! “E agora? Que faculdade fazer? Tenho que arrumar um emprego!”. Vai morar só. Tem contas pra pagar. Os velhos dilemas da vida adulta mas com toda a carga de mudanças que a virada do Milênio trouxe. Exatamente: millennials, essa série é pra vocês!

Girlboss é uma adaptação livre (como a série faz questão de lembrar ao início de cada episódio) do homônimo livro autobiográfico de Sophia Amoruso. A produção acompanha a vida de Sophia, uma jovem que, com muita ousadia, largou seu emprego e decidiu investir em um negócio na internet. Apesar da trama por vezes se estabelecer com o que parece ser uma nova sitcom, a carga dramática das lutas e conflitos da protagonista não deixa tão clara a linha narrativa. Mais uma obra original Netflix, Girlboss tem em seu time além da autora (a Sophia da vida real), a aclamada atriz Charlize Theron.

Sophia, interpretada por Britt Robertson (Tomorrowland), é uma jovem destemida e corajosa, afinal de contas estamos falando de “a woman in a men’s world“, sem medo de errar e que gosta de pensar fora da caixa, vendo na internet a chance de transformar aquilo que gosta em seu novo ganha pão. Porém, o ano é 2006, onde a internet era terra pouco explorada, sem Youtubers e digital influencers de sucesso.

Uma das melhores características da série é justamente a identificação permitida logo de cara com os jovens adultos. Os roteiristas deixaram bem claro não ter receio algum de usar toneladas de referências dos anos 2000, como, por exemplo, Annie, melhor amiga de Sophia, quando diz que vai “ajudar Britney Spears depois do episódio do guarda-chuva”, a morte de Marissa em The OC (a essa altura não é mais spoiler) como “o evento televisivo mais importante de uma geração” e, pra quem passou a adolescência vidrado na MTV, um brinde: uma trilha sonora repleta de hits das bandas Yeah Yeah Yeahs, Bikini Kill, Silversun Pickups, e outras. Ainda sobre a “fórmula da identificação”, a própria personalidade da Sophia é o reflexo dessa geração, especialmente ao retratar as atitudes inconsequentes e egocêntricas da protagonista, fazendo com que lembremos das diversas vezes que já agimos assim.

Se já brindamos a trilha sonora, o figurino é outro fator que não fica nem um pouco por baixo, afinal, essa é a temática central da série. Uma coisa muito interessante é que, sim, já podemos olhar pra 2005 e perceber mudanças na moda. A coisa as vezes é tão drástica que caberia aquele momento “a gente se vestia assim mesmo?”. Independente disso, impossível não amar a construção da pegada vintage de Amoruso, a grande diferença de sua loja e-commerce Nasty Gal. Ponto para Audrey Fisher, figurinista de Girlboss.

Porém como nem tudo são flores, a série peca na divisão entre a comédia e drama. Os primeiros episódios são contagiantes e nos conduzem a torcer por Sophia, ainda que em meio a algumas atitudes reprováveis, porém, ao surgir os problemas, o enredo não apresenta fluidez, faltando tempo para desenvolver as problemáticas, e acabando por apresentar soluções por vezes bastante infantis. Talvez esse problema no roteiro seja resultado do ritmo frenético da série em busca de mostrar fatos que aconteceram ao longo de dois anos na vida da personagem em apenas 30 minutos. Ritmo esse que também é um símbolo da nossa geração. Esse acaba sendo um erro bem complexo de condução, pois torna os episódios aparentemente independentes, apesar dos cliffhangers bem pensados estimularem a maratona.

Voltando as boas noticias, o elenco é totalmente harmonioso, com Ellie Reed interpretando a Annie, melhor amiga de Sophia e Johnny Simmons interpretando Shane, namorado da protagonista que, ao passo que incentiva a namorada, também corre atrás de seus objetivos. Além deles, vale também o destaque para Dean Norris (Breaking Bad), melhor representação dos pais da nossa geração, Melanie Lynskey (Two and a Half Men), como a principal inimiga de Sophia e, por fim, mas não menos importante, RuPaul Charles, esbanjando simpatia como Lionel, vizinho da Girlboss.

Entre altos e baixos, Girlboss é um grito para nossa geração otimista, uma voz que lembra que empreender pode sim dar errado, mas também pode dar muito certo e que a fórmula para o sucesso é correr (muito) atrás dos seus objetivos. É bem verdade que a série não é a fórmula perfeitinha que vemos nas palestras de coaching da internet, mas é bem convincente ao passar a mensagem de que, quando tudo der errado, você vai precisar se reinventar.

Parabéns mais uma vez a Netflix por emplacar outra série de comédia que, se depender de seus jargões (“eu te amo, caso eu morra”), chegou para ficar.

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