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Crítica | Terrifier 3 – Rompe as convenções do terror em uma orgia de violência

Antes de avaliar a obra em si, vale destacar o quanto é impressionante ver a trajetória da franquia Terrifier, que passou de um projeto trash nichado de míseros $35 mil dólares (sim, esse foi o custo de produção do primeiro filme!) para se tornar um fenômeno de bilheteria mundial. Independentemente do tema, a saga de Art, o palhaço, trouxe de volta o horror gore extremo que parecia ter desaparecido de vista no início dos anos 2000.

Todo esse sucesso — capaz de desbancar blockbusters nas bilheterias americanas e deixar até mesmo seu criador incrédulo — se deve tanto à curiosidade gerada pela ousadia da obra (e não é pouca!) quanto à sua capacidade de saciar o público ávido pelo lado mais cru do terror. Mas o slasher do criativo Damien Leone aproveitou essa fama absurda para, felizmente, evoluir, e agora, com Terrifier 3, entrega uma homenagem violenta e divertida aos clássicos do horror dos anos 70 e 80, especialmente o cult Noite do Terror (Black Christmas), de 1974.

Os acertos e erros de Terrifier 3

Agora que se tornou uma franquia sob os holofotes, Terrifier precisava de algumas mudanças em relação aos dois primeiros filmes, tanto na estrutura da trama — que sempre foi caótica — quanto na introdução de algo novo. E a novidade desta vez é uma fusão inesperada entre Halloween e Natal, que deixa Jack Skellington com ciúmes.

Terrifier 3 é uma continuação direta do segundo filme e se passa 5 anos após o mesmo, trazendo de volta parte do elenco principal e fechando algumas pontas soltas do passado. Muito mais próximo de Pânico e Sexta-Feira 13 do que jamais foi, desta vez Art assume de vez a natureza sobrenatural que antes era apenas sugerida.

No entanto, o longa busca ser um pouco mais comedido no quesito fantasia — após a “viagem” surreal do segundo filme — e incorpora um toque de drama familiar para dar mais profundidade aos personagens. Quase tudo está visivelmente aprimorado: desde o elenco até a coesão da história e a estrutura cinematográfica.

Damien Leone traz de volta o que funcionou no segundo filme, mas agora dentro de uma narrativa bem mais tradicional, sem abrir mão de sua marca registrada de violência extrema. Com o Natal como cenário, o diretor explora o grotesco sem qualquer receio, transformando itens festivos em armas e distorcendo imagens sagradas da época. A trama adiciona camadas insanas e bíblicas ao banho de sangue prático e característico, sem medo de desafiar crenças ou sensibilidades.

O diretor maximiza o orçamento de US$ 2 milhões, elevando o banho de sangue a novos patamares com cenas brutais de mutilações de genitália, animais mortos e até crianças carbonizadas. Seu maior mérito é como isso consegue, depois de tanto tempo, ainda parecer algo novo ou um limite não explorado. O desconforto é tão extremo que chega a ser difícil imaginar como o filme alcança o circuito comercial com tanta violência explícita.

Lauren LaVera retorna como a final girl desta história, novamente sólida em seu papel de protagonista e visivelmente mais empenhada. O trauma de seu encontro anterior com o palhaço assassino exige uma carga dramática mais intensa, e, na maior parte do tempo, LaVera consegue entregar essa profundidade sem tropeçar. Quanto a Art, ele continua com a profundidade de uma poça d’água, um verdadeiro Charlie Chaplin serial killer – cômico, constragedor e esquisito de olhar. Mas que David Howard Thornton mais uma vez tira de letra.

Definitivamente, este não é um filme focado em desenvolver personagens ou gerar empatia, se é que alguém espera isso; seu propósito é bem claro: oferecer o banho de sangue que move o filme, onde toda perversidade é bem-vinda — afinal, cada Terrifier é uma aposta ousada. Em uma dinâmica que lembra a parceria de Chucky e Tiffany, Art agora conta com uma cúmplice: a bizarra e sádica Victoria Heyes (interpretada por Samantha Scaffidi). Juntos, eles espalham terror na noite de Natal, rompendo todas as convenções do terror tradicional em uma orgia de violência e transgressão.

Veredito

Se você espera um filme tradicional ou com uma exploração profunda de traumas, é melhor tirar sua rena da neve, pois Terrifier 3 é um banquete brutal para fãs famintos por violência gráfica extrema. Em outras palavras, o filme entrega exatamente o que promete — e um pouco mais. Art, o palhaço, se consolida como o novo ícone do terror, e parece que veio para ficar. Ainda assim, a amada franquia continua sem uma ordem ou coerência clara, embora agora esteja um pouco mais estruturada.

Nunca um filme natalino foi tão terrivelmente violado, e a neve jamais esteve tão tingida de vermelho. A ousadia da franquia é admirável, rompendo todos os limites do que pode ser exibido nos cinemas e elevando a classificação etária a um novo patamar. No entanto, é sadismo pelo sadismo, sem uma história concreta que o sustente.

Damien Leone, por razões óbvias, escolhe exibir sem cortes cenas de mortes intensas e sádicas ao nível snuff movie, entregando sequências tão impactantes que fazem qualquer filme perturbador parecer uma reunião de Natal em família. É desagradável, grotesco e destemido — exatamente como se espera.

NOTA: 7/10

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Crítica | ‘Venom 3: A Última Rodada’ encerra uma franquia que não vai deixar saudades

Venom in Columbia Pictures VENOM: THE LAST DANCE. Photo Courtesy: Sony Pictures

Venom 3: A Última Rodada encerra uma franquia que, embora inexplicavelmente popular, nunca entregou o potencial de um dos vilões mais icônicos do Homem-Aranha. Este terceiro filme, longe de corrigir os problemas de seus antecessores, apenas reafirma a desorganização narrativa que marcou a série desde o início, com um tom que mistura terror, comédia pastelão e um roteiro que parece perdido entre duas ou três ideias diferentes.

Os acertos e erros de Venom 3: A Última Rodada

Na trama, Eddie Brock e Venom enfrentam o que parece ser sua batalha final quando uma série de experimentos militares e científicos com simbiontes começa a sair do controle. Dividido entre enfrentar o governo e proteger seu próprio simbionte, Eddie precisa encontrar um equilíbrio entre ser herói e manter sua sanidade. Em meio a tudo isso, surgem novas ameaças e um inimigo que força Eddie a confrontar não apenas o lado sombrio de Venom, mas também suas próprias escolhas de vida.

Venom in Columbia Pictures VENOM: THE LAST DANCE. Photo Courtesy: Sony Pictures

É impressionante que a franquia “Venom” tenha chegado ao terceiro filme sem se preocupar em apresentar uma trama minimamente decente. O enredo é raso, com pouca construção de personagem e narrativa que muitas vezes soa forçada e desconexa. Em vez de explorar as complexidades de Venom como anti-heroi ou aprofundar a relação com Eddie, o roteiro se apoia em clichês de ação e terror, evitando qualquer desenvolvimento real. Mesmo quando tenta soar mais sério, o filme não consegue sustentar seu próprio peso narrativo.

A tentativa de balancear uma narrativa sombria com comédia pastelão resulta em um filme que parece duas histórias diferentes grudadas. Enquanto as cenas envolvendo cientistas e militares buscam criar uma atmosfera mais tensa, quase de terror, o tom muda drasticamente quando Eddie e Venom entram em cena, com diálogos cômicos exagerados e que parecem deslocados. O resultado é uma mistura que não se alinha, onde o humor cai no excesso e prejudica qualquer chance de gerar tensão ou medo.

Fica difícil entender como um ator como Tom Hardy embarcou em três filmes de Venom com roteiros tão fracos. Hardy, conhecido por performances intensas e dedicadas, luta para elevar o material com sua interpretação, mas sua presença é um desperdício em uma franquia que não faz jus ao seu talento.

Veredito

Venom 3: A Última Rodada encerra uma franquia que nunca encontrou sua identidade, e provavelmente é melhor para todos que o ciclo termine aqui. Com uma trama esquecível, diálogos que oscilam entre o sombrio e o absurdo, a franquia se despede sem deixar saudades. Para os fãs do personagem, resta torcer para que Venom tenha uma representação mais digna em futuros projetos.

Nota: 3/10

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Crítica | O Quarto Ao Lado – Que Almodóvar nunca feche sua porta de sensibilidade

É difícil não se envolver emocionalmente com um filme de Pedro Almodóvar. Seu cinema nunca foi sobre grandes causas ou efeitos colaterais. Não é o blockbuster do verão, nem o candidato óbvio ao Oscar, mas há algo profundamente humano, natural e envolvente em sua visão de mundo. O cineasta espanhol tem um olhar único para o feminino que o cerca, o que transforma suas tramas, muitas vezes novelescas, em verdadeiros banquetes de entretenimento, feitos para aquecer o coração como só ele sabe fazer.

E é surpreendente pensar que, mesmo após mais de 40 anos de carreira, Almodóvar, um ícone do cinema tradicional, só recentemente cedeu às rédeas de Hollywood com seu primeiro longa-metragem em inglês. Essa escolha parece ter um propósito – seja para se reinventar ou para se despedir. Quando Almodóvar tem algo a dizer, é sempre um prazer parar para escutar. O Quarto ao Lado (The Room Next Door), sua nova dramédia que fez estreia no Brasil no Festival do Rio, pode ser sim o crepúsculo de sua trajetória como cineasta ou o alvorecer de uma nova fase. De uma coisa não há dúvidas: continua dolorosamente belo, como tudo que ele cria, não importa o idioma.

Os acertos e erros de O Quarto ao Lado

O grande trunfo de O Quarto Ao Lado – baseado no livro O Que Você Está Enfrentando, de Sigrid Nunez – são, sem dúvida, suas duas protagonistas. Julianne Moore e Tilda Swinton são estrelas que, por si só, iluminam qualquer roteiro simples, trazendo um brilho único para cada bendita cena. É difícil errar com essas duas no paLco; a naturalidade com que elas atuam torna tudo incrivelmente belo e melodramático.

E Almodóvar, já conhecido por sua habilidade em dirigir mulheres, aproveita cada mínimo detalhe das performances de Moore e Swinton para elevar ainda mais a acidez, o humor e a doçura do filme. A química entre elas é tão evidente e fluida que seria possível assistir a três temporadas de uma série com as duas discutindo, de maneira descontraída, sobre a vida e a morte. E, falando em morte, ela é o vilão invisível dessa narrativa.

Depois de anos afastadas pelas adversidades da vida, as amigas se reencontram em uma situação inesperada e complexa. Swinton interpreta uma jornalista de guerra que, ao descobrir um câncer terminal, decide que quer partir desta vida por escolha própria, enquanto ainda está no auge, antes que a doença a consuma. Para isso, ela pede que sua amiga de longa data, vivida por Moore, a acompanhe em seus últimos dias e testemunhe sua morte.

Esse reencontro, claro, reacende a amizade entre elas, enquanto Almodóvar aborda, de maneira sensível, o tema da eutanásia – um debate delicado que lembra o filme Mar Adentro, de Alejandro Amenábar, lançado em 2004. Embora seja um assunto complexo para uma obra cômica e que gera opiniões diversas, serve como pano de fundo para momentos belamente orquestrados, pensados para provocar reflexão e emoção, como ambos os cineastas sabem fazer tão bem.

O humor presente no roteiro impede que o tema seja tratado de forma piegas, cafona ou excessivamente triste. Pelo contrário, o foco está na amizade reconstruída entre as duas protagonistas e como essa cumplicidade permite que uma delas tenha o fim desejado, sem sofrimento ou dor além do necessário. Um privilégio para poucos.

A casa de campo que elas alugam no interior se transforma em um verdadeiro templo de perdão, onde, entre filmes clássicos e vinhos caros, as amigas refletem sobre suas vidas, amores e angústias. Parece que Almodóvar, por sua vez, também está em um processo de auto-reflexão. E se engana quem acha que o senhor já está cansado. O filme traz um olhar atento às questões sociais e ambientais, como uma sutil crítica do cineasta espanhol aos Estados Unidos. Isso demonstra sua total lucidez sobre o mundo ao seu redor, mesmo aos 75 anos.

O texto, ao mesmo tempo voraz e despretensiosamente simples, carrega influências de Ingmar Bergman, Richard Linklater e toques sutis de Woody Allen. Ainda assim, O Quarto ao Lado é inconfundivelmente um filme de Almodóvar. Isso se reflete tanto em suas cores vibrantes e características, quanto na maneira com que explora personagens profundamente complexas e suas relações singulares com o mundo ao redor. É tanta beleza visual e estética que parece um quadro vivo, mas em uma escala muito menor e mais “natural” que em seus filmes anteriores.

Veredito

Com uma lucidez admirável sobre o mundo ao seu redor e um profundo apreço pelo cinema artesanal, Pedro Almodóvar faz uma estreia brilhante em língua inglesa com O Quarto ao Lado, um filme doce, honesto e ácido sobre a transição da vida para o que vem depois. Embora tenha uma escala cinematográfica mais ampla, o filme mantém o familiar e envolvente melodrama de suas dramédias anteriores.

Moore e Swinton estão soberanas e incrivelmente críveis, enquanto a trilha sonora, a fotografia impecável e o elenco completo funcionam como um banquete para os olhos e o coração, com cada linha de diálogo cuidadosamente pensada para nos tocar. É uma obra admirável tanto em termos de adaptação – seja ao idioma inglês ou à dinâmica de Hollywood – quanto como um tributo à tradição do cinema, mostrando o toque moderno e divertido de Almodóvar.

O filme reflete seu afeto pelas personagens femininas complexas e o universo que ele sempre criou, cheio de cor, estética e beleza meticulosa. Além de visualmente deslumbrante, este é um filme profundamente comovente, que celebra o valor das verdadeiras amizades e a importância de dignidade e respeito, mesmo diante da morte. Ele mistura o bege sóbrio do cinema norte-americano com as cores vibrantes e calorosas que definem o cinema espanhol. Lindo.

NOTA: 9

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Fernanda Montenegro desmascara quadrilha de traficantes no trailer de “Vitória”; veja

Vitória“, longa-metragem estrelado por Fernanda Montenegro, Alan Rocha e grande elenco, acaba de divulgar seu primeiro trailer.

Dirigido por Andrucha Waddington e produzido por ele e Breno Silveira, o filme marca o retorno de Fernanda Montenegro, única atriz brasileira indicada ao Oscar, às telas do cinema como protagonista.

Trazendo uma prévia emocionante do filme, o trailer mostra a rotina de violência próximo ao apartamento de Dona Nina e seu primeiro encontro com o jornalista que mudaria sua vida, interpretado no filme por Alan Rocha, e apresenta parte do elenco como Linn da Quebrada, Laila Garin e Thawan Lucas. O filme tem produção assinada pela Conspiração em coprodução com a MyMama Entertainment e o Globoplay, com apoio da Globo Filmes. O lançamento nos cinemas está marcado para o dia 13 de março, com distribuição da Sony Pictures.

Confira o trailer:

Sobre Vitória

Inspirado em uma história real, o filme narra um dos casos mais emblemáticos do jornalismo brasileiro, trazendo a história de Vitória, nome pelo qual ficou conhecida Joana da Paz, uma aposentada que desmascarou uma quadrilha de traficantes e policiais corruptos a partir de filmagens em fitas VHS, feitas da janela de seu apartamento na Zona Sul do Rio. Apelidada de Vitória, por questões de segurança, a idosa teve sua identidade mantida em sigilo por 17 anos, até 2023, quando faleceu, já com as filmagens do longa-metragem em andamento. 

“Vitória” é um filme Original Globoplay, produzido pela Conspiração, que reforça o compromisso da plataforma não só com grandes histórias brasileiras, mas também com a experiência das salas de cinema. O roteiro, escrito por Paula Fiúza, é baseado no livro “Dona Vitória da Paz”, de Fabio Gusmão, repórter autor da série de reportagens que narraram o caso. O longa tem produção executiva de Renata Brandão, Mariana Vianna, Tania Pacheco, Mayra Faour Auad e Ilda Santiago, e produção associada de Leonardo M. Barros. 

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Receba! Série documental ‘Luva de Pedreiro – O Rei Da Jogada’ ganha trailer e data de estreia

Da pequena Quijingue (BA) às telas de milhões de pessoas, Iran Ferreira se tornou Luva de Pedreiro, um dos influenciadores brasileiros mais conhecidos do mundo. Sua ascensão meteórica é tema da nova série documental da Max, LUVA DE PEDREIRO – O REI DA JOGADA, que estreia dia 7 de novembro. A série de três episódios chega à plataforma na data de lançamento, e acompanha Iran desde sua origem humilde até o estrelato, e os altos e baixos que se seguiram. 

Confira o trailer:

Sobre Luva de Pedreiro – O Rei da Jogada

Equilibrando bom-humor e a dramaticidade dos momentos mais conturbados de sua carreira, LUVA DE PEDREIRO – O REI DA JOGADA traz depoimentos de celebridades como Tiago Leifert, Gkay, Falcão, Carlinhos Maia, Kondzilla e especialistas em marketing digital. O resultado é um mergulho na história de Iran sob diferentes perspectivas, apresentando suas experiências pessoais e bastidores sob um olhar tão humano quanto o jovem que se fez estrela, contando uma história de superação e vulnerabilidade. 

Ter um documentário sobre a minha vida, com a participação de pessoas que admiro e sou fã, lançado na Max, é algo que eu nunca imaginei. É um sonho realizado, mesmo. Eu agradeço muito a Deus, não caiu a ficha ainda! Já gravei muita coisa, mas nada se compara a isso. Todo o suporte e cuidado que recebi foi diferenciado e muito profissional, e permitiu com que eu contasse as partes mais importantes e sensíveis da minha história. Espero que as pessoas se identifiquem e que, de alguma forma, isso sirva de inspiração e fé para que nunca desistam dos seus sonhos!”, comenta Iran Ferreira. 

Iran começou a postar vídeos jogando futebol amador e rapidamente se tornaram virais graças ao seu entusiasmo contagiante, bordões marcantes e simplicidade genuína. Nascido e criado em uma das regiões mais pobres do Brasil, o jovem ultrapassou a marca de 40 milhões de seguidores e atraiu a atenção de importantes empresas do mercado esportivo e de consumo, consolidando-se não só como um ícone do futebol de rua, mas também como uma potência no mundo do marketing digital. 

LUVA DE PEDREIRO – O REI DA JOGADA é uma série Max Original, produzida pela Beyond Films, produtora especializada em sportainment, que tem como foco o esporte com fortes elementos de entretenimento. A direção é de Sebastián Gadea e a produção executiva é de Sérgio Floris e Olivia Chiesi. Pela WBD, são responsáveis pela produção Sergio Nakasone, Adriana Cechetti, Luciana Soligo e Mariana Loibiso. 

Se você ainda não é assinante da Max, pode assinar clicando aqui.

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A Lenda de Vox Machina é renovada para 4ª temporada

O Prime Video anunciou hoje que a série de fantasia e aventura A Lenda de Vox Machina, da Critical Role e Titmouse, foi renovada para a quarta temporada. O anúncio é feito antes do episódio final da terceira temporada, que estreia amanhã (24). Todas as temporadas mantém uma pontuação de 100% no Rotten Tomatoes.

A fantástica equipe da Critical Role e da Titmouse continua a produzir temporadas cativantes de A Lenda de Vox Machina e estamos entusiasmados com o que está por vir”, disse Melissa Wolfe, Head de animação do Amazon MGM Studios. “Nosso público global do Prime Video abraçou essa série desde o início e os fãs, assim como nós, continuam apaixonados pelos personagens e pelas histórias.

Sobre A Lenda de Vox Machina

Na terceira temporada, o caminho de destruição do Conclave Cromático se espalha, enquanto o Rei Cinder persegue a Vox Machina. O grupo de desajustados deve superar seus demônios internos (e externos) para tentar salvar entes queridos, os Tal’Dorei e toda a Exandria.

A Lenda de Vox Machina é uma produção do Amazon MGM Studios, Critical Role e Titmouse para o Prime Video. A série é estrelada pelos fundadores da Critical Role e pelos membros do elenco Laura Bailey (The Last of Us: Part II), Taliesin Jaffe (World of Warcraft), Ashley Johnson (The Last of Us), Liam O’Brien (Marvel’s Avengers), Matthew Mercer (Baldur’s Gate 3), Marisha Ray (Fallout 76), Sam Riegel (Teenage Mutant Ninja Turtles) e Travis Willingham (Marvel’s Avengers).

O elenco de Critical Role também atua como produtor executivo ao lado de Brandon Auman (Star Wars: Resistance), Chris Prynoski (Metalocalypse), Shannon Prynoski (Fairfax) e Ben Kalina (Big Mouth).

O Amazon Prime custa R$ 19,90 e além do serviço de streaming de vídeo, o assinante tem direito a Frete GRÁTIS em milhões de produtos elegíveis, 2 milhões de músicas no Amazon Music, centenas de eBooks e revistas no Prime Reading. Clique aqui para assinar  e aproveite os 30 dias grátis.

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Crítica | Abraço de Mãe – Horror cósmico transforma Rio de Janeiro em Silent Hill

Cristian Ponce é um daqueles raros e subestimados cineastas que possuem um olhar absolutamente singular para o horror, repleto de referências e capaz de transformar qualquer história em algo inventivo e aterrorizante. Um diretor que claramente ama criar atmosferas e se diverte com o gênero como poucos nos dias de hoje.

Já havia demonstrado sua habilidade em construir uma tensão envolvente com a série animada A Frequência Kirlian (2017), que nos leva a uma rádio macabra em uma cidadezinha cheia de mistérios, e em seguida arrepiou o público com História do Oculto (2020).

Agora, Ponce atinge um novo patamar de maturidade cinematográfica e domínio narrativo ao dirigir o filme brasileiro Abraço de Mãe, uma mistura de terror psicológico e fantasia sobrenatural que foi selecionado para o Festival do Rio. Desta vez, utiliza o ensolarado e caótico Rio de Janeiro como palco para criar algo totalmente inédito no nosso cinema, e o resultado é fascinante. Ao ambientar a trama em meio a uma tempestade e em um local isolado, repleto de mistérios, entidades e criaturas estranhas, ele transforma o Rio em uma versão de Silent Hill por uma noite.

O resultado é um deleite para os fãs de histórias que se desenrolam em um curto período de tempo, onde o clima se torna um verdadeiro vilão. Mas, apesar do título aparentemente acolhedor, Abraço de Mãe vai para o lado oposto, mergulhando profundamente no terror lovecraftiano com sua estranheza gloriosa e toques cósmicos, evocando referências, em especial, ao livro e filme Dagon (2001). Sim, estamos falando de um filme brasileiro que se inspira em clássicos da literatura sobrenatural — e o resultado é magnífico.

Os acertos e erros de Abraço de Mãe

Na obra de H.P. Lovecraft, Dagon é uma divindade sombria que habita o mundo e se alimenta de sacrifícios humanos, cultuada por aqueles que acreditam em seu poder, representando fertilidade e abundância na pesca, uma espécie de “deus” submerso no Oceano Atlântico. Em Abraço de Mãe, Ponce canaliza essa força motora para criar um enredo surpreendentemente enegenhoso e cheio de mistérios, que é ao mesmo tempo bastante carioca e também universal.

Ambientada durante a histórica tempestade tropical de 1996 no Rio de Janeiro, a trama segue a determinada Ana (Marjorie Estiano), uma bombeira que, junto com sua equipe, tenta desesperadamente evacuar um hospital psiquiátrico precário prestes a desabar. No entanto, os enigmáticos residentes do local têm planos perturbadores e sinistros. À medida que a tempestade se intensifica pela cidade, Ana é forçada a lidar não só com o perigo iminente, mas também com os traumas de seu passado, especialmente em relação à sua mãe.

Apesar de ser um verdadeiro deleite para os fãs de fantasia de horror. Abraço de Mãe não é um filme para todos e deve encontrar certa dificuldade na Netflix. Sua narrativa, em alguns momentos, se complica ao tentar explicar demais, sem oferecer respostas realmente satisfatórias sobre o que está acontecendo – se é que precisa. É um sonho? São fantasmas? Tudo se passa na mente da protagonista? Talvez tudo isso e, ao mesmo tempo, nada disso. O enredo é confuso e embriagado de metáforas.

Sem qualquer sutileza, o filme explora temas densos como medo, paranoia, religião e existencialismo em um Brasil dos anos 90, que proporciona uma experiência intrigante e envolvente boa parte da obra, mas sem entregar respostas fáceis. Há muitos elementos bons sendo arremessados na tela, e nem todos são desenvolvidos de forma satisfatória.

Abraço de Mãe não tem muitos sustos memoráveis, infelizmente, mas a grande força da narrativa está mesmo é na habilidade de Ponce em construir e sustentar o suspense de forma precisa, semelhante à nomes como Mike Flanagan, por exemplo. Ele mantém a tensão no ar pelo tempo necessário, especialmente com o suporte da magnética Marjorie Estiano, que carrega nas costas o peso emocional do filme.

Já conhecida por sua competência no gênero, como demonstrou no ótimo As Boas Maneiras, Marjorie mais uma vez se destaca como um dos pontos altos do filme. Embora sua atuação não seja excepcionalmente intensa, ela sabe perfeitamente como se transformar em uma scream queen convincente à medida que a trama a conduz por uma verdadeira descida ao inferno.

Veredito

Abraço de Mãe é um verdadeiro presente para os fãs do horror cósmico de Lovecraft, combinando elementos distintos de maneira surpreendentemente eficaz, graças à mente criativa e habilidosa do argentino Cristian Ponce, que sabe como criar atmosferas de medo profundamente imersivas. O filme mergulha o espectador em uma noite repleta de pesadelos e terror, que transforma o ensolarado Rio de Janeiro em uma versão carioca de Silent Hill, cercada de mistérios e criaturas bizarras.

Apesar de um enredo sobrecarregado com tantas ideias e uma narrativa confusa para quem não está acostumado, Abraço de Mãe é uma adição muito bem-vinda ao cinema de gênero brasileiro. O filme oferece uma experiência de terror psicológico cuidadosamente orquestrada para manter o público na ponta da cadeira. Um pouco mais de sangue teria sido a cereja no bolo macabro, mas felizmente, Marjorie Estiano entrega a performance sacrificial que o filme precisava.

NOTA: 8/10

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5 Ways To Be BETTER at Delta Force: Hawk Ops – Master Tactical Gameplay

Are you ready to dominate in Delta Force: Hawk Ops? This game combines thrilling action with strategic gameplay, challenging even the most experienced players. To rise above the competition, you need skills that go beyond just shooting. Mastering weapon control and understanding the game modes can give you a significant edge. Whether you’re engaging in intense firefights or sneaking through the shadows with classic characters, these tips will enhance your skills.

In this blog post, explore five ways to elevate your gameplay. Uncover strategies that improve your aim, boost your reaction time, and perfect your movements. These techniques are not just tricks; they are fundamental aspects that professional players recognize as essential.

Dive into the rich storyline this game offers, taking cues from its past while utilizing new features for a modern twist. Experience each game mode as it was meant to be with a precise understanding of your objectives and roles. The key is combining your strategy with the flexibility to adapt fast. These insights will surely bring your gameplay to a new level, making you a force to reckon with on the battlefield.

Understanding Delta Force: Hawk Ops Fundamentals

Delta Force: Hawk Ops blends strategic gameplay with fast-paced action. You’ll navigate various game modes, embrace rich storylines, and optimize your operators’ gear to excel.

Game Modes and Objectives

In Delta Force: Hawk Ops, you’re challenged across different game modes designed to test your strategic thinking and reflexes. The main modes include tactical warfare scenarios and extraction missions. Tactical warfare modes require clear planning and teamwork, focusing on territory control or enemy elimination. Extraction missions revolve around retrieving items or safely evacuating zones. Knowing the specifics of each mode helps you and your team devise effective strategies. Each mode has unique objectives, so understanding these is key to leveraging your skills and achieving success.

Classic Storyline and Characters

The game brings a classic storyline with environments that feel both vast and detailed. Classic characters play pivotal roles, each with unique backgrounds and abilities that influence gameplay. Engaging with these characters enriches the narrative, creating a more immersive experience. You’ll find story elements and scenarios that pay homage to earlier entries in the series. This connection grounds the game in its established history, providing depth and continuity. Familiarizing yourself with these elements enhances not just your enjoyment, but your effectiveness in campaigns.

The Role of Operators

Operators in Delta Force: Hawk Ops are your in-game avatars, each with specific traits that suit different playstyles. Operators can focus on offense, defense, or support, and this determines your role in missions. Choosing the right operator is crucial, as each one brings unique skills and benefits, impacting your team’s overall performance. Whether you prefer stealth tactics or aggressive combat, selecting an operator that aligns with your strategies is important. Mastering your operator’s abilities takes practice, but doing so significantly boosts your success on the battlefield.

Essential Gear and Equipment

In the game, the success of your mission often hinges on the right selection of gear and equipment. You’ll deal with an array of weapons, armor, and loot, offering customization that suits your tactical needs. Weapons range from long-range rifles to close-combat firearms, while armor provides varying levels of protection. Equipping yourself efficiently ensures you’re prepared for any encounter, whether you’re ambushing or defending. Loot collected during missions includes ammo, health packs, and other valuable items. Understanding these gear dynamics helps you stay ahead, adapting to the evolving challenges each mission presents.

Optimizing Combat and Strategy

In Delta Force: Hawk Ops, optimizing your approach can make all the difference. This involves selecting the right weapon attachments and mastering movement, positioning, vehicle, and equipment use, ensuring you are always ready for any combat scenario.

Weapon Attachments and Customization

Customizing your weapon with attachments improves your combat performance. Selecting the right stock, muzzle, and foregrip can enhance stability and reduce recoil. A rear grip offers better control, while a longer barrel translates to improved accuracy. Consider an optics upgrade for precise targeting at range.

Ammo choice affects armor penetration. Attach a laser sight for improved accuracy during hip-fire. It’s about creating a balance that aligns with your battle strategy, ensuring your weapon is optimized for any situation.

Tactical Movement and Positioning

Understanding tactical movement is key in Delta Force: Hawk Ops. Use the tactical slide to quickly take cover or close the distance between you and your enemies. Positioning is critical—always seek high ground for visibility or use objects for cover to minimize exposure.

Implement a smokescreen to obscure enemy vision and move unseen. Avoid predictable movements; instead, use zigzag patterns to reduce getting hit. Effective use of gun sway can also help you maintain focus while under fire. Mastering tactics gives you a strategic edge.

Effective Use of Vehicles and Equipment

Vehicles are not just for transport; they are invaluable on the battlefield. Use them to quickly maneuver through the map or provide elevated firing positions. Equip vehicles with armor-piercing rounds for offensive capabilities.

Deploy equipment strategically. Use grenades to flush enemies from cover, or place mines to protect objectives. Understand each item’s stability and range to maximize their impact. Incorporating strategic equipment use into your gameplay enhances your combat performance significantly.

Mastering Operator Skills and Abilities

Understanding operator roles in Delta Force: Hawk Ops is essential for success. Master specialized skills, use the best tools, and exploit unique abilities to dominate on the battlefield. For those looking to enhance their gameplay, using hacks can provide a significant advantage. Explore how you can master Delta Force Hawk Ops with advanced aimbot technology to boost your precision and effectiveness.

Specializations: Recon, Engineer, Support

Each operator has a unique role. Recon operators excel at gathering intelligence and using sniper or marksman rifles. Engineers, like Shepherd, can repair equipment and set traps using gadgets like the Sonic Trap. Support operators bolster team strength and provide cover with tools like smoke grenades.

Recon and Engineer offer different styles of play, while Support bridges them with strategic support. Choose your role wisely to fit your team’s needs.

Weapons and Equipment Proficiency

Mastering weapons and equipment is crucial. The M4A1 assault rifle is a versatile choice for most situations. If you prefer speed, SMGs provide rapid fire, while snipers offer precision for long-range engagements.

Equipments like frag grenades and the Enhanced Frag Grenade can turn the tide in tight situations. Understanding which gear suits your style will give you a significant edge in combat.

Unique Tactical Abilities

Operators have special abilities that can drastically influence the outcome of battles. D-Wolf’s exoskeleton allows for rapid tactical slides, providing mobility advantages. Unique tactics, like the Volt Arrow, can disrupt enemy formations and control the flow of battle.

Adapt these tactical abilities to different scenarios. Learn when to deploy each skill for maximum advantage, and tailor your approach according to the operator you control.

Advanced Techniques for Hawk Ops Veterans

To truly excel in Delta Force: Hawk Ops, mastering the finer details of weapon performance, strategic loadout choices, and environmental tactics is crucial. Hone your approach with these advanced insights.

Weapon Performance in Havoc Warfare

Understanding your weapon’s specs is a game-changer. Accuracy, rate of fire, and damage per round are vital metrics.

For havoc warfare, choose weapons with high rate of fire but balance with accuracy. Adjustable scope magnification is your friend. Use it to adapt to varying combat scenarios. Good calibration ensures your shots land where intended, even under pressure.

Consider the range: a longer range weapon provides a strategic advantage. Focus on improving your aim for better performance in intense battles.

Strategic Loadout Selection

The gear you carry can define your success. Prioritize flexibility in loadouts to cater to different missions.

Evaluate fire rate versus damage. A rapid fire rate might be tempting, but without sufficient damage, it can become obsolete. Focus on weapons that balance these factors effectively, and adjust based on mission needs.

Speed is crucial when aiming down sights (ADS speed). Fast ADS speed can be the difference between life and death.

Leveraging the Environment

Your environment is a silent ally. Mastering its use can tip the scales in your favor. Movable cover is a critical asset, providing shelter as you advance. Always scout for natural barriers or built structures to use as shields.

To succeed, identify and exploit flanking opportunities. Utilize your surroundings to approach extraction points unseen. In chaotic situations, blending into the backdrop can offer a high ground advantage.

Positioning is key, so remember to make the environment work for you.

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Crítica | Ainda Estou Aqui – Brasil ensolarado em meio a um eclipse total de moralidade

Em pleno 2024, ainda há quem ainda diga que a ditadura no Brasil nunca existiu. Felizmente, o cinema brasileiro continua a nos lembrar desse período sombrio, que gostaríamos que realmente nunca tivesse acontecido. Aquela velha máxima, de que quem desconhece sua história está fadado a repeti-la, se faz presente através da arte, que, mesmo censurada por anos, encontrou força em cineastas como Walter Salles (Diários de Motocicleta) em uma época cujo assunto é possível ser falado. Um exemplo disso é o tocante e profundo Ainda Estou Aqui, baseado no livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva e na história comovente de sua família partida em pedaços.

Embora o filme revisite um passado de dor e angústia, ele foca em um recorte dos anos 1970, quando a felicidade foi sufocada pelo poder opressor. Mesmo com tantas obras já explorando esse tema, é revigorante ver novos olhares ainda surgindo. Salles realiza o que parecia impossível: cria um filme familiar que celebra a doçura e a união inabalável de uma família que lutou para sobreviver à ditadura. Ao evitar as armadilhas de um filme excessivamente político, o roteiro mergulha na eterna busca por justiça daqueles que ficaram. E nos faz derramar lágrimas pesadas com isso.

Os acertos e erros de Ainda Estou Aqui

Desde que Ainda Estou Aqui entrou em destaque na mídia, grande parte da atenção se voltou apenas para a performance arrebatadora de Fernanda Torres (buscando vingança pelo Oscar roubado de sua mãe, Fernanda Montenegro) no papel de Eunice Paiva, a mãe da família e ativista. E com razão. Torres mergulha profundamente nos sentimentos mais sombrios para interpretar uma protagonista contida e silenciosa, cuja principal arma é o olhar carregado de pavor. Em vez de recorrer a explosões emocionais, a atriz segue um caminho mais sutil, tocando o espectador pelo peso que confere a uma mãe desesperada para proteger seus filhos e seu marido da brutalidade daquele período.

No entanto, o filme vai além dessa atuação poderosa. Muito de sua força reside no realismo, na escolha do roteiro brilhante de focar na emoção e na capacidade da direção em capturar, com precisão, a naturalidade do extenso elenco. Embora Torres seja o motor que impulsiona a trama, a verdadeira alma do filme está na decisão de explorar o drama familiar, e não apenas o terror político. Essa abordagem mais intimista é o que torna a obra tão impactante e o que cria conexão mesmo com quem nunca viveu tal agonia.

Tanto Selton Mello (Sessão de Terapia) quanto os jovens atores da família (com destaque para a sempre ótima Valentina Herszage), desempenham papéis essenciais nessa construção da ligação emocional que dilacera o coração do público quando é rompida. Assim como James Wan criou uma família genuinamente perfeita em Invocação do Mal, por exemplo, Salles sabe trabalhar com elenco, também foca nas sutilezas desse grupo familiar e explora a conexão e o apoio entre eles no momento da tragédia.

A atmosfera dos anos 70 em um Rio de Janeiro caloroso e vibrante, retratada tanto na trilha sonora espetacular quanto na estética das filmagens de Salles, capta com maestria a rebeldia incontrolável e a alegria contrastante com as sombras opressoras que dominavam o país.

Cada recriação histórica é habilmente integrada à trama, com um design de produção imersivo e uma fotografia sensorial de Adrian Teijido, que deixa o projeto com cara de “filme de verão” envolvido em uma história de horror brasileira. Diferente de outras produções sobre a ditadura, Ainda Estou Aqui milagrosamente brilha com vivacidade, irradiando nostalgia e muito afeto pelos seus personagens.

Os momentos de felicidade no filme são tão agridoce que, quando o roteiro mergulha no horror e na violência disfarçada de ordem da ditadura, sentimos um choque visceral. É como se o contraste nos atingisse em cheio. Assim como fez em Central do Brasil anos atrás, Walter Salles consegue, como poucos, infundir amor na tristeza de um país que, muitas vezes, apaga sua própria história em favor de viver as narrativas do estrangeiro.

Veredito

Embora conte com um elenco de peso e uma Fernanda Torres absolutamente entregue em um dos maiores, se não o maior, papel de sua carreira, é nas sutilezas e no drama familiar sensível e comovente que Ainda Estou Aqui revela seu verdadeiro potencial para trazer um Oscar ao Brasil. Walter Salles nos corta como uma navalha ao retratar um Brasil ensolarado em meio a um eclipse total de moralidade.

Com execução brilhante, marcada pela confiança de um cineasta que domina o trabalho com o elenco e, acima de tudo, sabe construir uma narrativa emocional poderosa, o filme se distancia das obviedades de um manifesto político e abraça o lado humano de quem perdeu tudo quando ser feliz era proibido.

Para que nunca esqueçamos que um dia o Brasil sufocou o amor, Ainda Estou Aqui nos proporciona uma experiência aterradora e sincera, nos fazendo sentir o que foi viver sob a ditadura militar. É um filme de partir o coração e, ao mesmo tempo, de reconstruí-lo mais forte. Que venha o Oscar, finalmente.

NOTA: 9/10

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Crítica | Sorria 2 – Espetáculo de horror de cair o queixo

Uma das maiores surpresas de 2022 foi Sorria, longa dirigido pelo estreante Parker Finn e baseado em seu próprio curta-metragem. O que poderia facilmente ter se tornado um desastre à la Blumhouse, se revelou um horror inteligente, cheio de metáforas e verdadeiramente angustiante. E, como de costume em Hollywood, o sucesso trouxe consigo a necessidade de continuar a história para manter a bilheteria em alta. Felizmente, Parker Finn entende o valor do que criou e entrega em Sorria 2 uma sequência ainda mais perturbadora e alucinante.

Sorria 2 é uma daquelas continuações que aprimoram o original ao expandir seu universo, elevando a trama a algo ainda maior e mais intenso, mas sem perder a essência de como tudo começou. Essa fusão de O Chamado, Suspiria e Corrente do Mal demonstra o domínio total de Finn na direção, que apenas evidencia sua habilidade de transformar o comum em algo excepcionalmente interessante e criativo. É um terror genuíno, que deixa os nervos à flor da pele e o espectador na beira da poltrona do início ao fim.

Os acertos e erros de Sorria 2

Agora, com uma trama maior (tanto em duração quanto em escala dramática), Sorria 2 mantém intactas as poderosas metáforas sobre depressão e saúde mental. Desta vez, o filme explora o burnout, a pressão das mídias e redes sociais, o peso da fama e a angústia do abuso em suas diversas formas. O demônio metamorfo que permeia a história se alimenta de traumas, pensamentos negativos e paranoias, com o objetivo de levar seu hospedeiro à loucura e, assim, buscar uma fuga das vozes perturbadoras em sua mente.

A franquia sempre usou as questões de saúde mental como pano de fundo para abordar o suicídio involuntário, resultado de uma pressão insuportavelmente opressiva. Agora, o foco é a estrela da música pop em ascensão Skye Riley, no melhor estilo Sabrina Carpenter e Charli XCX, que, após sofrer um grave acidente de carro que matou seu namorado, tenta reconstruir sua carreira enquanto enfrenta a terrível maldição do sorriso, que é passada para ela em um momento de puro desespero.

A história começa poucos dias após os eventos do primeiro filme e segue, em ordem cronológica, a disseminação da “doença” que havia sido interrompida em Joel, interpretado por Kyle Gallner, o único personagem a retornar para uma sequência de abertura espetacular em plano-sequência, que define o tom eletrizante do filme.

É irritante pensar que tantas artistas são consideradas aos prêmios, como Lady Gaga no ruim Coringa 2, enquanto Naomi Scott (Power Rangers, Aladdin), com uma das performances mais impactantes do ano, nem tem a chance de ser reconhecida, simplesmente porque o terror é um gênero desprezado pelos votantes da Academia.

A atriz entrega uma atuação absolutamente deslumbrante e intensa, que deve ser o papel de sua carreira. É magnético vê-la em cena, enfrentando o terror e dando tudo de si ao longo das duas horas em que carrega o filme de forma avassaladora. Espetáculo purinho.

É evidente que esses dois anos trouxeram a Parker Finn mais maturidade e engenhosidade na direção. Se antes ele era uma revelação, agora demonstra um domínio absoluto sobre cada plano, cena e ângulo, transformando-os em puro cinema. Os sustos, sejam jump scares ou momentos de tensão mais sutis, são habilmente construídos com uma câmera que navega e explora os cenários de maneira envolvente e intrigante, criando uma atmosfera de horror que nos penetra por completo e provoca arrepios na espinha, muito por conta da trilha sonora matadora.

Finn mantém o horror no limite e brinca com o humor das situações, equilibrando sutilezas e excentricidades. Embora haja toques cômicos quando necessário, o medo e a constante sensação de delírio e loucura tornam o roteiro complexo, denso e desafiador. É sempre revigorante ver um cineasta que ama e se diverte fazendo acrobacias com a câmera, extraindo o máximo de cenas aparentemente comuns. Claro que agora há mais sangue, tripas e esquisitices para temperar esse prato que já está recheado de gore e body horror.

O maior problema do filme, apesar de ter uma duração desnecessariamente extensa, é que ele pesa demais a mão nas habilidades alucinatórias da criatura. É que quando nada do que vemos parece confiável e longos trechos da trama se revelam apenas “pesadelos”, acabamos nos sentindo enganados, o que pode ser bastante frustrante para quem busca uma narrativa mais linear. Por vezes é confuso demais.

Veredito

É um alívio quando o filme no qual investimos nosso tempo precioso se revela deliciosamente satisfatório, mas Sorria 2 vai além e entrega uma sequência engenhosa, sangrenta e perversa, cheia de humor ácido e sadismo. O sorriso logo surge com a performance fenomenal de Naomi Scott, que, se estivesse em um drama, certamente renderia uma indicação ao Oscar.

Ao explorar o peso da fama, os traumas e a pressão das redes sociais, o diretor Parker Finn eleva seu excelente trabalho no original e prova que um raio de criatividade pode, sim, cair duas vezes no mesmo lugar. Ele demonstra habilidade em transformar o medo em algo muito mais profundo, interno e denso do que meros sustos que fazem a poltrona tremer. É pura alegria quando uma continuação consegue superar o original, nos deixando com um sorriso de orelha a orelha. Finalmente temos um excelente filme de drama com terror em um ano fraco para o gênero.

NOTA: 9/10

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